Capítulo 3

1196 Palavras
Mia Clark. Acordei sonolenta, antes mesmo do despertador tocar. Acho que a presença do Owen desconfigurou todos os meus sentidos. Me sentei na cama vagarosamente, minha mente viajou para a noite de ontem me fazendo lembrar do seu toque. Ele só queria brincar comigo e estava conseguindo. Michael me trouxe para casa como prometido, assim que terminamos de comer. Conversamos sobre algumas coisas e assistimos um episódio de the big bang theory. Parecíamos até amigos de longa data. Olhei para o relógio na parede do meu quarto, 06:59am. Puta Que Pariu. Eu estava muito atrasada, provavelmente não daria tempo de comer algo, hoje eu planejava chegar cedo na universidade para ajudar a Victoria com uns trabalhos pendentes, eu havia prometido isso. Me levantei da cama e fui direto para o banheiro, escovei os dentes, fiz minhas necessidades e tomei um banho o mais rápido possível. Vesti uma roupa quentinha, hoje o frio estava marcando presença por aqui. Jeremiah ficou de vir me buscar, ele e Victoria são amigos de infância e ambos me ligaram ontem a noite, ficamos na chamada até tarde. Era bom finalmente ter amigos. Peguei os meus materiais e saí de casa, cinco mensagens da Victoria me alertando de que já haviam chegado. Me apressei em fechar a porta e descer. O carro vermelho com certeza não passaria despercebido, era lindo e combinava com o dono, bem chamativo. Sorri assim que nos olhamos e entrei no carro. — Como a minha gatinha está? — Victoria perguntou. — Bom dia, meu amor. — Murmurei arrumando minha mochila no colo. — Eu estou bem e você? Escutamos o barulho brusco do pneu em contato com o asfalto, olhei para cima murchando o meu sorriso. — É o Owen. — Jeremiah soprou baixinho. Michael acenou para mim, mas não ousei sair do lugar. Eu pude perceber a sua impaciência de longe, mas concretizei o quanto ele estava bravo assim que desceu da moto e rapidamente abriu a porta ao meu lado. — Desce! — Ele rosnou. — Amiga, você não precisa ir. — Michael virou o rosto para Victoria. Não dava para ver suas expressões por conta do capacete, mas eu sabia que ele estava irado. Peguei a minha mochila e desci do carro ficando ao seu lado, Michael virou o rosto para mim e tirou o capacete me entregando. O Owen se aproximou lentamente do meu ouvido e mordeu o lóbulo da minha orelha antes de soltar o seu veneno. — Eu te avisei para não ficar perto desse cara! — murmurou. Ele segurou na minha mão e praticamente me arrastou até a moto, subiu e eu fiz o mesmo segurando em sua cintura. Victoria iria me matar! — MIA! — Escutei o grito da minha amiga. Michael, já havia dado partida na moto e aumentava a velocidade gradativamente me fazendo entrar em alerta. Eu estava com medo e sei que ele sabe disso, fazia de propósito. Apertei tanto a sua cintura que podia apostar que estava o machucando, com a proximidade eu podia sentir o seu perfume amadeirado invadindo as minhas narinas. Me fazia sentir coisas estranhas, era tudo muito estranho. Ele estava ultrapassando carros, fazendo manobras arriscadas, coisas que eu sabia que se por um deslize acabarmos caindo ou batendo em algum carro provavelmente morreríamos. Fomos o caminho inteiro em silêncio, assim que ele parou a moto no estacionamento eu desci da moto ainda calada,o entreguei o capacete e virei as costas para ir embora, mas Michael segurou meu braço com brutalidade. Me virei para encará-lo, mas antes que eu tivesse qualquer reação ele me beijou, me afastei o mais rápido que pude e o encarei com fúria nos olhos. — Está louco? Todos estão olhando. — Falei. — Ótimo, assim todos saberão a quem você pertence! Esse garoto é mais louco do que eu imaginava. Ele me roubou um selinho, segurou em minhas mãos e caminhou em direção a entrada da universidade. Por onde passamos somos encarados por vários pares de olhos, as pessoas estavam cochichando, algumas apontavam disfarçadamente. — Porque o MIT? Você não tem cara de “nerd” — Quebrei o silencio.Ele sorriu, mas dessa vez não foi com deboche. — Um dia eu ainda vou te contar o motivo, olhos de jabuticaba. Eu sentia que já havia escutado esse apelido antes, era uma sensação de conforto. Automaticamente minha mente viajou até o dia do acidente, senti a minha cabeça latejar e uma dor aguda se fazer presente. Coloquei a mão na minha cabeça e fechei os olhos com força. Sempre que algum fragmento de memória vinha, a dor acompanhava. Eu tentei fazer terapia e hipnose, nada funcionou. Dessa vez eu consegui vê-lo, um garoto, ele me tirava do carro enquanto eu estava aos prantos, eu não conseguia ver bem o seu rosto, mas vi os fios castanhos. Um pequeno fragmento, mas uma conquista enorme. — O que foi? O que você está sentindo? — Michael estava me enchendo de perguntas. — Não é nada, vamos entrar. — Falei por fim. Michael e eu nos separamos na entrada, eu fui atrás dos meus amigos e ele, bom… Saiu por aí. Victoria e Jeremiah quiseram saber de tudo, principalmente desde quando eu e o Owen nos conhecemos. As aulas passaram rápido, entre o intervalo de uma e outra Michael e eu nos encontrávamos. Sempre com alguma gracinha, gestos ou palavras sussurradas que me faziam corar. Hoje o James havia me mandado uma mensagem, ele era o filho do dono do supermercado onde eu trabalhava, me pediu para ir mais cedo e apenas deixou um alerta de que era muito importante. — E aí, já sabe se vai na festa de iniciação? — Jeremiah novamente com este assunto. — Vai me perguntar isso todos os dias? — Perguntei rindo. — Até você aceitar. — Ele rebateu. — Vai ser bom amiga, conhecer pessoas novas, pegar uns gatinhos e encher a cara. — Victoria piscou para mim. Senti alguém esbarrar no meu braço, olhei e vi que era uma garota, eu já tinha visto ela por aí algumas vezes, mas sequer sei o nome. Ela parou e sorriu, era como se ela quisesse me rasgar com os dentes, o sorriso mais falso que eu já vi em toda a minha vida. — Olha por onde anda queridinha! — Ela soltou o seu veneno. — Quem estava andando era você, eu estava paradinha no meu canto. Será que você não tem problema de vista? Além de claramente ser i****a ao ponto de não ver que a culpa foi sua. — Falei amigavelmente enquanto organizava os meus cadernos em meu braço. — É melhor tomar cuidado caloura, você entrou agora e quer tomar o que é meu, isso não vai sair barato. — Ela me virou as costas caminhando pelo corredor. Me virei para a Victoria com as sobrancelhas enrugadas. — Owen. Ele costumava pegar ela ano passado, mas desde que você chegou ele não foi visto com mais ninguém além de você, a maioria das garotas estão com ciúmes. Estou com medo por você amiga. — Eu sorri. Pelo visto o Owen é um galinha e ainda quer pagar de bom moço. i****a.
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