Em todos esses anos que Suho é meu treinador, essa é a primeira vez que eu estou com muita raiva dele.
Eu não acredito que ele vai me deixar o jogo inteiro no banco de reservas. Tudo bem, eu devo admitir que, desde que comecei a sair com Chanyeol, meu desempenho não é o mesmo.
Ou eu estou cansado porque transamos a noite inteira, ou estou no mundo da lua pensando em como as vezes ele é tão carinhoso e em outras um e******o i****a.
— Aish, Baekhyun, entre naquele campo e faz esse time ganhar. — disse Suho, já desesperado com nossa possível derrota.
O jogo já estava acontecendo há mais de cinco horas e nada dos times sofrerem eliminações suficientes.
Assim que entrei naquele campo e peguei meu taco na mão, eu senti uma energia correndo pelo meu corpo, é como se aquele fosse meu território.
Era a única coisa em que eu era verdadeiramente bom e nada me abalava naquele lugar, era como meu pequeno mundo.
Tomei minha posição e olhei com confiança para o lançador do outro time.
Mas algo ainda melhor chamou minha atenção, pelo telão que filmava a plateia eu pude ver os que estavam atrás de mim, entre eles, duas pessoas que vibravam por eu estar naquele campo.
Chanyeol estava lá, com Kyungsoo em seus ombros, torcendo por mim como se eu fosse um verdadeiro profissional da área.
Olhei para trás e sorri para aquele que quase podia chamar de namorado — já que faziam três meses que nos víamos e agíamos como um verdadeiro casal — e seu filho que cada vez mais me impressionava com tamanho carinho por mim, que lógico, era seu hyung, nem de longe Kyungsoo poderia imaginar que eu namorava seu pai.
Aquilo me deixou forte, saber que eu tinha quem me apoiasse, quem torcesse por mim, quem esperava que eu ganhasse aquela partida e pudesse comemorar a vitória ao meu lado.
Nem pisquei nas horas de jogo que ainda decorreram. O time adversário era realmente forte, mas eu estava confiante, era a semifinal e eu queria levantar aquela taça.
E não foi diferente, a torcida local vibrou quando rebati a última bola, causando à vigésima sétima eliminação do time adversário, nos dando assim a vitória, mais uma vez. Agora era concreto, nós estávamos na final regional.
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— Parabéns, garoto, você jogou muito bem. — Chanyeol chegou até mim e bagunçou meus cabelos, ainda suados pelo jogo.
— Hyung, eu quero jogar como você. Papai me compra uma bolinha pra jogar como o hyung?
— Pra que eu vou comprar uma bola? Você não sabe jogar de qualquer forma.
— Deixa de ser grosso, Chanyeol. — Dei um tapa em seu braço. — Eu te ensino a jogar, Kyunggie, fim de semana eu trago você para treinar junto com o time.
— Eba! Viu appa, o hyung é mais legal que você.
— Vai morar com ele então.
— Baekhyun, parabéns pela vitória. — disse Suho chegando mais perto e me cumprimentando — Quem é este?
— Esse é meu amigo Chanyeol e o seu filho Kyungsoo, nos conhecemos no bar quando fomos comemorar aquela última vitória.
— Eu disse que lhe faria bem sair um pouco.
— Com certeza, foi muito bom. — Sorri e olhei para Chanyeol que estava sério, parado ali olhando para tudo menos para mim. — Então, eu vou tomar um banho para ir para casa... Você vai me levar? — perguntei a Chanyeol.
— Vou deixar Kyungsoo com a minha mãe primeiro, depois eu venho te buscar.
— Ah, appa! Eu queria ficar com o hyung.
— Outra hora, Kyungsoo.
— Amanhã eu passo na sua casa para te dar um oi. — disse a ele e fiz carinho em sua mão, o que fez ele sorrir.
Suho ficou apenas nos observando e logo cada um foi para seu canto.
Esperei Chanyeol dar a partida na moto para entrar no vestiário e finalmente tomar um banho.
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Já era noite quando eu saí do vestiário e não havia mais ninguém ali, apenas Chanyeol do lado de fora do estádio, escorado em sua moto, me esperando.
Cheguei mais perto dele e rodei meus braços em seu pescoço, mas Chanyeol afastou minhas mãos de si.
— Que foi?
— Então eu sou só um amigo pra você? — Ele disse bravo e eu sorri.
— Eu deveria te apresentar como? "O cara que me come"? "A minha fodinha casual?" Porque meu namorado você não é.
— Você quer um pedido formal para que eu seja?
— Hm, quero sim. — disse rindo e voltei a rodar minhas mãos em seu pescoço o puxando para baixo e beijando seus lábios. — Mas enquanto você não faz isso, me leva pra casa e vamos... — Voltei a o beijar e Chanyeol não disse nada, apenas agarrou minha cintura sendo tomado por aquele mesmo sentimento.
Uma necessidade de continuar com aquele beijo e o abraço que nos confortava.
Assim que finalmente conseguimos nos separar, eu peguei meu capacete e subi na moto junto a Chanyeol.
Em poucos minutos estávamos em minha casa.
Assim como das outras vezes ele m*l estacionou a moto e eu já estava o puxando para dentro de casa e para mim, para ter seus beijos novamente.
Chanyeol me pegou no colo e fechou a porta com o pé, apertando a minha b***a e me fazendo friccionar meu m****o, já duro, no seu.
— Channie... Eu 'tô com tanta saudade de você. — Quase gemi quando desgrudei minha boca da sua por alguns segundos. — Eu quero você dentro de mim, agora. — falei roçando meus lábios nos seus.
— O que está acontecendo aqui? — Vi o resto das luzes da casa serem ligadas e desci do colo de Chanyeol, olhando para trás e vendo minha mãe no centro das escadas.
— O-omma.
— Diz que eu não vi você fazendo essa coisa nojenta...
— Chan, vai embora.
— Mas você...
— Tudo bem, pode ir.
— Não, Baekhyun, você...
— Vai... Agora!
Chanyeol beijou minha testa e saiu da casa, mesmo ele sendo o mais velho, não havia nada que ele pudesse resolver com a minha omma.
— Você só sabe me dar desgosto, Baekhyun, eu te criei pra isso? Pra você ficar se roçando com um macho na minha sala?
— Me criou? Alguma vez você esteve dentro dessa casa? Ao menos sabe o esporte que eu pratico? Você não sabe nada de mim ou da minha vida! Você ao menos sabe ser uma mãe. — Ao terminar a frase senti um tapa forte ser desferido contra meu rosto.
— Saía da minha casa. AGORA!
— Com muito prazer.
Subi as escadas de casa e abri meu closet pegando a mochila que usava para colocar o material do treino, joguei algumas das minhas coisas dentro e logo saí daquele lugar, tendo como última visão minha mãe fumando em frente a janela da sala.
Foi incontrolável sentir as lágrimas escorrerem por minha face assim que saí dali, a adrenalina não corria mais em meu sangue e então eu pensei com razão.
Para onde eu iria? Eu não tinha nada. Amigos, emprego, nada.
Continuei andando sem rumo, a rua estava escura e fria e eu não tinha pegado nenhum casaco quente o suficiente, talvez eu não tenha pegado nada útil.
Talvez eu seja inútil para mim mesmo.
— Aonde você pensa que vai? — Ouvi a voz de Chanyeol, que estava sobre sua moto sem capacete, andando lentamente ao meu lado enquanto eu tentava andar mais depressa.
— E-eu vou para a casa de um amigo.
— Ela te expulsou de casa por um beijo? — Ele riu soprado. — Imagina se soubesse quantas vezes transamos naquela casa.
— Pois é. Acho que ela nunca gostou de mim, mas tudo bem, eu vou me virar.
— Se virar como, moleque? Pra onde vai? — perguntou com um leve tom de preocupação.
— Já disse, a casa de um amigo.
— Acha que eu sou i****a? Você não tem amigos. Sobe nessa moto. — ordenou.
— Não precisa, eu vou me virar.
— Eu não estou pedindo, estou mandando. Sobe nessa moto. — Ele parou e esperou que eu subisse.
Fiquei parado olhando sem coragem de fazer alguma coisa.
— Eu não tenho a noite toda, Baekhyun. Sobe logo.