— Vim te buscar para dar uma volta.
— Mas...
— Moleque, sobe logo na moto e deu. Você fala demais às vezes.
Sorri com seu jeito falsamente irritado e cheguei mais perto, selando seus lábios, senti Chanyeol ficar levemente surpreso com meu ato, mas logo suas feições voltaram a se fechar e ele pôs o capacete para que saíssemos da frente da minha escola.
Rodamos por alguns — muitos — minutos até Chanyeol parar em um lugar deserto que realmente parecia uma mata.
— Se queria me matar tinha lugares mais próximos.
— Não, aqui é o melhor lugar para matar. — disse bem sério e convicto.
Descemos da moto e ele guardou os capacetes, pegou minha mão e me levou para dentro do mato.
— V-você está brincando, né?
— Ficou com medo? — Ele deu um sorrisinho malicioso e continuou andando.
Na verdade, eu tinha acabado de ficar. Chanyeol era quieto, cheio de mistérios e com um jeito que me assustava algumas — muitas — vezes, mesmo que eu só o conheça há dois dias. Ou melhor, um dia e uma noite.
Quando ele finalmente parou de andar, parando em frente a um arbusto, eu até me assustei, mas então ele afastou as folhas e nossa... Eu não esperava por aquilo, tinha um lindo lago com uma cachoeira bem ali no meio, e também uma sexta e toalhas dobradas sobre as pedras.
— Já é final de tarde e você decidiu me afogar no rio?
— Você é tão chato, moleque. — Suspirou e atravessou o arbusto indo até as pedras, eu o segui.
— Então por que foi atrás de mim outra vez?
— Fiquei com raiva da sua mãe. Além disso... Gostei de f***r você.
Senti minhas bochechas quentes demais e abaixei a cabeça no mesmo instante.
— V-você fala essas coisas tão... N-naturalmente.
— E você parece um virgem santinho.
— M-mas eu era... Até ontem.
Chanyeol me olhou com uma carranca ainda maior, franzindo o cenho e segurou meu queixo me obrigando a o olhar.
— Está me dizendo que eu fui o primeiro cara com quem transou?
— Não. Estou dizendo que você foi a primeira pessoa com quem transei... Ou beijei... Ou qualquer coisa... — Dei um tapa na sua mão e abaixei a cabeça de novo — Desculpa... E-eu... — Senti meus olhos marejarem.
— Tá se desculpando por que, c****e?
Fiz bico e senti uma lágrima escorrer por meu rosto, a sequei rapidinho, mas não rápido o suficiente para ela não ser percebida.
— Você faz mais manha do que o Kyunggie, p**a que pariu — disse e suspirou pesado, me puxando para seus braços.
— Me leva de volta, não quero e-estragar seu fim de tarde, você deve estar cansado.
— Se eu chamei você, é porque eu quero você aqui. — disse fazendo carinho em minhas costas. E sentir o calor de sua mão era tão acolhedor, eu só queria sentir isso para sempre.
Depois do momento de carinho, tiramos os sapatos e sentamos sobre as pedras colocando os pés dentro da água. Fiquei em silêncio durante muitos minutos, mas não era isso que Chanyeol queria, apesar de sempre me mandar calar a boca.
Ele tirou um sanduíche de dentro da sexta e me deu junto a um copo de suco, eu realmente estava com fome, então não falei nada, apenas comi.
Suas mãos passavam por meu corpo vez ou outra, por minhas coxas, minha cintura, e tudo isso fazia com que inúmeros arrepios me tomassem.
Depois de comer apenas deitei com a cabeça em seu colo e deixei que ele acariciasse minhas costas, b***a — principalmente — e coxas de forma calma. Acho que no fundo ele nem estava com os pensamentos ali.
— Já está ficando tarde.
— Eu sei.
— Quantos anos tem o Kyungsoo?
— Quatro.
— Onde está a mãe dele?
— Eu não sei. Quando eu saí da cadeia minha mãe apenas me entregou ele e disse que eu deveria criar, então eu estou criando. — Deu de ombros.
— Mas ele é seu filho de sangue?
— É sim. Agora...
— Cala a boca, eu sei. Desculpa. — Me encolhi em seu colo e depois suspirei me levantando dali — Você pode ficar a noite toda aqui se quiser, eu vou pra casa, eu não tenho o que fazer aqui. — disse colocando meus tênis.
— O que quer dizer com isso?
— A gente nem se conhece, a real é que transamos e deu. Não tem necessidade disso aqui.
— Você lida bem com isso?
— Isso o quê, Chanyeol?
— Perder a virgindade com um cara que nunca mais vai ver na vida.
— Acho que é melhor do que ficar parecendo que ele possa gostar de mim um dia, coisa que nunca vai acontecer.
Chanyeol levantou-se com o cenho franzido e me agarrou pelo braço, colando nossos corpos.
— Eu queria estapear essa boca bonitinha por falar tanta besteira.
— E se não vai fazer isso, vai fazer o que então?
Chanyeol passou a agarrar minha cintura e grudou nossos lábios impedindo que eu me desvencilhasse de seus toques.
Sem outra escolha, rodei meus braços por seu pescoço e passei a beijá-lo com mais vontade, chupando seus lábios para minha boca e suspirando com sua mão apertando minha b***a.
— Ainda quer ir embora e me deixar aqui?
— Quer ir pra minha casa?
— Eu não quero encrenca.
— Meus pais não estão lá. — disse com meus braços ainda envoltos em seu pescoço e dando vários selinhos em sua boca.
— Só não te levo pra minha casa porque minha mãe está lá e tem o Kyungsoo. Senão... Você já sabe. — Sorri e dei mais um beijo nele.
Arrumamos rapidamente as coisas e voltamos para onde sua moto estava.
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Até que chegássemos a minha casa já era noite.
Chanyeol estacionou em frente a mansão e nem o deixei pensar muito, o puxei para dentro, feliz de finalmente ter quem levar ali.
O levei para o meu quarto e tirei o meu casaco, jogando a mochila sobre a poltrona.
— Eu quero tomar um banho. Você vem? — Chanyeol concordou com a cabeça me seguindo até o banheiro e me prensando contra seu corpo, abusando do meu pescoço e de tudo que ele podia tocar.
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— A água tá ficando fria. — reclamou de ainda estarmos na banheira.
— Eu não queria sair daqui. — Me levantei pegando a toalha e enrolando em minha cintura e lhe dando uma também. — Você vai embora agora né?
— Por que você é tão inseguro? Moleque, eu não vou só te comer e te chutar. Você queria um banho e tomamos um banho. Eu não vou sair correndo depois disso.
— Vai dormir aqui?
— Não, e você sabe o porquê. Tem sempre alguém esperando que eu chegue em casa, mas isso não quer dizer que eu vá embora agora.
— Então vamos jantar.
Fui para meu quarto e abri meu closet procurando algo que servisse em Chanyeol, lhe entreguei uma calça de moletom e uma regata, mas ele colocou apenas a calça, deixando suas tatuagens expostas e me fazendo admirar ainda mais seu corpo.
— A baba está escorrendo ali. — Apontou para minha boca e eu notei que ainda estava secando seu corpo. Pigarreei e me vesti também o levando para cozinha.
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— Você não sente mais vontade de me tocar? — perguntei enquanto estava sentado no balcão o olhando cozinhar.
— Como assim? — perguntou, sem olhar para mim.
— Bom, eu achei que nós fôssemos... Fazer aquilo... E quando chegamos você apenas me deu banho e agora estamos aqui.
— Você disse que queria tomar banho.
— Sim, eu queria, mas eu achei que mesmo assim... — falei baixinho.
— Tsc. — Chanyeol balançou a cabeça para os lados e continou cozinhando.
— Vai me ignorar?
Chanyeol desligou o fogo e chegou mais perto, abriu as minhas pernas e puxou-me mais para a beirada do balcão, deixando nossos corpos colados.
— Não estou te ignorando, eu estou preparando sua comida. E se eu sinto vontade de f***r você?! Eu sinto, mas eu não vou fazer as coisas na mesma medida que tenho vontade, senão eu já teria te amarrado na cama e estapeado essa b***a do jeito que você merece — disse baixo e rouco em meu ouvido.
Suspirei e rodei minhas pernas em sua cintura.
— E se eu disser que quero sentir tudo isso?