UM ANO DEPOIS
CHANYEOL POV
Eu nunca pensei que estaria em um lugar como este novamente, eu nunca pensei que pagaria por algo que não fiz apenas por ser impulsivo do mesmo jeito que fui quando era mais novo.
A parede da minha cela já estava rabiscada em a contagem de dias que eu fazia, às vezes parecia que eu morreria ali dentro, eu queria que pelo menos houvesse algo que me prendesse ao lado de fora, algo que me desse mais esperança que um simples anel. Mas não havia nada, uma foto, uma carta, nada.
Já fazia mais de um ano que eu estava preso. A saudade de Baekhyun doía, mas nada era comparado ao que eu sentia pela falta de Kyungsoo.
Tem pessoas que acham que eu sou um pedra de gelo. Sério, frio calculista, só quero o meu próprio bem. É assim que ganhei respeito aqui dentro, é assim que me livro de brigas, ainda mais quando eles sabem que já estive preso por assassinato anteriormente.
Mas nada disso é verdade quando tarde da noite meu peito dói só de pensar que SooHae pode ter alguma coisa a ver com isso, que ela pode ter tirado meu bebê de mim e que talvez ele nunca entenda porque eu sumi, talvez ele cresça e me culpe de erros que eu nunca cometi, quem sabe o dia que ele vai entender que eu o amo tanto que morreria apenas para que ele ficasse bem.
Mas agora isso não tem importância quando novamente eu falhei e me mantive longe dele, me mantive afastado dos seus problemas, das suas dores e seus receios.
Só espero que um dia ele me perdoe...
"Independente das minhas lágrimas, eu espero que você seja feliz."
BAEKHYUN POV
— Papai, eu quero aquele cereal. É meu favorito. — disse Kyungsoo apontando para um cereal colorido na prateleira enquanto fazíamos as compras, meu pequeno já estava com seus seis aninhos.
— Você gosta daquele porque é puro açúcar. — mexi consigo enquanto empurrava o carrinho onde carregava as compras e Kyunggie.
— E o que tem? Eu adoro! — fez bico e eu revirei os olhos pegando o cereal para ele.
— Chanyeol te mimou demais, bebê, a vida não não fácil não.
— Appa Chanyeol deixou a gente. Não gosto de falar dele. — disse tristonho enquanto brincava com a caixinha de cereal.
— Não é verdade, filho, você sabe disso. Ele jamais deixaria a gente, falta cada vez menos para que a gente possa ver ele de novo.
— Baekhyun? — ouvi alguém me chamar e olhei para trás vendo minha minha mãe. Engoli em seco e respirei fundo.
— O-omma, come está?
— Eu estou ótima, mas você disse que essa criança é sua? — apontou para Kyungsoo no carrinho, o meu pequeno ainda brincava com os joguinhos que tinham na parte de trás da caixa de cereal.
— Uhum, meu filho, Kyungsoo. Ele é meu e do meu marido, omma. — minha mãe torceu o nariz ao ouvir tal afirmação.
— Você não acha que é novo demais para adotar crianças carentes? E o esporte que praticava? Vai entrar para a faculdade?
— Vou entrar sim, mas eu já não jogo mais Baseball desde que tive que estar em casa todas as noites, além disso, Kyungsoo é filho de Chanyeol, não o adotamos.
— Moleque, você deveria estar cuidando do seu futuro, não cuidando do filho dos outros.
— Omma, eu entendo que você fique brava, mas eu tenho minha vida e não lhe devo satisfações, eu sempre amei o baseball sim, mas não me arrependo de tê-lo largado para cuidar do meu filho, agora se me da licença, está quase na hora do almoço e eu preciso alimentar Kyungsoo.
— É, eu to com fome, papai. — disse sorrindo de forma tão fofa que seus olhinhos viraram meias luas.
— Eu sei meu bebê, estamos indo.
— Adeus omma, espero que entenda minhas escolhas um dia. — ela apenas suspirou quando me viu guiar o carrinho em direção aos caixas.
Depois de pagar as compras entrei em um táxi com Kyungsoo e fomos para casa.
{...}
Cheguei em meu prédio todo atrapalhado carregando as diversas sacolas enquanto Kyungsoo carregava apenas a do seu cereal e comia um pirulito.
Entramos no elevador e assim que saímos praticamente atropelei alguém enquanto procurava a chave.
— Chen, o que faz aqui? — sorri lhe entregando algumas sacolas de compras e finalmente pude pegar a chave.
— Oi tio Dae. — disse Kyungsoo com a boca cheia enquanto mordia o pirulito.
— Oi garotão. — Chen bagunçou os cabelos de Kyungsoo enquanto entravamos em casa e iamos para a cozinha largar as compras.
— Soube que já tirou carta de motorista Baekhyun.
— Tirei, é mais fácil levar o Kyungsoo para escola de moto e não me atraso para o trabalho.
— Minseok disse que está de férias a partir de segunda, e Kyungsoo já está também né? — Kyungsoo nem deu bola para as brincadeiras que Jongdae fazia com ele, apenas estava interessado em comer as besteiras que comprei.
— Filho, agora não é hora de comer isso. — tirei os biscoitos da sua mão antes que ele comesse todo o pacote
Kyungsoo fez bico e ameaçou chorar, apenas o olhei com cara feia e ele abaixou a cabeça.
— Só mais um, papai. Unzinho e eu vou ali ver pororo.
Entreguei o biscoito e Kyungsoo saiu correndo para a sala.
— Você mima muito ele. — Chen riu.
— Chanyeol mimou muito ele, mas eu gosto, ele é tão fofo.
— É... — suspirou, na opinião de Chen eu deveria ter esquecido Chanyeol a muito tempo e seguido a minha vida, mas isso nunca vai acontecer — Eu queria saber se você quer nos levar até a praia na segunda, meu aboji empresta o carro.
— O Min vai também? — perguntei enquanto cortava os legumes para fazer o almoço, afinal, Minseok também sabe dirigir, se eu sentir sono posso contar com alguém, pensei.
— Você se sente tão desconfortável assim sendo apenas nós dois?
— Chen, não é isso... Você sabe.
— Que você é casado unilateralmente com um cara que não quis nem te pedir em namoro, sei sim. Mas se te conforta, o Minseok entra de férias na segunda e também pode ir, eu só queria que você dirigisse.
— Tudo bem, vamos sim. — sorri enquanto roubava um dos pedaços de cenoura e colocava os outros na panela.
No final Chen passou quase toda a tarde conosco. Kyungsoo viu um filme com a gente e se aproveitou do momento que pegamos no sono para roubar os outros biscoitos.
Mas assim como Chanyeol, eu não era capaz de lhe castigar, apenas encher de beijos, claro, depois de ter um boa conversa sobre estar magoado com suas atitudes, mas de qualquer forma, eu o enchia de beijos.
{...}
Jongdae mandou uma mensagem a poucos minutos avisando que logo estaria aqui com o carro de seu pai, já que o pai dele ia aproveitar que passar em um lugar próximo para deixar o carro e o filho, para que depois pudéssemos passar na casa de Minseok e o pegar para irmos a praia.
— Filho, termina de pegar suas coisas, tio Dae chegou. — gritei para Kyungsoo quando ouvi a campainha e abri a porta, dando de cara com alguém que com certeza não era Jongdae.
Meu coração acelerou e eu achei que morreria naquele momento.
Minhas mãos rumaram para seu rosto, eu não conseguia acreditar que era real. Pulei em seu colo o abraçando o mais forte que conseguia enquanto sentia meu corpo tremer pelo choro que não parava.
— Eu estava com saudade.
— Eu também estava, Baekkie, você não sabe o quanto.