Anahi
Eu estava deitada no colchão, enrolada no lençol e dormindo quando ouvi o ranger da porta se abrir, entrando por ela Poncho e Roux, que havia me deixado aqui bem mais que 2 dias. Meu rosto estava inchado devido ao fato de eu ter chorado a noite inteira e sonhado com minha família.
Roux – Pode sair, não quero ninguém aqui ouvindo a nossa conversa
Vi ele fazer sinal para que Alfonso saísse e ele, sem que Roux percebesse, fez sinal de que depois tentaria vir conversar comigo de novo.
Anahi – O que você quer agora, Roux?
Roux – Saber se você já pensou na minha proposta
Anahi – Eu nunca vou ser garota de programa e muito menos trabalhar para você
Roux iniciou uma gargalhada e eu juro que gostaria de entender o porque, fiquei olhando para ele até que ele resolveu falar
Roux – Anahí, não sei se você percebeu mas você é sim garota de programa, e por sinal uma das que mais nos dá lucros
Anahi- NÃO, EU NÃO SOU! – Gritei
Eu sabia que não poderia gritar mas foi mais forte que eu. Roux se aproximou ainda mais de mim e deu um soco na minha cara e por sorte eu não bati com a cabeça na parede. Levei minhas mãos ao olho que começara a doer muito e novamente as lágrimas começaram a cair
Roux – Agradece por ter sido somente um soco, pois muitas vezes eu tenho vontade de acabar com a sua vida!
Ele se levantou, mas sem pestanejar deu uma bicuda em meu abdômem, me pegou pelo braço e saiu me arrastando porta a fora totalmente nua, somente com o lençol me cobrindo. Fez sinal para que Alfonso fosse lá trancar a porta, então Alfonso foi, pude ver ele silabar para mim " logo você sairá daqui "afim de tentar me acalmar e logo ele sumiu da minha visão.
Roux me levou para o quarto, onde todas as meninas pareciam estar se arrumando, elas pararam e olharam para a gente com receio do que ele pudesse fazer
Roux – Quero que se arrumem logo, mais tarde temos um evento! – olhou para mim – e você também estará nele. Será um evento aqui mesmo.
Assenti rapidamente antes que ele pudesse falar ou reclamar da minha demora para concordar. Roux saiu dali, fechando a porta pelo lado de fora e avisando que voltaria dentro de 2 horas e se alguma de nós não estivesse pronta, seria castigada.
Me levantei com dificuldade pois estava com dores e logo as meninas correram até mim para nos abraçarmos.
Maria Eduarda – O que fizeram com você amiga? – Pergunta chorosa
Anahi – Eu não quis t*****r com um cliente e por isso fui castigada
Manoela – Pelo visto ele te bateu bastante – Passando as mãos pelo meu cabelo
Andreia – Infelizmente é isso que teremos que aguentar, é o nosso castigo. Eles são doentes, acho que nunca nos deixarão sair daqui
Nos entre olhamos de forma triste, o que Andreia falou era difícil de aceitar mas era a realidade, demoraríamos muito a sair dali e eu muitas vezes acreditava que sairíamos somente depois de mortas.
Maria Eduarda, Manoela e Andreia eram algumas das meninas centenas de meninas que chegaram ali comigo cheias de esperança e sonhando algo, acreditando que teríamos mesmo uma vida bem melhor na Europa. Como chegamos juntas, fizemos amizade rapidamente umas com as outras e isso de certa forma era legal, pelo menos tínhamos nossas companhias, não estávamos 100% sozinhas.
As meninas voltaram a se arrumar e eu prontamente comecei a me arrumar também, se não Roux nos castigaria. Por regra todas nós tínhamos que colocar mini saia e boddy ou Cropped. Nós pés sempre tem que ser scarpin e os cabelos devem estar sempre soltos. A maquiagem? Tem que ser de p**a mesmo e eu teria que aperfeiçoar ainda mais a maquiagem, os clientes não podem e não devem nunca ver nossos machucados.
2 horas depois, como havia avisado, Roux apareceu lá para nos buscar e sim, estávamos todas prontas.
Assim que descemos as escadas e vimos o que acontecia lá embaixo, nos assustamos
Manoela- Não acredito – Sussurrava boquiaberta
Maria Eduarda- Meu Deus! – Mãos na boca
Anahi – Isso já é demais – Sussurrei também
Roux – O que estão sussurrando? Andem, me falem! – Autoritário
Andréia – Roux, isso não pode acontecer, é lei
Roux – E desde quando ligamos para as leis? Aqueles meninos ali só querem diversão e vocês darão isso a eles – sorria cinicamente – Não se esqueçam que vocês estão aqui para isso, são nossas escravas sexuais, o que não é certo perante a lei.
Ele se aproximou dela, colou seu rosto no dela e continuou a falar
Roux – f**a- SE a lei!
Roux estava tão nervoso com aquele questionamento que acredito que só não bateu em Andreia pois um dos meninos que estava lá embaixo faziam sinal para descermos logo.
Seria difícil para entendermos, engolirmos e darmos prazer para alguns minutos adolescentes. O evento para o qual havíamos sedo contratadas era o aniversário de 16 anos do filho de um dos funcionários dessa espelunca
Descemos e os meninos se aproximaram de nós, passando as mãos em nossos corpos. O que colou em mim era Anthony, o aniversariante. Ele já passava as mãos pelos meus s***s por cima do Cropped e eu fechava os olhos afim de segurar as lágrimas que queriam voltar a cair. Além de escrava s****l eu agora teria que ser pedófila e na minha cabeça eu não parava de pensar em como os pais desses meninos concordavam com tudo isso, será que fora o pai de Anthony, os pais do restante sabiam de tudo aquilo? Sabiam que a festinha seria em um bordel de 5º categoria e com mulheres escravas? Meu Deus!
Anahi – Eu..Eu..Eu..Eu vou no banheiro e já volto
Sai rapidamente dali e corri para o banheiro, podendo assim me esquivar de tudo aquilo por alguns minutos. Assim que cheguei no banheiro encontrei Maria Eduarda escorada na parede e pensativa e quando ela me viu começou a falar
Maria Eduarda – Eu ouvi eles dizerem que daqui a pouco um caminhão chegará e vão descarregar alimentos, é a nossa chance de sair daqui, Anahi
Anahi – Mas será que não vão nos pegar?
Maria Eduarda - É um risco que vamos correr, mas eu não vou ficar aqui, não quero ficar aqui fazendo esses programas, não somos prostitutas
Maria Eduarda agora chorava de soluçar e eu a abracei fortemente. Ficamos abraçadas por alguns minutos até lembrarmos que tínhamos que voltar, e assim fizemos, voltamos para a festa.
Mas para nossa sorte ou nosso azar e devido ao fato do som da festa não estar muito alto, pudemos ouvir o barulho de um caminhão chegando
Maria Eduarda - É a nossa chance
Engoli em seco e concordei. Saímos dali de fininho e fomos até o portão dos fundos, onde de longe vimos que estavam abertos e os descarregadores descarregavam as caixas. Respiramos fundo, nos entre olhamos e quando chegamos mais perto, saímos correndo.
O que não esperávamos era encontrar a rua fechada e cheia de seguranças, seguranças esses que pertenciam ao bordel, todos contratados por Roux e pelo maldito dono.
Segurança – Onde acha que vão ?
Anahi – Por favor nos ajudem a sair daqui, não merecemos essa vida
Segurança 2 – Vamos ajudar a sair daqui sim, mas a voltar lá para dentro. Sabem muito bem que não podem fugir
Todos os seguranças vieram para cima da gente, nos pegaram pelo braço e levaram para dentro. Pude ouvir um deles falar com Roux pelo rádio e Roux pedia para que nos levassem para uma sala.
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Estávamos sentadas dentro da sala e com medo, sim, com muito medo do que poderia acontecer, do que Roux poderia fazer com a gente
Roux – Eu deveria castigar vocês da maneira mais severa possível, mas não farei isso, farei algo bem melhor
Ele se aproximou da mesa, ligando o computador que havia ali. Vi que ele abriu uma pasta cheia de fotos
Roux – Alguma de vocês conhecem essa pessoa aqui ?
Ele virou o computador para nós e Maria Eduarda começou a falar
Maria Eduarda – É minha vó, como você tirou uma foto da minha vó? – Desesperada
Roux nada respondeu, voltou a olhar para o computador e quando virou novamente eu me assustei, ele mostrava agora foto da minha mãe andando pela rua
Anahi – Minha mãe – chorosa
Roux – Como podem perceber, sabemos muito da vida de vocês, então fica o aviso: se tentarem fugir novamente, seus familiares morrem!
Ele mostrou para a gente mais algumas fotos, para que tivéssemos certeza de que eles conhecem toda a nossa família e uma dessas fotos me assustou
Era de Ana Paula com uma criança no colo andando na rua. Era uma rua muito parecida a que Dulce morava, a criança estava com a cara tampada por um pano e quando olhei melhor, notei que usava um vestidinho que eu tinha mandado fazer para ela
Era ela, a minha afilhada: Maria Paula. Dulce estava de volta ao México.