ISABELA GARCIA
Me espreguiço e meu corpo parece tão descansado, diferente da primeira noite, onde eu dormir num colchão sem travesseiro e lençol e menos ainda ventilador, agora graças a Leonor, tem um ventinho refrescante batendo em mim, pois ele me trouxe até um pequeno ventilador.
Me sento no colchão e olho a pequena mesa na cela, sorriu abertamente vendo Romeu e Julieta me esperando, eu tinha começado a leitura e achei que não conseguiria terminar, mas Leonor foi um anjo, na verdade ele e o Hélio, que mesmo sem falar quase nada, fazia tudo que o Leonor pedia, agora ao menos teria o conforto da leitura nesses dias que prometiam serem os mais desafiadores da minha vida, eles me trouxeram comidas gostosas no almoço e até uma barrinha de chocolate como sobremesa, o que compensou o café da manhã, apenas um pão me deixou faminta.
De repente um cheiro se faz notado na cela, franzo a sobrancelha, é um cheiro dominante, não lembra a Leonor, nem Hélio, mas...
- Não pode ser!
Esse é o cheiro dele, de Adam, eu o sentir no nosso primeiro encontro e não conseguir esquecer, não me lembro ter vindo até a cama sozinha, será que ele esteve aqui enquanto eu dormia? Me colocou na cama? Essa possibilidade faz tudo em mim se revirar por dentro, Adam é o homem que mais me impactou na vida! Na faculdade vi todos os tipo de garotos, inclusive o Gastão, que corre atrás de mim como um desesperado e ele é muito bonito, mas nunca sentir nada por eles, nem por Gastão, absolutamente nada, mas tem algo em Adam que desperta minha curiosidade e interesse e se ele esteve aqui? Me viu dormir? minha pele arrepia e o incomodo em meu ventre aumenta. Será que ele teria tido o gentil gesto de me por na cama? Acho meus pensamentos absurdo, uma atitude humana não sairia de um homem r**m como ele.
Então a porta abre, ele entra, alto, muito mais alto do que me recordava, o dia é de sol que reflete bem no quarto, devido as aberturas no alto, consigo vê-lo bem, rosto quadrado e bruto com suas marcas que me fascinam se perdem em sua barba grossa, ombros largos, os braços são fortes e grossos, quadris estreitos, as pernas grossas, ele parecia um tipo de maquina, um gladiador, algo assim, talves fossem bom não provocá-lo, eu poderia conseguir mais algumas coisas dele, como um celular, pois quando vim para cá afim de resgatar meu pai, acabei deixando meu celular em casa, estou sem comunicação alguma, não apareci na faculdade hoje, minha cabeça começa a trabalhar compulsivamente e então falo as primeiras coisas que me vem a mente, na intenção de agradar.
- Seus funcionários são uns amores, Leonor e Hélio deixaram o quarto mais aconchegante, nossa, esses lençóis, mesa, cadeira, o livro, tudo! Então eu quero...
Antes que eu diga que quero agradecer a ele, a Adam por ter me permitido ter esses pequenos conforto, por ter permitido seus funcionários fazerem isso para mim, antes que conclua a frase falando que sou grata, o homem vira uma fera bem diante de mim, não por sua aparência ou por suas marcas no rosto, mas ele vira uma fera por suas atitudes.
Adam pega o pequeno e frágil abajur, aquele que eu amei por me permitir ler um pouco durante a noite antes de dormir, então ele o lança contra a parede e a lâmpada de dentro vira farinha!
Me assusto com seu gesto violento e me recolho ainda mais na cama, até que toco a parece.
- Leonor e Hélio são dois funcionários infernais! Eles não fizeram nada, porque nada eles tem aqui, tudo que tem aqui é meu!
Ele segura a cadeira, que mais parece de brinquedo em sua mão enorme e a quebra, com apenas uma arremetida no chão.
- Essa cadeira é minha, essa mesa, esse ventilador!
Ele faz isso com cada objeto que Leonor e Hélio trouxeram ontem, ele os lança contra o chão e os quebra um a um, como se fossem coisas de brinquedos, coisas de casinha de boneca, nessas suas atitudes grosseiras, o livro de romeu e julieta acaba caindo longe, meus olhos fixam nele, volto a olhar para Adam que me olha com olhar de fúria, fico com medo de olhar para o livro novamente e ele perceber que meu único interesse é o livro, ele pode quebrar tudo aqui dentro, mas me deixando o livro, eu não ligo.
- Tudo que está abaixo dessa fortaleza me pertence Isabela.
Ele diz se referindo a sua casa.
- Inclusive você!
Ao falar isso Adam se aproxima e agarra em um dos meus pulsos, me levantando num gesto grosseiro.
- Você me pertence Isabela.
Mal consigo respirar, é como se esse homem imenso roubasse todo o ar desse pequeno espaço, consigo ouvir as batidas do meu coração, olho sua mão em volta do meu pulso como correntes, eu nunca conseguira me livrar dele se o quisesse, o cheiro de Adam vem até mim sem pedir licença e entra no meu interior, me atiçando, me fazendo agitada.
- Me solte seu monstro!
Minhas palavras parecem afeta-lo de alguma forma, pois seus olhos verdes ganham um brilho misterioso, um lago verde e fundo! Nossos corpos estão a milímetros de se tocarem, eu nunca estive tão perto assim de um homem.
- Adam!
Chamo seu nome e ele fecha os olhos, quando abre, o brilho dos seus olhos continuam ali, intensos, mas foscos, como um alerta de perigo, um olhar que brilha e ao mesmo tempo te cega, uma escuridão querendo te puxar, um lodo que te mostra coisas sinistras vindo dele.
- Tenha isso em mente Isabela, você agora me pertence!
Ele fala minha sentença de uma forma, que sinto-me sentenciada a uma prisão perpetua, condenada a pagar uma pena eterna, um bolo se forma em minha garganta e meus olhos lacrimejam ardendo.
- Eu sou livre, nunca serei sua, não sou um objeto, sou uma pessoa com vontades e sentimentos!
Falo m*l contendo a pressão na caixa tórax do meu peito.
- Isso é o que veremos!
Ele diz me largando, cambaleio e caio na cama, Adam anda até a saída me trancando em sua cela! Eu sou uma mulher livre, ele não pode achar que sou dele! As lágrimas vem sem controle lavando meu rosto, como eu pude pensar que esse homem pode ter alguma atitude gentil? Adam era feito de fúria e ódio.