Kyra
Ainda não é tão tarde. Passava das 19:37h quando cheguei. Notei que havia uma organização mais que o cotidiano. Pensei — ele deveria estar esperando por alguém — e não quis atrapalhar. Iria subi sem fazer barulho, mas ele me viu antes. Ele estava bonito... vestido sem toda aquela formalidade e com uma aparência de quem está bem.
Enquanto tudo em mim parecia estar atrasado. É uma sensação de que precisamos fazer as coisas tudo em um só dia, mas eu não posso fazer isso, e esse não poder está acabando comigo. Eu sempre que puder, tenho que ignorá-lo.
Agora que Marcos já sabe onde estou, não vai ser difícil arruinar minha vida novamente — e agora ficou bem mais fácil, devido a i********e com Liam — o que me deixou ainda mais aflita e sem saber o que fazer.
Desarrumei minha mochila e algumas sacolas que havia trazido. Eram livros e algumas lembranças que eu tinha com a minha única amiga, que infelizmente se foi. Eram coisas que eh pretendia levar comigo, pois era o que eu precisava para seguir em frente. Após terminar de arrumar tudo, me deu fome então eu pensei... eu poderia pedir alguma coisa, já que ele estaria ocupado demais lá embaixo.
Liam
Ela não desceu. Julie seguia dormindo e eu... estava percebendo que nem tudo é do jeito que queremos. Comprei rosas para ela, o vinho que ela gosta. E um pedido de desculpas em forma de um colar de diamantes.
Usei as rosas para fazer um tapete, do seu quarto até a varanda. Tinha pétalas o suficiente para isso. Eu não poderia mais esperar que ela viesse até mim, porque ela não viria e eu sei bem disso. Entendo seus motivos, também faria igual. Mas eu me arrependo. Estou arrependido. E quero me redimir por tudo que eu a fiz.
Olhei as horas e já se passavam das onze e ela ainda não havia saído do quarto para nada. Nem mesmo para tomar água. Será que ela havia dormido? Não. Quem dorme não faz pedido. Vi o entregador se aproxima antes que tocasse o interfone, então abri a porta antes.
— Boa noite. Entrega para Kyra Lystem. — Ele me entregou uma sacola e eu efetuei o pagamento.
Olhei dentro da sacola, por curiosidade mesmo. Não havia nada mais que uma regrigente e alguns chocolates, com um salgado amassado embrulhado em um pedaço de papel alumínio. Muito m*l embrulhado.
Tinha ali o motivo para bater em seu quarto e entregar o que ela dela. Então o fiz... parei diante a porta do quarto dela. Ainda sóbrio, não quero decepcionar a mim mesmo mais uma vez.
Bati, uma, duas, três vezes e quando iria bater novamente, ela abriu. Meus olhos foram diretamente para seus s***s e sua cintura, que estavam chamando atenção em seu pijama de seda.
— Chegou um pedido para você. Estava na sala e não vi problema em trazer. — Estendi a mão que segurava a sacola e ela ergue a sobrancelha, como se não acreditasse naquilo.
— Obeigada. Depois você me passa o número da sua conta.
— Só se você aceitar meu pedido de desculpas por ser tão rude com você. — Fui direto, estava nervoso para ficar conversando coisas sem sentidos. — Eu quis fazer isso assim que você chegou, mas me faltou coragem.
Ela olhou para o chão e viu as pétalas espalhadas. Rapidamente seu olhar encontrou o meu e ali eu vi que ela não era o tipo de pessoa que desprezava alguma coisa.
— Eu já aceitei seu pedido de desculpas. Não precisa se esforçar. Está tudo bem. Também estou cumprindo minha palavra quando disse que não me meteria na vida do senhor.
— Kyra... eu só quero que aceite um jantar. Vamos conversar sobre coisas que nos interessa. Eu prometo que não vou ser mais o i****a que... por faço — estendi a mão para ela, que me olhava sem emoção alguma em seus olhos. — Vem comigo.
— Tem certeza? Porque se me mandar embora novamente, eu vou e, não precisa esperar que eu volte. Porque você nunca mais me verá na sua vida, agradeça por isso.
— Eu jamais iria agradecer por isso. — Por que aquilo me incomodava? Eu não consigo pensar nessa mulher longe de mim. — E eu prometo que você não vai se arrepender.
Kyra
Aceitei. Segurei sua mão e aceitei seu convite. A luz refletida das velas, dava uma iluminação rústica e romântica. Minhas pantufas tocavam as pétalas, e parecia que eu estava pisando nas nuvens.
Não demorou para chegarmos a varando, onde tinha uma mesa improvisada. Dois puffs gigantes, com visão direta para as estrelas, que estavam perfeitas. A mesa enfeitada com vinho, rosas e algumas coisas há mais, do seu capricho.
Mas a verdade por trás de tudo isso, é também a minha única certeza em relação a desejo. Eu quero ele, quero mais do que gostaria de admitir. Mas nunca daríamos certo. Mas desejar não é pecado, experimentar também não. E não custa nada que eu seja um pouco feliz antes de partir.
— Então, o que quer conversar comigo? Sabia que eu gosto de falar? — Disse, quebrando o silêncio.
— E sabia que eu gosto de você? — Seu riso em seguida me fez estremecer.
Meu peito disparou. Eu quase não consegui conter o que estava me atormentando naquele momento. Apenas respirei fundo.
— Liam... eu também gostei de tudo aqui, mas você sabe que isso é estranho.
— O que é estranho? Duas pessoas se beijando porque se gostam? — Ele riu, incrédulo, mas não poderia pensar em outra coisa. — O que não te deixa atraída por mim?
— Nada. Tudo em você me atraí. Mas sou apenas babá da sua filha, nada mais que isso. Eu não sei o que pensou de mim, mas saiba que eu não sou uma de suas opções, senhor Blackthorne.
— Eu não estou em busca de opções, Kyra. Eu sei o que eu quero, e eu quero você. Por isso estou aqui. Você é interessante o bastante para mim, Kyra. Mas não pense que estou brincando com você, jamais faria isso.