A manhã nasceu cinzenta, com nuvens carregadas que ameaçavam chuva a qualquer instante. Helena acordou antes do despertador, como se o corpo estivesse condicionado a não permitir descanso pleno. Olhou o relógio de cabeceira e suspirou. Ainda era cedo, mas já não havia retorno para o sono. Levantou-se devagar, colocou um robe leve sobre a camisola e caminhou até a janela. A vista dali mostrava o jardim ainda úmido do orvalho da madrugada. Um vento frio passou pela fresta da cortina, arrepiando-lhe a pele. Por um instante, sentiu-se deslocada dentro da própria vida, como se não soubesse onde estava nem para onde iria. Lembranças da noite anterior surgiram como lampejos: o riso inesperado, a sensação de leveza, o calor estranho que percorrera o peito quando ouviu Estevão se permitir quebrar

