O sábado deveria ser calmo. Era isso que eu repetia pra mim mesma. Estou encolhida no sofá, joelhos junto ao peito, o filme passando baixo demais pra realmente distrair. Edgar está na cozinha, e o simples fato de ouvi-lo ali — vivo, perto — é o que me mantém ancorada. Mesmo assim, meu corpo não relaxa. Desde o sequestro, meu corpo desaprendeu a confiar. Desde Diego. Desde Christina. Meu celular vibra. O som atravessa meu peito como um choque. Congelo. Não atendo. Não olho. Meu coração dispara tão forte que chega a doer. Respiração curta. Mãos geladas. Vibra de novo. Com cuidado, como se qualquer movimento pudesse me denunciar, pego o celular. Número desconhecido. Minha visão embaça antes mesmo de abrir a mensagem. Você fica bonita quando acha que está segura. O ar some dos

