POV AMY Acordo devagar, como se o corpo estivesse testando o mundo antes de aceitar que ainda estou aqui. A luz da manhã entra tímida pela fresta da cortina, dourando o quarto num silêncio calmo. Por um segundo, o medo tenta voltar. O reflexo automático. O coração dá um salto curto. Então sinto. O braço ao redor da minha cintura. O calor. A respiração tranquila. Edgar. Ele dorme de lado, de frente pra mim, a testa levemente franzida como se até dormindo estivesse preocupado comigo. O polegar dele faz um movimento inconsciente nas minhas costas, um carinho lento, repetido, quase protetor. Respiro fundo. Não estou naquele lugar. Não estou sozinha. Levo a mão até o rosto dele com cuidado, como se pudesse acordá-lo só de pensar alto demais. Desenho o contorno da barba rala, o maxil

