O carro corta a pista como se estivesse fugindo de algo invisível. O velocímetro sobe rápido demais. As luzes passam borradas. Meu estômago se revira. — Você vai nos matar — digo, finalmente. Minha voz sai firme, e isso a irrita. Christina ri. Um riso alto demais, quebrado. — Agora você se importa com a própria vida? — ela responde, sem tirar os olhos da estrada. — Engraçado. Antes você só sabia existir no colo dos outros. — Para o carro — falo. — Não é isso que você quer. Não é assim que você ganha. Ela aperta mais o acelerador. — Eu já perdi tudo — grita. — Não tem mais nada pra segurar! Respiro fundo. Meu coração bate tão forte que chega a doer, mas eu não posso gritar. Ela se alimenta disso. — Você não perdeu tudo por minha causa — digo devagar. — Você perdeu porque escolheu

