O escritório nunca dormia de verdade. Mesmo depois das seis, as luzes permaneciam acesas no andar vinte e dois do Harrington & Cole — Advogados Associados. O som constante dos teclados, o vai-e-vem apressado entre salas de vidro e o cheiro de café requentado criavam uma espécie de anestesia coletiva. Eu fazia parte dela. Precisava fazer. Como associada júnior, meu nome ainda vinha em letras pequenas nos processos, mas minhas horas eram extensas demais para ignorar. Revisava contratos, organizava petições, respondia e-mails que nunca paravam de chegar. Ainda assim, por mais concentrada que estivesse, a imagem insistia em atravessar tudo. Metal retorcido. Vidro estilhaçando. O som seco do impacto. Christina. Fechei os olhos por um instante, apoiando os dedos na borda da mesa. O aciden

