Capítulo 16

1045 Palavras
(entre o capítulo 15 e 16 existe um bônus exclusivo, entre em contato com @everestf0 para saber mais) * Eu estava com o coração tão aquecido no caminho de volta para casa, ainda que tenha tentado ignorar os pensamentos ruins que estava tendo desde que tudo parece ter começado a ruir. Desde que, aparentemente, Victor decidiu me declarar como sua fiel. Era e******o. e******o. Nosso relacionamento deveria ser carnal, um tipo de contrato como aqueles que vemos no w*****d, mas Victor estava transformando isso em algo mais sério. Suspiro. — Foi tudo bem? — Amanda pergunta, em algum momento, enquanto pegávamos a linha vermelha. — Hunrum. — Dou de ombros. — Só estou cansada. — Vocês brigaram? — Não, não. — Rio. — Ele foi ótimo. Está feliz. — Então porque você parece tristinha? — Ela pergunta. Não queria dizer pra ela que as coisas estavam saindo do meu controle, inclusive meu coração. Não queria que ela soubesse que me envolver com o irmão dela — ainda que a família dela apoiasse e acreditasse que eu podia ser a rendenção dele — não estava nos meus planos e que eu não queria me transformar na mulher de um traficante. Me sentia hipócrita, porque sempre me perguntei o que minha meia irmã via naqueles caras com arma na cintura. Julgava em silêncio, mas cá estava eu, julgando e depois fazendo igual. — Eu tô com umas notas baixas na faculdade e preciso recuperar. — Murmuro. — É a última avaliação antes do fim do semestre e não posso me ferrar. Ela acena com a cabeça. — Hunrurm. Sinto muito. — Dá de ombros. — Mas tu é meio gênia, vai dar um jeito. — Eu? Gênia? — É, cara, não é qualquer um que consegue uma vaga em uma federal. — Guga se mete na conversa. — Pelo menos, eu acho! Eu rio, sem graça. — É bem mais fácil entrar do que sair. — Resmungo. Ele ri. — Tu vai conseguir, pô. — Ele acena. — Tu é espertona. — Obrigada. — Aceno. Pelo menos alguém tinha confiança em mim. O resto do caminho foi menos tenso. Amanda e Guga conversavam sobre algum evento na quadra da comunidade que eu m*l prestava atenção, já que eu não ia mesmo. Minha mente já estava na planilha de estudos que eu precisava montar para, de fato, não me ferrar nas matérias. E, bem, para que minha desculpa tivesse um mínimo de verdade. Chegamos na Rocinha quando já tinha escurecido. A favela parecia bem mais movimentada nesse horário, o que sempre me surpreendia. Enquanto eu estava cansada, jogada na minha cama, as pessoas iam para o portão para conversar e tirar um tempinho para aliviar o estresse. Amanda me deu um abraço rápido antes de seguir para a casa dela, que ficava a poucos becos da minha. Guga apenas acenou com a cabeça, já entrando na lojinha de conveniência que ficava do lado da minha casa para pegar alguma coisa. Eu abri meu portão e entrei, trancando-o. O silêncio da casa me engoliu assim que fechei a porta. Me joguei no sofá, suspirando pesadamente. Peguei a carteira do bolsinho de fora da mochila. Guga tinha me entregue algum dinheiro por ordens de Victor. Segurei o bolinho de notas — mais dinheiro do que eu teria em muito tempo — entre meus dedos e encarei-o por alguns segundos. Segurei uma única nota de cem entre os dedos. Grossa, limpa e com cheiro de papel novo, como se ele tivesse acabado de sacar em um caixa eletrônico. Era isso. Um acordo e esse dinheiro pagava minha comida, minhas roupas, meus luxos e que me mantinha na faculdade. O dinheiro que estava me impedindo de me f***r e ter que largar tudo. Queria fingir que aquilo não era exatamente o que era. Eu estava tentando me convencer que não estava apaixonada. Que estava muito grata e que isso me deixava confusa. E eu estava tão grata por ele estar ali, que ele não tinha noção. Simplesmente por Victor estar garantindo que eu não precise me preocupar com nada além de passar nas provas e assistir as minhas aulas. Ele estava fazendo mais do que o nosso combinado. E agora que ele aparentemnete me vê como mulher dele, eu sentia que alguma coisa estava mudando ainda mais entre nossa dinâmica. Ele mandava em tudo aqui. Na Rocinha, a palavra dele era lei, e uma declaração pública como essa era como tatuar na minha testa: "Propriedade de VH." E eu sabia que essa "tatuagem" vinha com exigências. Tipo, exclusividade, uma vida menos liberal e fidelidade absoluta. Fidelidade essa que eu nem conseguia saber se ele ia retribuir. Minha meia-irmã tinha se envolvido com um cara do tráfico antes de ir embora. Eu via as consequências das escolhas dela e sentia que ela estava perdendo a vida toda naquilo, mesmo que ela parecesse gostar. Ela abandonou tudo, ainda que não tivesse muito e parecia ter sempre medo. O medo constante de uma operação, de uma morte precoce, de tudo. Eu tinha entrado nisso para ter opções depois da faculdade, para ter uma vida diferente. Eu tinha aceitado o acordo para sair da Rocinha com um diploma de Enfermagem. Mas se eu me tornasse a fiel de Victor, a única opção que eu teria era ficar. Victor me queria, eu sabia. E ele não parecia ter pressa. Ele estava me cercando, me presenteando com gentileza e proteção. Ele estava jogando um jogo em que ele era o único que podia mudar as regras, e ele estava fazendo isso devagar, me fazendo gostar da cela dourada que ele estava construindo ao meu redor. Levantei-me e fui até o banheiro. Olhei para o meu reflexo. Eu estava acabada, moída. Tomei um banho rápido, vesti-me com um pijama confortável e comi alguma coisinha rápida. Uma lasanha de micro-ondas. Depois, peguei meu celular do carregador, conferi as portas e as janelas e entrei no meu quarto. Meu livro, o tablet e o meu caderno ainda estavam ali, mas os ignorei. Podia estudar depois, mas agora estava cansada demais. Deitei na cama e apaguei, exausta. ❝❞ Oiii! Obrigada por estarem acompanhando! Não esquece de votar na estrelinha aí embaixo e deixar um comentário <3 Me sigam no i********:: @everestf01
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR