3 Meses Depois...
Finalmente, fim de semestre e com isso, o caos que é a vida de todo estudante. Com isso, também parei de ter aqueles pensamentos intrusivos que não me deixam em paz, que não me deixam pensar direito, que pareciam me perseguir e me perturbar sempre.
Pego a minha mochila e entrego a prova nas mãos do meu professor, empurrando a porta que range um poucj e suspiro aliviada ao, finalmente, sair da porcaria do meu maior martírio.
Me sento nos banquinhos do subsolo e apoio minha cabeça na parede, soltando um suspiro alto e audível, enquanto apoio a mão na minha barriga. Só quero chegar em casa e dormir até que não dê mais tempo.
— Que foi, garota? — Duda pergunta, se jogando no banco ao meu lado.
— Tô acabada. — Resmungo. — Não aguento mais essa porcaria, só quero que acabe logo.
Ela me encara, sorrindo.
— Vamos sextar? — Ela pergunta, me encarando sugestiva. — Já falei com a Gaby, a gente pode pegar um barzinho em copa, ou podemos dar um tchibum na Urca.
Eu suspiro, fazendo uma careta.
— Eu nem bebo, cara. Vou fazer o que em bar? — Pergunto, franzindo meu cenho.
— Parar de ser velha e viver sua juventude. Tu tem andando estranha nos últimos meses, mais fechada que antes. — Ela resmunga. — Está tudo bem, amiga? Você tá precisando de alguma coisa? Sei que você não tem recebido o auxílio.
— Está tudo ótimo. Não precisa se preocupar, não estou precisando de nada. Só meio cansada. — Murmuro.
Ela acena com a cabeça.
— Vamos aproveitar que o estágio acabou, amor. — Ela apoia a cabeça no meu ombro. — Agora temos duas manhas livres para dormir mais, vamos acabar com essa cara de morta que estamos arrastando pelos corredores do ccs.
Eu rio, acenando.
— Eu vou pensar.
— Se você não for, eu vou pra sua casa. — Resmunga.
— Você não é nem doida.
— Qual o problema da sua casa, em? Você tem vergonha? — ela franze o cenho.
— Eu não, eu só não acho que seja ambiente que você está acostumada. Fora que é perigoso de subir sozinha. — Eu dou de ombros. — Não faz isso nunca.
Duda revira os olhos, mas o sorriso diminui, dando lugar a uma expressão de preocupação.
— Sei que a rocinha é... agitada. Mas eu pegaria um mototáxi, sei lá. Qual é, é só uma escadinha.
— Não é uma escadinha, Duda. E não é sobre ser agitada. É sobre ser inseguro para quem não é de lá. É sério. — Insisto, minha voz assumindo um tom mais firme do que eu pretendia. Eu evito o olhar dela, mexendo na alça da minha mochila. Não é que eu tivesse vergonha da minha casa, mas a presença de Duda lá atrairia mais olhares do que o normal. Olhares que eu não precisava, principalmente que meu nome tinha virado tópico na favela agora que eu nem tentava mais esconder minha relação com o Victor.
Ainda mais agora que o meu nome estava estava rodando todo tipo de perfil de fofoca do twitter. Eu não conhecia esses perfis o suficiente até receber um print com alguém que, claramente, não me conhece falando que "eu me troco por pouca coisa" e que era "postura e agora me presto ao papel de abrir as pernas em cadeia". É sério! Fiquei para morrer.
Eu sabia que não adiantava nada ir reclamar com o Victor, já que essa página está rodando a anos, mas c*****o, cadê minha privacidade? p***a!
Duda não insiste, apenas pega o celular e começa a rodar o twitter. Fecho meus olhos novamente por algum tempo, enquanto tento relaxar no banco, apenas esperando a Júlia sair da sala.
De repente, Julia pequena ao meu lado. Abro meus olhos e a encaro, confusa.
— Amiga... que loucura é essa? Fofoca de Twitter sobre você? Tipo, é você mesmo? — Duda pergunta, os olhos arregalados de incredulidade. — E quem é Victor? Eu perdi um capítulo enorme da sua vida?
Eu engulo em seco. Como eu poderia explicar quem era Vh, o dono da minha maior dor de cabeça e da minha nova fama indesejada.
— Não é ninguém. É só um... cara. E essas páginas são ridículas, nem dou moral. Você sabe como é. Pessoal adora inventar. — Minto descaradamente, já sentindo o rubor nas minhas bochechas.
Duda, sendo Duda, não parece totalmente convencida, mas não insiste. Ela pega minha mão, apertando-a com carinho.
— Tudo bem, entendi. Você está me assustando, Amandinha. Mas se é tão r**m assim, por que não vem pra minha? A Juju mora aqui perto, podemos pedir comida e assistir filme de terror, como nos velhos tempos — Duda propõe, apoiando a cabeça de lado para me olhar.
A ideia era tentadora, mas eu precisava voltar para casa. Tinha que me preparar para voltar para a rotina. Eu tinha conseguido escapar da cobrança de "visitas" no meio da rotina caótica de provas, mas agora tinha que voltar para as minhas obrigações.
Mesmo que uma partezinha dentro de mim estivesse com saudades dele.
— Eu ligo para vocês mais tarde, prometo. Deixa só eu descansar um pouco primeiro. E juro que te conto se algo estiver me incomodando, ok? — Minto, já me levantando.
Duda se levanta também, me dando um abraço rápido, mas apertado.
— Vou cobrar. Não some, bruxa.
Aceno, forçando um sorriso que m*l alcançava meus olhos. Enquanto subia as escadas para a saída do subsolo, sinto o peso da mochila, do cansaço e, principalmente, do medo. O sol forte lá fora, do lado de fora do CCS, cega meus olhos por um segundo.
Acenei para um ônibus, ignorando a vontade de ir para a biblioteca e fingir que eu não morava onde morava. Sentada na janela, observando o asfalto mudar e dar lugar ao familiar e caótico trânsito da Zona Sul, meu celular vibra no bolso.
Pego o aparelho com as mãos suando e olho para a notificação. Era uma mensagem de Victor.
Victor: Como foi na prova? Espero que bem. Estou com saudades. Até amanhã, linda. :)
Eu li e reli a mensagem, sentindo um arrepio gélido percorrer minha espinha, apesar do calor do ônibus lotado.
Dei um sorrisinho i****a pra mensagem e revirei os olhos. Eu não acredito que estou tão confusa sobre meus sentimentos desse jeito, quando eu deveria ser clara.
Bloqueei o celular e o joguei na mochila. A palavra "saudades" me acertou em cheio, como sempre. Eu odiava o poder que ele tinha sobre mim, a maneira como ele me marcava, mas a ideia de vê-lo, mesmo que fosse no ambiente frio da penitenciária... uma parte i****a de mim sentia falta. Sentia falta de tudo que só ele me dava.
O ônibus parou na São Conrado. Desci no ponto e comecei a subir o morro em passos lentos.
Que merda de mensagem infernal da p***a, agora eu não conseguia tirar ele da minha cabeça.
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