VH
Babaca. Moleque. Escroto do c*****o.
Eu já ouvi mais insultos do que posso contar nos dedos. Minhas mulheres de uma noite — ou aquelas fixas, com as quais gosto de tirar o atraso de vez em quando — são criativas na hora de me xingar.
É f**a ser tão gostoso. Todas elas fantasiam com os bebês lindos que posso produzir assim que terminamos de t*****r. O azar delas é que sou precavido e não muito adepto ao ato de jogar dentro. A chance de eu ter um filho perdido no mundo é quase nula — a não ser que algum dia tenha estourado e alguma tenha decidido que criar meu filho longe de mim seria uma boa ideia.
Até agora.
Até ela.
Até esse exato momento.
Amanda ressona baixinho na cama, enrolada no lençol fino, dormindo como a p***a de um anjo. Apagou cerca de meia hora depois do sexo e eu queria muito dizer que foi só uma f**a gostosa, mas nem eu e nem meu subconsciente aceitam isso porque fodidamente, essa merda não é só sexo.
E Jesus, eu ainda me lembro da primeira vez que eu a vi. E sei exatamente o que me deixou completamente obcecado.
Não foi a boca carnuda, nem o jeito manhoso de rir sem perceber. Não foi o corpo, apesar de que, p***a, que corpo.
Foi o olhar.
Aquela p***a de olhar desconfiado, como se ela não acreditasse em nada e nem em ninguém. Como se estivesse pronta pra fugir a qualquer segundo, mas, ao mesmo tempo, tivesse implorando pra que alguém a segurasse firme.
Eu quis ela na hora, mas é óbvio que ela nunca nem olhou por lado nesse c*****o de favela. Andava sempre de cabeça baixa. Chegava muito cedo e saia muito tarde. Não ia nos bailes e conforme os anos foram passando — e conforme a vida foi acontecendo —, eu subi até chegar onde estou e ela... continuou a mesma.
Até que, em uma ligação com Guga, a mina que ele ficava apareceu, meio chateada e, sem saber que eu tava do outro lado, falou sobre a Amanda e sobre como tava f**a pra ela. E foi ai que eu vi a minha oportunidade de conseguir aquilo que eu queria.
Dou uma garfada um pouco raivosa no prato que montei, ainda que não conseguisse tirar os olhos dela. Do corpo. Do delineado da sua b***a no lençol. Mas minha raiva maior é saber que não... o sexo gostoso e gozar fundo na sua b****a apertada não adiantou. Fiquei ainda mais obcecado..
Merda nenhuma mudou.
Achei que, depois de meter até perder a noção do tempo, o fogo ia passar. Que eu ia conseguir tratá-la como todas as outra.
Só que não.
Quando eu ainda era um vapor, quando eu via ela descendo aquele morro, eu me perguntava se ela um dia olharia para mim. Se eu conseguiria uma mulher daquelas. Mas a resposta era que não...
Eu nunca conseguiria Amanda porque ela queria mais do que um traficante. Ela merecia mais. Minha mãe merecia mais. Minha irmã também... Mas eu fodi a minha vida e fodi a vida de todas elas, mesmo que a minha mãe jure de pés juntos que ela ter largado o merda do meu pai e vindo junto comigo não foi uma escolha difícil.
Ela odeia a vida que vivo. Ela odeia que eu faça o que faço e acho que foi o maior desgosto que eu poderia ter dado em sua vida, mas fiz tudo isso para salvá-las das mãos do meu pai, um policial abusivo que adorava meter a porrada nela sempre que alguma coisa dava errado.
Eu sei que tudo isso parece uma desculpa esfarrapada e sendo sincero, talvez seja mesmo. Mas essa é a verdade torta que me move. f**a-se a moral, f**a-se o que o meu pai ou qualquer um pensam: eu peguei o que tinha de fazer pra tirar minha mãe e minha irmã do buraco do meu pai. Não foi bonito, não foi limpo, mas foi real. E agora eu tô aqui, pagando, enquanto elas tentam montar alguma vida sem medo das porradas.
O problema é que, quanto mais eu justifico, mais eu vejo o quanto eu queimei pontes. Amanda não devia ter nada a ver comigo ou com a minha vida maluca. Ela merecia outra história, talvez um cara com nome limpo, com emprego direito, com menos sangue nas mãos. E eu sou justamente o oposto disso.
Fico olhando pra ela e penso em tudo isso como se fossem tijolos na minha garganta. Cada respiração dela é um soco que me lembra do preço que paguei, e me dá vontade de vomitar e de rir ao mesmo tempo. Porque eu quero que ela fique. Quero segurá-la e dizer que eu mudo, que tudo vai ser diferente, que quando eu sair a vida dela vai ser outra, mas eu sei que isso é mentira bonita que não tenho coragem de falar.
A cadeia tem esse efeito: te desacostuma de esperança e te acostuma com promessas quebradas. Ainda assim, tem algo em Amanda que me faz insistir em mentir pra mim mesmo. Talvez seja orgulho, talvez seja medo de admitir que eu não sei viver sem alguém que me olhe daquele jeito. Talvez eu só queira mais um pedaço de normalidade que eu perdi há muito tempo.
Coloco o prato de lado quando estou satisfeito e entro no banheiro para escovar meus dentes. Depois, me encaro no espelho minúsculo e suspiro pesadamente. Eu sei que devo, mas não quero e não vou ficar longe dela.
Me aproximo da cama, apoiando meu joelho no colchão antes de dar impulso para subir. Meus lábios e minha língua encontram seu pescoço e ela remexe sobre o lençol, um gemido preguiçoso deixando seus lábios.
O som baixo que ela solta me arrepia inteiro. É quase um aviso de que, mesmo dormindo, Amanda responde a mim. Minha boca percorre devagar a curva do pescoço até chegar perto da orelha, onde deixo minha respiração quente só pra ver o corpo dela estremecer.
— Acorda, amor — murmuro, mordendo de leve a pele macia. — Não terminei com você ainda.
Ela vira o rosto, os olhos pesados de sono tentando se abrir. A visão dela assim, vulnerável, me deixa insano. Puxo o lençol pra baixo e revelo mais da pele marcada que deixei nela. As manchas roxas, as linhas vermelhas... provas de que ela é minha.
Minha mão desliza pela cintura até prender firme na coxa. Amanda solta um resmungo baixinho, entre irritada e rendida.
— Você não cansa, não? — ela sussurra, a voz rouca.
Sorrio contra a pele dela, porque a resposta já tá no jeito que ela arqueia o corpo, se oferecendo sem perceber.
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