Capítulo 11 - 2

967 Palavras
Algumas mensagens do grupo da faculdade sobre a minha nova clínica de estágio e alguns trabalhos que estão chegando em breve. Algumas mensagens de uma amiga que foi morar em outro estado e por últimos, aquelas que tenho lutado para ignorar. VH: Você não deveria estar sozinha a essa hora. Eu: Como você sabe onde eu estou? VH: Eu sei de tudo. O que está fazendo? Eu: Comprando alguma coisa para comer. Seus informantes não te contam dos meus exatos passos? VH: Queria ouvir da sua boca. Eu rio, sozinha. Reviro meus olhos e suspiro, meus dedos pairando sobre a tela. Eu: Isso é ser um stalker, sabia? VH: Stalker apaixonado. Faz diferença. Meu estômago embrulha. Mordisco a pontinha dos meus lábios. Eu: Você deveria estar dormindo. VH: É difícil conseguir dormir nesse lugar. Mas quero saber como você está. Depois de hoje, não machuquei você, né? A tela brilha de novo antes que eu consiga guardar o celular. Meu peito aperta. Me inclino para frente, apoiando os cotovelos na mesa, como se isso fosse aliviar a sensação sufocante que toma conta de mim. O atendente chama meu nome, mas demoro um segundo a mais do que deveria para me levantar. Eu: Não, você não me machucou. Minhas mãos tremem um pouco quando digito, e isso me irrita. Apago. Escrevo de novo. Apago de novo. Acabo deixando para lá. VH: Bom. Porque eu nunca me perdoaria. Eu: Vou pegar minha comida. Falo com você depois. Coloco meu celular no bolso de trás do short, vou até o caixa e pego as sacolas com a coca-cola e o hamburguer e batata dentro. Quando estou prestes a sair, um leve murmúrio chega aos meus ouvidos: — p*****a. — Ela murmura. Ignoro, realmente tentando pensar que essa merda não foi comigo. Que eu estou fantasiando coisas que não estão acontencendo, mas... — Eu tô' falando com você mesmo, Amanda. — Ela grunhe, atrás de mim. — Quem você pensa que é para ir visitar o meu marido na cadeia? Eu travo, estática. Depois, giro em meus próprios calcanhares e franzo meu cenho. — Oi? — Pergunto, confusa. — Além de uma p**a também é surda? Suas palavras me pegam de surpresa, porque não imagino que essa merda está acontecendo mesmo. Meu coração dispara, batendo no mesmo ritmo apressado dos meus passos que agora pararam. A lanchonete parece encolher, o barulho das conversas ao fundo virando um zumbido insuportável. — Seu marido? — Minha voz sai mais alta do que eu queria. — Eu não faço ideia do que você tá falando. Ela ri. Um riso seco, cheio de veneno. — Não se faz de sonsa. Você acha que ninguém vê? Acha que eu não sei que você é a visita íntima dele? Sinto o chão abrir debaixo de mim. O ar some. — Eu... — Gaguejo, sem saber se n**o ou se grito de volta. — Eu não sou... não é assim... — Cala a boca! — Ela rosna, aproximando-se um passo. — Tá pensando o quê? Que pode roubar o que é meu? Que pode se meter onde não deve? Minha garganta fecha, mas a raiva me pega de jeito. Aperto a sacola de papel até quase rasgar. — Espera, nós estamos falando do mesmo homem? — Eu pergunto, uma última vez. Ela ri de novo, mas dessa vez não tem nada de engraçado. É um riso amargo, debochado, como se a minha pergunta fosse a maior piada do mundo. — Você sabe muito bem de quem eu tô falando. — Ela cospe as palavras. — Do VH. Do meu marido. Meu estômago dá um nó tão forte que eu quase engasgo com o próprio ar. — Marido? — Repito. — Eu não me lembro de ter ouvido que ele era marido de alguém. — É claro que não falou. — Ela cruza os braços, os olhos me queimando. — Porque vagabundo é assim: adora fingir que tá livre pra comer qualquer uma. E você caiu direitinho. Eu ergo as minhas sobrancelhas, surpresa. Ela está prestes a dizer mais alguma coisa quando uma terceira voz se junta a briga generelizada. É só então que consigo ver que todos estão nos olhando: — Que eu saiba, o chefe não tem mulher. — O homem diz, entrando com um sorrisinho de canto. — Não se mete, Dvinte. — Ela resmunga. — Impossível não me meter. Tua briguinha já chegou lá na cadeia e ele tá muito puto. Eu me encolho e suspiro pesadamente. — Olha, eu não... — Patroa, a senhora pode ir embora. Guga tá esperando lá na frente, eu vou conversar com a Milena aqui. — Ele diz, me encarando. Patroa? A p***a de um traficante tá me chamando de patroa? — Eu não... — Tento começar, mas a garganta arranha. Milena estala a língua, e dessa vez o ódio dela é quase palpável. — Eu tô com VH desde muito antes de... — Isso não tá significando muita coisa não, Milena. — Ele ri, enquanto eu me viro para sair e deixá-los. — O patrão já espalhou pra todo mundo que é a nova zero um dele. Lá fora, o ar noturno corta minha pele. Guga já tá encostado no carro, fumando, e quando me vê, levanta a sobrancelha. — Vamo, eu vou te levar pra casa. Subo no carro, fechando a porta devagar, quase com medo de ouvir mais alguma coisa que vá explodir dentro de mim. Guga liga o carro sem dizer nada. E eu só consigo repetir mentalmente, em loop, aquela palavra que ainda martela minha cabeça: Patroa. Patroa dele. A nova zero um. Eu quero fugir. Credo! * Quer acompanhar de perto, comentar as postagens ou trocar ideias sobre a história?✨ Me segue no i********:: @EVERESTF0 Adoro conversar com vocês por lá! 💬💖
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR