Capítulo 5/1

1323 Palavras
Deixe um voto e um comentário no capítulo! Amanda | 1 semana depois... Tudo tinha sido resolvido durante a semana. Como? Eu não sei, mas foram. Hoje de manhã, enquanto saia da faculdade, Guga apareceu na minha porta e me entregou minha carteirinha. Fiquei encarando a foto que eu não tirei e me perguntei como eles arranjaram, mas eu não questionei muito. Enfiei ela na minha bolsa e saí para resolver minha vida que tinha se tornado um pouco mais leve e tranquila desde que ele apareceu. O dia foi uma droga, tenho que admitir. Fiquei em uma sala quente em um dia mais quente ainda e me arrependi de ter usado minha calça para ir. Cheguei em casa as sete, organizei a casa, lavei minha louça e, enfim, tive tempo para tomar um banho gelado e deitar no sofá confortavelmente para assistir mais um capítulo de The Office. Isso até a minha campainha tocar, seguida de duas batidas na porta. Arrastei-me para fora do sofá, suspirando e quando abri a porta em um solavanco, duas mulheres estavam paradas do outro lado. A mais velha me encarou de cima abaixo, enquanto a mais nova ria de alguma coisa que tinha visto no final da rua. — Amanda, né? Eu estava sendo apresentada para muita gente nova essa semana. Não sei se isso é bom. — Sim? Eu posso ajudar? — Pergunto, confusa. — Eu sou a mãe do Vitor Henrique. — Resmungou. Demorei um tempo para processar a sua fala, mas depois entendi que ela estava falando do VH. Quis rir ao perceber que ele se chamava Vitor Henrique. Quero dizer, sei lá... é engraçado, né? Acho que nunca associei ele com alguém de verdade. Uma pessoa com nome, passado e família, sabe? — Ah! — Eu aceno com a cabeça e mordo a minha bochecha. — E eu posso ajudar? — Aquele cabeça de vento não te avisou, não? — Ela bufa. — Vai me deixar plantada aqui fora, menina? — Aí, desculpa. — Murmurei, envergonhada. — Sinto muito, entrem. Dei espaço para que elas entrassem. Elas pareciam atentas a cada detalhe da minha casa e remexi-me desconfortável. — Eu... — Tento falar, mas ela solta as bolsas que parecem pesadas no chão da minha sala. — Sua madrasta não está aqui, né? — Pergunta, enojada. — Ah, não, não! Ela não mora mais aqui, nem meu pai... só... eu! — Digo, dando de ombros. Ela arregala os olhos, parecendo surpresa. — Espera, eles foram embora? e deixaram você? — Ela pisca, descrente. — Você não fazia aquela faculdade lá... UFRJ? — Faço. — Digo, encolhendo-me. — Mas minha madrasta queria que eu largasse porque a filha dela não fazia e quando eu não concordei, meu pai decidiu ir embora com ela e com a filha dela. Ela suspira, negando com a cabeça. — Eu sou a Célia, essa é a Viviane, irmã do Vitor. — Explica. — Me chama de Vivi, não suporto Viviane. — Vivi revira os olhos. — Ingrata! — Célia resmunga. — E você então tá me dizendo que aquele bosta do teu pai foi embora com a p*****a e a p**a mor? Não consigo não gargalhar e ponho a mão na frente da boca. — Sempre soube que ele não prestava... — Ela suspira, parecendo mais leve. — Avisei a sua mãe várias vezes, mas ela não quis me ouvir. Não acredito que ele não deixou sua tia te criar e foi embora mesmo assim. — Acontece, eu acho... — Sussurro. — Você conhecia a minha mãe? — Conhecia. Era um doce de mulher, éramos amigas e tudo. Mas a vida tirou ela da gente e seu pai depois que arrumou essa vagabunda, não deixou a gente se aproximar. — Diz, ressentida. — De qualquer maneira, por anos, fiquei com medo de que ela tivesse te envenenado. Pelo jeito, não. — Te falei que eu nunca via ela em baile, mãe. — Viviane revira os olhos. — Mesmo assim, nunca se sabe. — Célia volta a me encarar. — Fico aliviada que meu filho não tenha escolhido uma p*****a qualquer. Posso usar sua cozinha? Preciso preparar a comida dele pra você levar amanhã. — Comida? Amanhã? — Franzo meu cenho. — Esse moleque é um merda mesmo. Viviane, explica! Onde fica sua cozinha? — Pergunta. Aponto para a porta e ele pega as duas sacolas cheias e some da minha visão. Ficamos só eu e Viviane, que me encara com a cabeça tombada para o lado. — O Vitor não te contou que amanhã é dia da visita? — Ela pergunta, depois de um tempo. n**o. — Então você não deve ter nada preparado, né? — Não, não tenho. Ela suspira. — Aquele cabeça vazio do c*****o! Vou mandar trazer umas roupas pra você. Cê deve vestir meu tamanho, então vai servir. — Ela murmura. — Vamos escolher uma lingerie pra você, cunhada! Queria desmenti-la. Dizer que não sou nada dela e que tudo isso aqui é só um jogo de interesses, mas depois de um dia caótico como o meu, é a última coisa que quero. **** Quando percebi, Vivi estava revirando minhas gavetas como se fosse dela, murmurando comentários sobre cada peça de roupa que encontrava. — Nossa, essa calcinha aí é antiga, hein? — disse, apontando para uma cor de rosa desbotada. — Acho que meu irmão vai gostar de algo mais... moderno. Eu só conseguia engolir em seco, incapaz de reagir, enquanto ela pegava outra peça e me olhava com um sorriso travesso. Era uma peça que eu tinha ganhado de Duda assim que fiz dezoito anos e nunca tinha usado. Estava a dois anos guardada e era bem bonita. O tecido rendado, ainda estava intacto, tinha um tom roxo profundo que parecia brilhar sob a luz fraca do quarto. O sutiã era delicado, com aquelas ondas de renda que desenhavam flores pequenas, e a calcinha era mínima, ousada, feita para provocar suspiros. Só de olhar, eu sabia que aquilo nunca fora pensado para o conforto, mas para a sedução. — Agora sim, isso aqui é de respeito! — comentou, deslizando os dedos pela renda roxa. Sinto meu rosto queimar. Aquela lingerie era um segredo meu, guardado por tanto tempo, e vê-la ali, exposta nas mãos dela, me deixava tão constrangida que só conseguir rir de nervoso. — Nunca usou, né? — perguntou, arqueando uma sobrancelha com malícia. Meu silêncio respondeu por mim. Ela balançou a cabeça, rindo. — Relaxa que lá não vai usar por muito tempo e ainda vamos poder ir juntas. — Você vai comigo? — Franzo meu cenho. Ela acena com a cabeça. — Meu namorado está preso também. — Murmura. — Confia em mim, ele vai amar quando te ver com isso. Eu estava tão nervosa, pois tinha acabado de descobrir que amanhã seria o dia. Como ele tinha achado de bom tom me avisar tão em cima da hora? Eu nem tinha conseguido me preparar, principalmente depois de uma prova tão difícil. Parecia que quanto mais eu pensava nisso, mais desesperada eu ficava e a sensação tava me sufocando pra c*****o. — E sabe de uma coisa? Vou ligar pra minha amiga, ela é depiladora. — Ela começa a dizer, depois de um tempo. — Nada de gillete por aqui hoje, você vai arrancar isso aí no ódio. Eu arregalo meus olhos e abro a boca, chocada. — Não vou, não! — Você vai, sim! — Ri. — Vamos logo, Amanda! — Ela estende a mão para mim. — Minha mãe não liga, até prefere não olhar pra nossa cara. Eu rio e aceno com a cabeça, suspirando alto. Pego meu celular, envio uma mensagem para Duda rapidamente e espero que ele não me ligue, porque deixo carregando quando saímos. *** Quer acompanhar de perto, comentar as postagens ou trocar ideias sobre a história?✨ Me segue no i********:: @EVERESTF0 Adoro conversar com vocês por lá! 💬💖
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR