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Quando cheguei a cela de VH, eu só queria bater a minha cara na parede e voltar para casa. Desistir dessa loucura toda, mas não havia mais volta.
Deixei as duas bolsas sobre a mesinha de granito fincada no chão no canto do quarto e percorri meus olhos pelo cômodo. As paredes eram pintadas em um tom de azul claro, sem janelas além de umas grades pequenas coladas ao teto para ventilação. A cama era de tijolos, revestida por peças de cerâmica e um colchão impermeável desforrado em cima.
Lembrei-me das coisas que a irmã dele me mandou fazer e desfiz a bolsa com cuidado. Primeiro, meus itens de higiene, que enrolei e coloquei em um canto. Depois, o lençol com elástico para o colchão, uma manta confortável para forrar, outra para cobrir - coisa que eu duvido que precise aqui - e dois travesseiros. Parecia tanta coisa, mas ainda assim, se fazia necessário para que não ficasse tão agoniante.
O único ventilador do lugar estava na tomada, então girei o botão para que refrescasse o ambiente enquanto eu arrumava tudo.
Eu nunca pensei que seria assim que perderia a minha virgindade, penso. Mas meu coração bate com força em meu peito. c*****o.
O pensamento veio cru. É assim que eu vou perder a virgindade. Num colchão de plástico, num cubículo com cheiro de água sanitária velha, para um homem que...
A maçaneta se mexeu.
Toda o ar que eu nem sabia que estava prendendo saiu num suspiro cortado. Fiquei paralisada, os dedos ainda enterrados no tecido de um travesseiro.
A porta se abriu e ele entrou.
VH.
Ele era mais alto do que imaginei. Quero dizer, eu nunca tinha estado perto dele. Estava sempre do outro lado da rua ou a metros de distância de mim.
Não era mais uma foto, um vídeo, uma voz no telefone. Era ele, em carne e osso, preenchendo completamente o vão da porta. Ele era grande. Largo. Usava um shorts jeans escuros e uma camiseta branca que esticava nos braços. Seus olhos escuros, que eu achava tão bonitos, escanearam a cela num segundo e prenderam os meus. Aquele olhar tinha peso. Dava pra sentir.
Ele fechou a porta. O clique do trinco sendo trancado por fora soou como uma sentença.
Um sorriso fácil apareceu nos lábios dele, mas os olhos não perderam a intensidade.
— Minha irmã te doutrinou?
Minhas bochechas queimam e eu aceno com a cabeça, levemente.
Eu não consegui falar. Só balancei a cabeça, me sentindo ridícula.
Ele deu dois passos para dentro, e o quarto pareceu encolher ainda mais. Dava pra sentir o calor do corpo dele. O cheiro dele. VH cheirava a sabonete e shampoo.
— Tá com medo? — ele perguntou, a voz mais baixa agora, quase um murmurio.
Eu mentiria se dissesse que não. Então, novamente, só balancei a cabeça, meus olhos presos aos dele.
Ele parou na minha frente, tão perto que eu precisei levantar um pouco a cabeça para continuar encarando ele.
— Eu não vou te machucar, Amanda. — disse, e a seriedade na voz dele fez algo em mim se acalmar, e outra coisa se agitar. — A menos que você queira.
O ar ficou preso na minha garganta. Ele levantou uma mão e eu quase dei um pulo. Mas ele só pegou um fio do meu cabelo, passando os dedos por ele com uma delicadeza que não combinava com nada dali.
— Você é mais bonita pessoalmente. — murmurou ele, os olhos escorrendo pelo meu rosto, me deixando com a pele ardendo por onde passavam.
Meu coração parecia que ia sair pela boca. Eu estava trancada num aquário com um tubarão. E o pior? O tubarão era fascinante. E eu, mesmo com medo, não conseguia olhar para outro lugar.
— VH... — eu consegui engasgar.
— Hmm? — ele se inclinou mais perto, o sorriso voltando, brincalhão e perigoso.
— Eu... acho que vou desmaiar.
Ele riu, um som baixo e gutural que vibrou no meu próprio peito.
— Não vai não. — a mão dele deixou meu cabelo e veio até meu queixo, erguendo ele com uma pressão suave mas inegável. — Eu tô aqui. Só relaxa.
— Eu tô em pânico. — Sussurro.
Ele acenou com a cabeça, como se meu desespero fosse a coisa mais compreensível do mundo. Em vez de se afastar, se agachou levemente na minha frente, ficando na minha altura. Seus olhos não saíam dos meus.
— Não precisa ficar. — sussurrou ele, a voz um pouco mais suave.
E então, seus lábios tocaram os meus.
Não foi um beijo de paixão, nem de fome. Foi um selinho. Leve, rápido, quase calmante. Um contato que sussurrava "está tudo bem" enquanto todo o resto da situação gritava o contrário.
Ele se afastou uns centímetros, o suficiente para eu ainda sentir o calor dele.
— Sua mãe fez almoço. — eu soltei, num surto total de desespero para trazer alguma normalidade para aquilo. Como se o problema não fosse o fato de eu estar beijando um chefão do tráfico na cela de visitas íntimas.
Ele piscou, lento, um canto da boca subindo em um quase-sorriso.
— Posso comer depois. — argumentou, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Os olhos dele escorreram do meu rosto para o meu pescoço. Aquele olhar era físico. Dava pra sentir, mesmo através do tecido grosso.
— VH... — tentei de novo, mas o nome saiu mais como um suspiro preso.
— Hmm? — ele se aproximou mais, até que a testa dele quase tocava a minha. O cheiro dele era tudo o que eu conseguia sentir.
Suas mãos, que até então estavam soltas ao lado do corpo, subiram e se fecharam na minha cintura, por cima do tecido da blusa. Os dedos dele pressionaram de leve, encontrando a curva sob o volume do brim.
— Tu é toda enroladinha, igual um pacote, morena — ele murmurou, o sopro quente no meu rosto. A ponta dos dedos dele encontrou a barra da blusa e escorregou por um centímetro para dentro, tocando a pele nua da minha lombar.
Eu dei um salto, um arrepio violento percorrendo minha coluna.
— Tá gelado? — ele perguntou, e pela primeira vez pareceu genuinamente preocupado, afastando-se um centímetro para me olhar nos olhos.
— Um pouco — menti.
Não era o frio. Não! Era o toque dele.
— A gente pode deitar. Esquenta mais rápido — a sugestão dele foi dita com uma naturalidade assustadora, como se a situação toda não fosse... essa.
Os olhos, porém, não eram casuais. Eles brilhavam com uma intensidade que fazia meu estômago embrulhar de um jeito que não era totalmente r**m.
Ele não esperou minha resposta. Uma das mãos largou minha cintura e se moveu para a barra da minha blusa lisa. Os dedos dele, grandes e um pouco ásperos, encontraram a textura do algodão e deslizaram por baixo do tecido, tocando a pele nua da minha cintura. Ele puxou a blusa para cima, devagar, e o som do tecido se arrastando contra minha pele pareceu obscenamente alto no quarto silencioso.
A blusa subiu, revelando apenas o sutiã por baixo, e eu senti o ar frio do ambiente contra a pele exposta da minha barriga.
— Melhor? — ele perguntou, a voz um ronco baixo enquanto a ponta dos dedos dele roçava a pele nua da minha cintura, agora exposta.
Eu não consegui responder. Só balancei a cabeça, meus próprios dedos entrelaçados num nó de ansiedade na frente do corpo.
Ele entendeu o silêncio. Seu rosto se aproximou de novo, mas desta vez seus lábios não foram para os meus. Eles pressionaram a minha têmpora, num beijo surpreendentemente gentil.
— Vamos devagar, então — sussurrou ele, enquanto a mão na minha cintura me puxava suavemente em direção à cama de cerâmica. — Só vamos deitar. Conversar. Soube do que aconteceu lá fora.
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