Chapter XXIII

1922 Palavras
Episode: Rude - Oi, voltou tarde hoje. - Liam comentou ao que Louis chegou no apartamento deles, puxando o casaco para mais perto do seu corpo. Seus pelos estavam arrepiados devido a ventania que pegara no caminho. Desvantagens de não ser rico e ter um carro próprio. - Eu só.. Estava no hospital. - Louis respondeu simples enquanto fechava a porta e trancava. Rapidamente descalçou seus Vans desgastados e colocou-os de lado. Passou a esfregar as palmas das mãos umas nas outras a fim de aquece-las. Ele se sentia demasiadamente frio. Externa e internamente. Andou até a cozinha e começou a preparar um chá. - Quer chá também, Liam? - perguntou casualmente. - Ahm, sim... Obrigado? - escutou seu amigo responde-lo da sala. Alguns minutos depois Louis notou que Payne fôra até a cozinha também e se escorara na bancada.  Liam o olhava atentamente ao que Tomlinson distribuía o líquido quente entre as canecas. - O que foi? - o menor perguntou. - Eu que digo. O que está acontecendo, Lou? - Como assim? - Você está tão quieto. Parece abatido. As coisas não saíram como planejara hoje? Ele rejeitou sua presença? - Não. Não é isso.- Louis disse e entregou uma das canecas a Liam.  - Então o que está te incomodando, meu pequeno? Louis assoprou o vapor que saía da bebida castanha e amarga. Ele resolveu dispensar o uso do açúcar. Queria sentir a amargura derretendo-se em sua boca. - Eu não sei. Acho que foi pior. Acho que ele foi receptivo demais... - E desde quando isso é um problema? - Liam perguntou-o confuso. - Poxa Lou, você está pra baixo. Não chegou cantando, pulando ou qualquer coisa.  - Eu só me sinto meio.. Perdido? E-eu contei a ele a história dos meus pais e... e... Louis não aguentou falar mais nada. Estava emocionalmente exausto. O único que sabia da história era Liam porque eles se conheciam desde o colegial. Payne sabia o quanto Louis era fechado e bom ator, podia fingir-se perfeitamente contente e ignorar os pensamentos depressivos sempre, talvez fosse uma característica herdada do pai. Louis gostava de manter sua áurea limpa e colorida. Portanto, para ele estar prestes a desmoronar e chorar do nada, significava que o garoto estava realmente m*l. Sem perder nenhum outro segundo Liam envolveu seus braços ao redor de Louis e o abraçou protetoramente. Louis enfiou o rosto no peitoral de Payne e começou a chorar baixando, tremelicando. Ele estava assustado, incerto, e as dores da perda do pai voltaram como uma apunhalada no meio de seu coração.  Aliás, o coração estava tão apertado como se alguém houvesse o espremido feito laranja. Liam esperou pacientemente Louis parar de tremelicar e soluçar devido ao choro. Pegou a caneca agora de chá frio e entregou na mão de Tomlinson, que encarava o chão. Os dedos ásperos do maior rasparam suavemente contra a pele do pequeno, secando suas lágrimas restantes. Era estranho ver Louis assim. Payne sentia a dor contagiar a ele próprio. Louis sorriu triste e levou o chá aos lábios, bebendo o líquido todo de uma vez só. Os dois permaneceram assim, em silêncio. Embora um silêncio confortável. A alvenaria da cozinha nunca esteva tão fria. O apartamento de quase 200 metros quadrados jamais foi tão silencioso. - Eu já volto. - Louis de repente disse, deixando a louça dentro da pia e indo em direção ao quarto. Chegando no quarto tirou o celular do bolso e discou um número que não se imaginaria discando por um bom tempo. Enquanto a chamada não era atendida, Louis se sentou nervoso na cama e se cobriu com o edredom até o pescoço. Mordiscou o lábio inferior tão forte que jurou estar sangrando. - Alô? - uma voz familiar atendeu. - Hey. - Louis respondeu sem jeito.  - Lou, é você?!  - Sim, Lottie.- Tomlinson respondeu puxando o canto do lábio em um sorriso. Suas irmãs o faziam tanta falta. Mas ele simplesmente não conseguia retornar pra casa. Era mais forte que ele a vontade de ficar na faculdade e evitar retornar. Desde que seu pai faleceu Louis passou a cuidar de tudo por dois anos. Quase perdeu a adolescência pra isso. Acordava cedo e dava banho nas irmãs gêmeas Phoebe e Daisy que tinham cinco anos na época. Depois amamentava na mamadeira com leite de vaca os irmãos recém-nascidos porque sua mãe se rejeitava a dar de mama pra eles. Checava a lição de casa de Lottie com nove anos e penteava os cabelos de Fizzy com sete. Sua rotina era cansativa, ele m*l tinha energia para estudar. Foi assim que largou mão de se esforçar para tirar boas notas na escola. Fora isso ele ainda cuidava de Johanna, que sofreu com uma forte depressão e m*l olhava na cara das pessoas daquela casa. Havia dias que ela acordava disposta, e outros (a maioria) que ele tinha que obriga-la a comer e leva-la pra tomar banho. Foi uma passagem traumatizante de sua vida que acabou fazendo com que o pequeno pegasse certo ódio pela mãe e a culpasse por toda a situação que ele era submetido. Quando claramente não era sua culpa. - Lou? Louis, ainda está ai?! - Ahm? Oh, desculpa, estou sim Lottie. Eu queria saber como.. Er.. Como Johanna está. - Ah. - Lottie exclamou animada do outro lado da linha. - Hoje ela está bem. É um dos bom dias. Nem precisei dar banho nos gêmeos, ela se ofereceu e tomou conta deles. Acordou mais animada e não reclamou quando eu fui dar os remédios. Louis sorriu triste. Odiava pensar que Lottie com apenas quatorze anos era a nova "governanta" da casa. Ele sabia quão desgastante era pra ela. - Fico feliz sobre isso, Lottie.  - Eu também. Ela disse que sonhou com o papai hoje, acho que foi o que deixou ela de bom humor na verdade. - É. Isso é legal. - Que foi, Lou? Tá' tudo bem? - Sim eu só... Eu só estou com saudades de todos vocês. Inclusive dela. - confessou em um sussurro. - Ei, não fique assim. Você pode voltar pra casa, sabe que pode. Seria legal... Te ver. Eu também morro de saudades. Sempre. E às vezes entro no seu antigo quarto e durmo na sua cama porque ainda tem seu cheiro. - Lottie disse tímida. Foi muito difícil pra ela perder o pai e alguns anos depois se afastar do irmão. Também foi obrigada a amadurecer rápido. Mas Louis precisava da faculdade. Não apenas pela promessa como também para os remédios. Os remédios que Joahanna devia tomar eram muito caros e eles não possuíam condições de adquiri-los. Compravam apenas alguns, os mais baratos. Louis precisaria de uma prescrição especial psiquiátrica dada em consultas formais para retirar os remédios certos de graça, mas ele também não poderia leva-la a um psiquiatra ou então sua mãe seria internada em um hospital novamente. Assim, esperava pacientemente ganhar o certificado de conclusão de Psiquiatria pra pegar todos os remédios e tratar de Johanna corretamente. - Eu irei Lottie. Prometo que irei visita-los em breve. - disse por fim. - Me anima muito a ideia. Mas... Quem foi que fez isso em você? - Oi? - Ah, Lou... Não me venha com essa.. Você parece bem mudado. Mais maduro. Conheceu alguém, é? Louis revirou os olhos sorrindo. - Não seja boba, baleia loira. Não é porque eu ainda não tinha te zoado ou chamado de baleia loira que signifique que eu não vá agora. - Estava demorando... - a loira disse enfezada. - Bom, vou desligar. Te amo baixinha. Mande um beijo para Fizzy, Daisy, Phoebe, Doris e Ernest. Ah, e outro pra... - Mamãe? - Sim. Um pra ela também. ... Louis aproveitou o final de domingo livre para arrumar a escrivaninha de seu quarto. Organização e limpeza nunca lhe foram um forte, entretanto várias pilhas de formulários escolares haviam se acumulado ali e seu velho notebook foi literalmente engolido pela papelada. Entre jogar um papel e outro Louis observou um pequeno post-it escorregar ao chão. Agachou-se para pegar e ler o que era, arrependendo-se imediatamente. Nicholas Grimshaw. 9320-001 Parecia que seu passado o perseguia.  Quando estava prestes a rasgar o número de celular anotado no papel, a porta de seu quarto foi aberta. - Oi, Lou. Está livre? Tomlinson se virou para Liam ao que o maior se sentou na ponta de seu colchão enquanto observava ao redor do quarto. - Er... Estou sim. Por quê? - Queria te falar de algo que Zayn me contou. - Ei, ei ei. Espere um pouco. Você e Zayn ainda se falam? - Louis questionou genuinamente surpreso. Liam deu um dar de ombros como se não importasse. - Enfim. Zayn me contou que na quinta-feira da semana que vem é o aniversário de estadia de Harry. - Aniversário de Harry?! - Não, cabeção. O aniversário de Harry já passou há meses. Foi dia primeiro de fevereiro. Aniversário de estadia na verdade é que farão seis anos que seu paciente está na clínica. - Wow. Já seis anos?!  - Aham. Zayn informou que anualmente eles costumam celebrar isso enchendo bexigas e comprando um bolo light para presenteia-lo já que ninguém nunca veio visitar. Louis sentiu seu coração se apertar. Aonde raios estava a família de Harry? Qual era a história de seu passado e vida afinal? Isso soava tão deprimente. - Bom. Esse ano os planos irão mudar. - Louis afirmou decidido, fazendo com que Payne arqueasse as sobrancelhas. - O que quer dizer com isso? - Agora que eu cheguei e cuido dele tenho uma ideia muito mais divertida. Então cancelem toda essa festinha mixuruca... Meu presente será dez mil vezes melhor. - Louis sorriu. - Tommo, Tommo. Eu conheço esse seu sorriso sapeca. O que está planejando? ... - Não. - Sim. - Não. - Sim. - A resposta é NÃO, Louis! - Zayn rugiu irritado. Ninguém poderia culpa-lo embora. Em plena segunda-feira de manhã e um ser chamado Louis Tomlinson já estava amuando-o. - A resposta é SIM, Zayn. - Você não pode fazer isso, meu caro. Não pode simplesmente passar por cima das minhas ordens. Aliás, isso seria loucura. - Zayn, qual é? Vai por mim! Você sabe que isso o deixaria feliz pra c*****o! Dê essa chance! - Você quis dizer essa chance a ele ou a você?! - A nós dois! Não entende? Só pretendo fazê-lo feliz! p***a, seis anos internado nesse hospital deve ser um fardo de merda. Qual o nexo de comemorar uma data que de fato serve pra te lembrar que você está definhando aqui ainda?! - Sempre fizemos desse jeito. Ele gosta! Eu posso afirmar isso. - Ele pode até gostar... Mas o meu presente seria inesquecível. Você não tem como negar que ele preferiria muito mais o que eu estou disposto a fazer do que um bolo light horrível e pessoas que ele não gosta aplaudindo-o por morar em um manicômio. - Lou- - Zayn! Por favor? Eu te imploro, pense a respeito e me avise até quarta.  - Eu nem sei se o que está me pedindo é uma coisa permitida por aqui. - Ninguém precisa saber. Eles não irão notar. Mas você não tem noção do que isso significaria a ele.. - E você por o acaso tem? - Isso significaria muito para mim porque eu justamente sei que também significaria demais a Harry. Dê-o essa oportunidade. Um suspiro de derrota se escutou no corredor. - Tudo bem. Vá em frente com esse tal presente.  
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