Chpater XXII

3571 Palavras
Episode: Parents. - Louis? - Hey, pequeno. - Tomlinson sorriu gentil ao maior, que estava com o semblante fechado e uma expressão ilegível. Harry não queria sentir nada, e sim continuar vazio, mas isso era uma opção inexistente ao se tratar de Louis Tomlinson. Ele não pôde evitar seu coração de acelerar como se fosse ter um ataque cardíaco a qualquer instante.  - Eu senti sua falta. - Louis admitiu tímido, coçando a nuca sem graça. Ele estava sentado na ponta do colchão de Harry vestindo uma calça grossa de moletom e um casaco quente azul marinho. Uma touca preta escondia seu cabelo liso castanho enquanto um brilho diferente tingia suas íris cor de oceano. Harry conseguia escutar a sinceridade através das palavras de Louis porém ainda o sentia diferente, distante. Pela primeira vez era Louis quem causava o mistério entre os dois, e não Styles. O pequeno parecia receoso e distante mas simultaneamente estava ali sendo bondoso com Harry da maneira que sempre foi. - Por que sumiu? - Harry ousou questiona-lo, assistindo as feições de Louis se congelarem e ele ficar pálido. Esse foi um dos progressos que até então Harry não sabia ter conquistado. Ele havia obtido um pouco da ousadia que Tomlinson sempre mostrara. Era algo surpreendente para ambos a forma como Harry ficou seguro o suficiente para questionar as ações do pequeno. Embora tudo, seu tom de voz acabou demonstrando mais mágoa e tristeza do que a firmeza e seriedade que ele pretendia conquistar. Isso foi em certo uma apunhalada no peito de Louis que perdeu os pensamentos e empalideceu, umidificando os lábios com a língua antes de responder. - Porque eu precisei de um tempo pra me recompor. - disse honesto.- Acabei descobrindo que sou muito mais fraco do que desejava. Harry adentrou mais em seu quarto e fechou a porta, andando hesitante até estar em frente do moreno. Louis escondia algo atrás das costas, a julgar que um de seus braços estava oculto ali. Embora o pouco disfarce, o ato foi passado despercebido por Harry, que estava ocupando sua mente em apenas não ter um de seus surtos nervosos. - Você não sabe o que é ser fraco. - Styles falou encarando-o no fundo das íris azuis.  - Sei sim, Harry. Ser fraco é fugir dos sentimentos porque tem medo deles, e tem medo de se machucar. A expressão de Harry se tornou pensativa enquanto ele digeria o que Louis dissera. Se fosse antigamente, as palavras do menor teriam completa razão para o encaracolado, mas de um tempo pra cá ele acabou transformando seu jeito de ver as coisas e lidar com elas. - Não, Louis. Fugir dos sentimentos por medo não é ser fraco, é ser covarde. E eu sei disso porque foi exatamente o que fiz a minha vida toda. Louis arregalou os olhos um tanto espantado pela resposta de Harry. Ele nunca esperaria tanta sinceridade ou qualquer depoimento da vida pessoal de seu paciente. Harry estava se abrindo com ele. E mesmo que a verdade doesse, continuava sendo a verdade. - Mas você não é convarde, Lou. Você está admitindo isso. Está admitindo que o que faz é por receio de se machucar. E a parte em que você admite pra si próprio ou em voz alta, te torna de fato algo que eu sempre quis ser: corajoso. Coragem é um sinônimo de força. Aqui está a diferença entre nós: eu ando em círculos ignorando qualquer força centrípeta que me arraste para o meio da situação. - Louis fez uma careta diante a analogia extremamente inteligente do maior, provocando uma risada divertida de Harry. - E sim, talvez Zayn seja péssimo em trazer lembrancinhas e tenha me comprado um livro sobre Física Cinemática, mas eu realmente não ligo. Aparentemente aprendi alguma coisa.  - Ow, isso é ótimo e péssimo ao mesmo tempo. Fico feliz que esteja aprendendo matérias que eu não consegui aprender durante toda a minha vida escolar, mas é deplorável que Zayn não saiba trazer nem ao menos livros legais pra você. Os dois se encararam sorrindo num momento em que nada era mais potente do que o brilho que seus olhos geravam. Estavam acostumados a passarem o dia inteiro juntos até Louis se desintegrar durante duas semanas e não dar nem sinal da vida para Harry. A saudade tornava tudo melhor, tudo mais confortante. - Acredite, Harry. Eu não sou o que você acha. - Louis imediatamente quebrou o contato visual e esboçou uma expressão triste e de completo arrependimento, parecendo relutante em contar algo. - O que aconteceu, Louis?  - Nada. Mas por ora só acredite que as coisas funcionarão normalmente. Eu garanto que nada sairá dos eixos de novo, pelo nosso próprio bem. Você me tem e sempre me terá como amigo, e eu farei o que puder para continuar assim. - falou tudo com uma voz excessivamente forçada e um sorriso gentil. Harry assentiu com a cabeça ainda confuso sobre onde Tomlinson estava chegando com aquela conversa, mas antes que tivesse a chance de questiona-lo, o braço oculto nas costas de Louis foram para entre a distância que separavam seus corpos, revelando um lindo e singelo buquê de rosas vermelhas, pinks e brancas. Harry imediatamente ligou as flores com a memória de Sky, sua borboletinha. Pensou que Louis trouxe flores pra ela, já que a borboleta precisava do néctar pra se alimentar. - Sky está morta, Louis.  - Eu sei, Payne comentou. Este buquê é pra você. - O-oi? - Eu trouxe isso como um pedido de desculpas.  Suas mãos pálidas e trêmulas avançaram lentamente em direção ao buquê. Seus olhos brilhavam com aquilo. Louis realmente estava dando flores? Bom, esta seria a primeira vez que Styles ganhava flores em toda a sua vida. - Não precisava.  - Eu sei. Mas eu quis. - Louis deu de ombros sorrindo genuíno ao garoto. - Bom, já que hoje é domingo e você tem o dia livre o que acha de lermos? Trouxe o clássico Romeu e Julieta pra você. Os olhinhos de Harry se iluminaram. - Sim!  E essa pareceu a assinatura de um contrato em que os dois combinaram indiretamente que não falariam sobre o beijo e tentariam agir naturalmente... Como desse. Obvio que Harry continuava extremamente chateado com Louis, mas ultimamente ficou tão solitário e deprimido que ter a presença do menor ali- após sonhar tanto com esse momento- proporcionava-o um alívio e felicidade imensos. ... Durante o resto de toda a tarde os dois permaneceram deitados na grama do pátio lendo juntos o livro de Louis. Embora, as coisas ainda estivessem estranhas. Harry às vezes simplesmente se sentia exposto demais ao ficar emocionado com o enredo. Ele era amante de histórias e não conseguia prender o sorriso ao escutar sobre o baile de máscaras em que Julieta Capuleto conhece Romeu Montecchio. O cacheado imaginava como seria um baile de máscaras, vestidos, danças e, principalmente, o amor.  Louis lia as páginas com muito entusiasmo só pra ver qual seria a reação de Harry diante os acontecimentos da cena. Ora eram expressões tristes, ora expressões contentes... Mas todas sempre maravilhadas. Afinal, Sheakspeare é um gênio. E Romeu e Julieta poderia ser considerada uma obra-prima rotulada como um romance trágico mas simultaneamente mágico.  Entretanto, tudo melhorava com o fato de quem estar lendo-o ser Louis, em sua voz melodiosa, doce e animada.  Obviamente eles não tiveram tempo de acabar todo o livro, porém Harry estava tão curioso de como seria o final da história que insistiu a Louis para conta-lo antes de ir embora. Ambos retornaram ao quarto 302 e se sentaram na cama. - Isso é muito errado, Harry. - Não me importo. Só conta logo o que acontece. A gente nem chegou na metade da metade do livro. Conte tudo de uma vez.  - Não dá tempo, já já Zayn vem me expulsar daqui. - Apenas um resumo geral? Louis bufou em desistência. Ele nunca saberia dizer não ao garoto afinal. - Certo. Então como você ouviu Julieta e Romeu se conheceram naquele baile de máscaras... - Sim, eu lembro. - Mas a paixão que há entre eles é completamente "errada", porque suas famílias tem uma longa rixa entre si e eles vêm de mundos diferentes, princípios diferentes. Basicamente tudo decorre em torno desse romance proibido que eles levam às escondidas porque sabem que se aquilo viesse à tona seria a destruição de suas vidas. Eles até se casam em segredo. Eventualmente Romeu é banido de Verona por assassinar Teobaldo, que é primo de Julieta, e nessa mesma época o pai de Julieta marca o casamento da filha com Pàris. Harry deu um pequeno pulo do colchão e arregalou os olhos, incrédulo. Louis riu internamente pela fofura do rapaz. - Julieta fica desesperada e recorre ao auxílio de Frei, que havia participado e celebrado o casamento dela com Romeu. Frei dá-lhe a ideia de tomar um veneno que a faria cair no sono por 48 horas. Dessa forma poderia se passar por morta e antes que acordasse Romeu viria resgata-la e a levaria para Mântua, onde tem vivido exilado. Entretanto, como todos nós somos cagados, a carta que explicaria a Romeu sobre o plano não chega até ele, e seu criado avisa que Julieta está morta. - Não... - Harry sibilou de queixo caído. - Então Romeu vai ao cemitério que ela está sepultada e bebe um veneno, se matando. Logo que Julieta acorda e vê seu marido morto, ela se suicida com uma adaga também. Fim, Harry. Louis diz um tanto abatido pela história. O tema é pesado e ele se questionara se não fora um erro ter feito Harry saber de algo tão depressivo. No entanto, a reação do maior foi inesperada. Louis assistiu-o puxar os cantos do lábio em um sorriso fascinante. - Por que está sorrindo? - Louis perguntou intrigado. - Porque a história é linda.  - Não Harry. - Louis negou perplexo. - Ela é trágica. O amor é trágico. - Como pode ficar triste, Louis? Não vê a essência por trás das palavras? Apesar de eles não terem ficados juntos vivos, um se sacrificou pelo outro. Eles lutaram contra as proibições que haviam em seu romance. Isso é tão- - Ridículo. Isso é ridículo. Tudo deu errado no final, qual o propósito de amar quando as coisas resultam em merda? - Louis comentou com uma voz alta, frustado. O comportamento exaltado do de olhos azuis fez Harry se assustar e se encolher um pouco, afastando-se do outro. Assim que notou o que causara, Louis se arrependeu. Respirou fundo contando até dez. - Me desculpe, Harry. - Tudo bem.- Styles garantiu ainda contraído em seu canto. - Mas, eu não tenho motivos pra acreditar nisso. Bom, aliás acho que essa baboseira de amor realmente não existe. Não há condições de existir amor num mundo de tragédias.  - O que aconteceu? - Harry perguntou baixo e hesitante. Odiava quando perguntavam de seu passado, mas de repente sentiu a necessidade de saber o que havia no de Louis. Era paupável o incômodo do menor com esses assuntos de paixão. Alguns minutos se passaram com Harry cutucando o lençol branco da cama com as pontas dos dedos e Louis encarando um ponto fixo do chão, mordiscando os lábios.  O moreno lutava com muito de sua força para não "demonstrar fraqueza" e impedir que lágrimas se formassem em seus olhos. - Meus pais. - A voz melodiosa de Tomlinson finalmente ressoou solitária no quarto, quebrando o silencio. Ela era dolorosa e imediatamente Louis não foi mais capaz de se segurar, encarando Harry com os olhos marejados. - Foi com a história deles que eu entendo que não adiante você gostar de alguém. Isso não basta. - Como assim? - Bom, antes de se conhecerem minha mãe era interna em uma clínica dessas. Ela nunca foi emocionalmente equilibrada mas antigamente a sociedade era ainda pior e julgava mais, e um simples problema seria algo grande nos olhos dos outros. Ela era bipolar e quando seus pais notaram a internaram em um centro hospitalar. Meu pai, Mark, era médico no centro e acabou conhecendo e tomando conta dela. Os dois se apaixonaram e meu pai por estar formado na área de Psiquiatria ganhou o direito de tirar Johanna da clínica e tratar dela em casa. Foi aí que eles se casaram, e ela teve filhos. Minha mãe melhorou demais nessa época. Era como se ela não tivesse problema algum. p***a, a história seria maravilhosa se terminasse assim. Mas não. - Nesse instante lágrimas finas começaram a rolar pela pálpebra de Louis, embora ele estivesse sorrindo. - Éramos muito felizes, a típica família cheia de crianças que cuidavam um dos outros. Havia Eu, Lottie, Fizzy e as gêmeas Daisy e Phoebe. Bom, até minha mãe revelar há cinco anos atrás que estava grávida de novo. Harry escutava tudo com muita atenção enquanto Louis fechara os olhos. O menor não estava apto para continuar porque seu corpo tremia levemente e sua voz já não saía. Styles em um ímpeto de coragem e inconsequência se aproximou do corpo e estendeu sua mão, a fim de tocar-lhe o ombros em um afago. Ele estava inseguro quanto a fazer isso ou não, numa guerra interna, no entanto mordeu o interior da bochecha e encostou a palma da mão na clavícula de Louis, puxando-o para perto de si. Louis se sentia pequeno e vulnerável, então não pensou duas vezes antes de aproveitar o contato de Harry e chegar mais perto dele, reclinando a cabeça para trás e apoiando-na no ombro de Harry. Styles congelou. Não estava acostumado com tanta aproximação física, mas o peso do corpo de Louis contra o seu era.. Confortável. Embora ele continuasse sem reação, Louis foi capaz de voltar à história. - Meu pai de repente ficou estranho. Ele voltava pra casa e ficava um tanto recluso no seu próprio quarto, evitava conversar muito comigo e minhas irmãs. Nós todos sabíamos que ele escondia algo, mas não descobríamos o que. Minha mãe também não entendia, contudo fazia de tudo para reaproxima-lo da família e trazer sua alegria de volta, afinal, eles iriam ter outros dois filhos em breve. Mas, num final de tarde ensolarado, quando meu pai voltava de uma palestra que foi dar no hospital da faculdade que trabalhava, seu carro derrapou e capotou na estrada. Harry estranhamente não parecia tão surpreso, porém chocado. - Ele foi levado pro hospital e fizeram o que podiam, mas não deu certo. Alguns dias depois ele faleceu. E então tudo desmoronou imediatamente. Minha mãe já não era mais a mesma. Ninguém era. Meu pai ligava todos nós e de repente já não tínhamos mais ele presente pra cuidar da gente. Mas sabe o pior disso tudo? No laudo médico que saiu foi comprovado que na verdade meu pai tinha câncer metastático, que é o câncer que se espalha no corpo. O câncer estava num estado muito avançado e havia tomado seu pulmão, pâncreas, cérebro. Meu pai estava praticamente condenado a morte com ou sem o acidente. E boom nós percebemos que o segredo que ele escondia era isso. Ele sabia que estava doente todo aquele tempo. Uma doença com mínimas chances de cura, degenerativa. E ele não nos contou que ia morrer logo menos. No começo eu fiquei com raiva disso. De toda a situação e principalmente dele. Primeiro porque ele não tinha sequer mencionado a doença, segundo porque me veio uma ideia na cabeça. As lágrimas de Louis cessaram.  -  Pense: estava sol e o carro simplesmente saiu da estrada e caiu em um barranco. Ele sabia que ia falecer em pouco tempo, por que prolongaria a dor? Se esse foi seu pensamento, então o que nos impede de pensar que ele não quis isso? E se ele derrapou o carro propositalmente porque previa que aquilo acabaria imediatamente com o pânico?  - Lou- - Harry, isso é uma coisa cabível, não? E eu passei a pensar muito sobre aquele dia, criar teorias. Mas todas as conclusões que eu chegava eram as mesmas: sendo um acidente ou não, ele continuava como um herói. Ele não nos contou da doença e nem procurou se tratar porque ele dedicava todo o tempo restante trabalhando ou cuidando da minha mãe. Se ele simplesmente contasse pra nós que estava doente teríamos caído do abismo há muito mais tempo, principalmente, porque minha mãe perderia a cabeça antes. Ela não tinha condições de aguentar uma notícia dessas. Mas ele deixava pistas. Eu me lembro que alguns dias antes do acidente ele me fez fazer uma promessa.  - Promessa? - Ele me fez prometer que eu cuidaria da minha mãe sempre. Que eu me formaria em Psiquiatria pra continuar cuidando dela. Porque, se descobrissem que Johanna está fora do hospital sem nenhum profissional da área tratando pessoalmente dela, então minha mãe seria obrigada a voltar a se internar. Ele pediu pra eu prometer que estudaria isso e manteria ela em casa. E eu prometi. Meu pai foi forte por muito tempo só pra não nos preocupar e não ferir ainda mais a pessoa que ele amava.  Meu pai largou as chances de tratamento porque sabia que se se afastasse de casa pra seguir a quimioterapia, eles levariam minha mãe embora. E ele não queria cuidar da sua saúde quando precisava cuidar da saúde dela. Era uma luta em vão de qualquer maneira. Câncer metastático praticamente significa uma guerra perdida. E ele dedicou a p***a dos últimos meses de vida pra estar lá com a gente e nos deixar feliz. Ele usou esse tempo final pra assistir-nos comentando da gravidez de Johanna, comprar os berços, analisar os ultra-sons dos bebês... Ele fez tudo isso como se estivesse bem, só pra passar a imagem de estar bem. Nesse momento, Louis estava chorando. Não era um choro comum. Era um choro de desolação por ter segurado lágrimas por tanto tempo e finalmente liberta-las de vez, com intensidade. Harry não sabia lidar com isso. Ele nunca precisou cuidar de alguém, geralmente ele que requeria cuidados... E de repente havia alguém despedaçado em seus braços. Com um pouco de confiança e hesitação, Styles encostou seu rosto no topo da cabeça de Louis e passou os braços ao redor dele, querendo transmitir alguma proteção.  - Eles se amavam. E se separaram. Agora minha mãe já é outra pessoa. Ela regrediu em seu estado emocional. É completamente dependente de remédios. Ela está instável. Eu fiz o que prometi. Vim estudar Psiquiatria e já vou acabar em um ano, porque se descobrirem que ela não tem condições de ter uma vida normal irão leva-la pro hospital. E eu não posso permitir isso nem vou. Sei que agora as coisas estão difíceis pra ela, que tem que cuidar das crianças sozinha, mas eu preciso continuar aqui na faculdade.  Às vezes me irrito com ela pelo seu jeito e acabo me esquecendo que não é sua culpar ser assim. Além de bipolaridade também chegou a depressão. Conto com a ajuda da minha irmã Lottie pra ajuda-la em casa enquanto eu estiver aqui fora me formando, porque quando eu retornar com o diploma não teremos que nos preocupar mais com minhas mãe morando lá. Foi um choque muito grande às crianças e ainda abala demais Johanna, mas eu estou tentando por as coisas em ordem. Dar um jeito; Consertar o que a vida estragou. O problema do amor não é nem ele em si. É porque eu acho que amor é um sentimento muito puro e delicado pra ser vivenciado em um mundo sujo e cheio de peripécias.  Ele se torna trágico, perigoso. O amor acaba se tornando um risco enorme de se machucar e se quebrar. É uma chave pra destrancar todas as maldades potenciais da vida. O amor destruiu minha mãe, e levou meu pai embora. Entende, Harry? Eu só não quero acreditar. - Essa é a pegadinha de amar, Louis. Você é submetido a um mar de incertezas. Não tem controle da situação, não sabe se no dia seguinte vai acordar e ainda estar junto da pessoa, não pode prever o futuro. Essa é a graça. Você tem que aproveitar enquanto existe. Fazer com que no final valha a pena os esforços, mesmo que você tenha apenas memórias distantes se elas forem boas, então isso basta. A dor é uma consequência da felicidade, se ela não existisse você não valorizaria a alegria. Seu pai aguentou tudo porque pra ele valeria a pena. Valeria a pena ver sua família feliz mesmo que ele não estivesse lá pra presenciar a felicidade por muito mais tempo. - Mas é tão trágico. - Louis resmungou fungando e secando as bochechas úmidas com as costas da mão. - Te machuca, te expõe, te enfraquece... - Tragédias são boas. - Harry disse em um fio de voz. - Você é uma tragédia pra mim, Louis.  Tomlinson imediatamente desencostou do ombro de Harry e se afastou para encara-lo. Sua expressão estava caída e seus olhos inchados. Já Harry estava um tanto impassível. Seu coração se apertara demais com a história do menor e ele não queria chorar também. Ao notar a feição decaída de Louis o encarando machucado, Harry arqueou uma das sobrancelhas. - O que foi? - Styles perguntou. - É que.. - Louis esboçou um sorriso triste. - Você me colocou na sua lista de tragédias. - Você é a tragédia que me salvou de todas as outras
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR