Pré-visualização gratuita Prólogo
Estevão
Era madrugada quando nossa casa foi invadida, acordei com o grito de dor da minha mãe.
— Caterina! Levanta, precisamos sair daqui. — Falo enquanto pego munição e carrego minha arma. Caterina rapidamente levanta e me segue, ela é uma ótima esposa, foi criada dentro da máfia, não fala muito, é obediente, nunca me questiona e sempre está à minha disposição, estamos casados há 1 ano e nunca tive problemas com ela.
— Estevão, o que está acontecendo? – Ela fala quando abro lentamente a porta.
— Nada do qual você já não esteja acostumada, invadiram a casa, os seguranças devem estar mortos. Algum infiltrado facilitou para alguém entrar. — Saio do quarto sorrateiro, Caterina me segue sem me tocar, ela sabe que odeio. Paro em frente o quarto da minha irmã gêmea Esther, a porta está entre aberta e a empurro devagar, até ver uma cena que faz eu sentir algo que nunca senti, medo. Tem um homem ao lado da cama com uma faca no pescoço de Esther, que dorme como um anjo, não penso duas vezes e atiro contra a cabeça do homem que cai sem vida. Minha arma está com silenciador, assim não chamo atenção de quem já esteja dentro da casa, Esther continua dormindo, seu sono é super pesado, ela não acordou nem com o barulho do corpo caindo.
— Esther! Acorda, temos que ir. – Falo um pouco baixo e ela nem se mexe.
— Estevão, vamos ver como estão seus pais e o Edgar, depois voltamos para pegar a Esther.
— Caterina, é mais fácil eu deixar você aqui do que deixar a Esther, fui claro? – Falo entre dentes.
— Sim, Estevão, desculpa? – Ela abaixa a cabeça e se cala.
— Não se desculpe, acorde ela e vamos. – Falo recarregando minha arma, vou até o corpo para me certificar que o verme está morto, atiro mais duas vezes contra o corpo bem na hora que Esther acorda, ela coloca as mãos na boca para abafar o grito.
— Irmão, o que está acontecendo? – Ela fala com um fio de voz
— Levanta e vamos, temos que sair daqui. – Ela me olha sem entender. – AGORA ESTHER! – Grito e ela levanta assustada, ouço tiros vindo da parte debaixo da casa. Corro na direção do quarto dos meus pais, vejo que a porta está aberta, quando entro paraliso ao ver dois homens mascarados segurando meus pais pelo pescoço, eles estão muito machucados, respiro fundo pensando no que fazer, os olhos do meu pai estão em súplica e os da minha mãe estão encharcados pelas lágrimas. Tudo acontece muito rápido, um dos homens apunhala o coração do meu pai com uma adaga enquanto outro, corta a garganta da minha mãe, só consigo atirar no homem que apunhala meu pai, o que cortou a garganta da minha mãe pula pela sacada.
— NÃAAAAAAO! – Esther grita ao chegar no quarto, a seguro pela cintura e ela me abraça. Não sei o que falar e nem o que fazer, meus pais morreram porque paralisei aos velos machucados e essa culpa vou carregar o resto da vida.
— Senhor, precisamos ir agora. – Mattia, meu chefe de segurança fala.
— Situação? – Falo sem o olhar.
— A casa está cercada senhor, são muitos homens, precisamos sair pelos fundos, vamos usar a saída de emergência dos seguranças.
— E, por que não vamos pela parte subterrânea? O túnel foi feito para esse tipo de situação.
— Senhor, quem nos traiu sabe do túnel, os homens que estão lá fora tem conhecimento de todas nossas táticas. – Respiro fundo, o ódio me consome. – Eu Bloqueei a escada principal com o Fellipo, ele vai acompanhar vocês e vou atrasar eles para saírem, mas precisam ser rápidos.
— Estevão? E o Edgar? – Esther pergunta sobre nosso irmão mais velho e olho para Mattia.
— Não o encontramos senhor, a cama dele estava ensanguentada. – Esther chora em desespero e seguimos Fellipo, assim que saímos pelos fundos ouvimos muitos tiros e quando adentramos a mata dos fundos da mansão ouvimos a explosão. Fellipo paralisa olhando o fogo que sobe, e sei que está sentindo o mesmo que senti ao ver meus pais sendo mortos.
— Ele voltará Fellipo, Mattia voltará. – Esther fala, mas ele nada diz, passa por ela e segue a trilha até sair em uma estrada.
Fellipo providenciou toda nossa fuga, fomos levados a um cortiço sujo para não corrermos risco. Dois dias após o ataque estávamos em um avião embarcando para Rússia. As informações que obtivemos é de que uma máfia rival da qual meu pai não quis fazer aliança se envolveu com outras e invadiram nossa casa, eles sabem que se matarem o Don podem assumir seu lugar, mas o que eles não sabem é que antes de matarem meu pai o posto de Don já era meu e esse lugar ninguém vai me tirar.