Faz exatamente sete meses que fui obrigado a fugir para Rússia, sou o filho do Don da máfia italiana, uma das máfias mais poderosas do mundo, mas meu posto me foi tirado no momento em que meus pais foram mortos junto ao meu irmão mais velho.
Fui obrigado me juntar há um dos meus maiores rivais mediante uma aliança feita de ambas as partes, a Máfia Russa. Viktor Orlov é o Pakhan da Bratva, seu pai Aleksey Orlov é o Don, e os dois aceitaram me ajudar.
Sou conhecido na Máfia por Asmodeus, no meu legado, não somos chamados pelo nome, apenas por familiares, assim facilita não sermos encontrados facilmente e consigo me infiltrar nos lugares usando meu nome Estevão Montanari, um renomado empresário e investidor.
— Você terá 5 anos Asmodeus, vamos te ajudar com a investigação e a recuperar seu lugar como Don da Ndrangheta, essa aliança será vantajosa para ambas as partes, querendo ou não até seu subchefe se beneficiou.
— A questão aqui não é apenas benefícios Aleksey, é vingança. Quero a cabeça de quem fez isso e eu mesmo vou arrancar. – Falo entre dentes.
— Você terá sua vingança Asmodeus, e eu quero assistir de camarote você arrancar cada m****o do maldito. – Viktor fala sem expressão.
— A aliança será cumprida, mas não quero que me cobrem antes dos 5 anos, meu subchefe só irá cumprir o acordo 6 meses após o Viktor se aliar a nós, fui claro?
— Você acha que está em posição de impor algo? É você que precisa da gente Asmodeus.
— Eu terei minha vingança com ou sem vocês, Aleksey, não se sinta importante. A aliança será feita nos meus termos ou farei tudo sozinho.
— Don! Você deve chamar meu pai de Don. Tenha mais respeito Asmodeus. – Viktor fala se levantando e vindo em minha direção. – Saco minha arma e aponto na cara dele. Ele saca sua arma ao mesmo tempo que eu a apontando na minha cara.
— Não sei se você sabe Viktor, mas eu também sou um Don, e nem por isso estou exigindo tal respeito vindo da parte do seu pai.
— Meninos, abaixem as armas. Já temos um acordo. Eu aceito seus termos Asmodeus, disponibilizei uma propriedade minha próxima daqui para você ficar com sua família, vamos iniciar as investigações e logo iremos atrás dos assassinos dos seus pais. – Abaixamos as armas e apertamos as mãos selando nosso acordo.
(...)
— Você não pode estar falando sério, Estevão! – Esther fala como sempre me desafiando.
— Você não vai, e é minha última palavra. Você e caterina ficarão aqui junto as outras mulheres. – Falo seriamente sem desviar o olhar do dela.
— Ok Don. – Ela fala em tom sarcástico. — Mas se você finalizar sem mim eu nunca vou te perdoar. – Esther fala e sai da sala com raiva.
— Você precisa domesticar sua irmã. Nem parece que cresceu em uma família da máfia. – Viktor fala entrando.
— Cuide da sua irmã que da minha cuido eu! Agora me fale o que vai ser feito?
— Sairemos daqui as oito da noite, chegaremos por volta das duas da manhã. Teremos duas horas para nos prepararmos e invadirmos o local. – Ele fala em seu tom sério.
— Invadiremos a casa as quatro da manhã? Tem certeza que esse é o melhor horário? – Falo olhando para a parede.
Não tenho costume de olhar no rosto das pessoas, só consigo focar no rosto da minha irmã Esther. De ninguém mais.
— Estamos analisando todo o perímetro a mais de 7 meses Asmodeus, você acha mesmo que iria invadir sem ter certeza que seria o melhor horário, não subestime meu modo de ataque.
— Espero mesmo não ter que subestimá-lo Viktor. Só teremos uma chance. E teremos essa chance porque quem matou meus pais pensa que morremos juntos na explosão e jamais imaginariam que iria me juntar a corja russa.
— A única corja que conheço é a italiana. – Ele fala entre dentes e ignoro. — Você terá seu reinado de volta Asmodeus. Só vamos precisar de uma tentativa, fique tranquilo.
Seguimos para o jato particular da família Orlov. O avião está repleto de soldados. Todos Russos, exceto Fillipo que está ao meu lado os encarando. É nítido que eles os odeiam e só estão aqui porque seguem ordens.
Vejo Viktor se levantar com o notebook nas mãos. Ele para ao lado de onde estou sentado e encara Fellipo que entende o que ele quer, levanta sem dizer nada e senta—se na poltrona da frente.
— Preciso te passar todo o esquema de invasão. – Viktor fala se sentando ao meu lado. Olho para o notebook e vejo toda a planta da minha mansão.
— Entraremos pela parte traseira. Esse lugar é designado aos soldados, como se fosse uma sala de descanso. – Falo apontando a tela e o ouço bufar.
— Não foi isso que planejei Asmodeus. Essa invasão é minha, não sua. Todos saberão que foi a Máfia Orlov que invadiu a toca do traidor. Todos saberão que foi a Máfia Orlov que ajudou Asmodeus a recuperar seu título de Don. – Gargalho sem o olhar, mas não foi uma gargalhada de humor. Foi a única gargalhada que dou, a sarcástica e demoníaca.
— Viktor, você acha mesmo que está no comando de tudo isso? Você não passa de um soldado meu nesse momento, essa invasão é em meu nome, essa conquista será apenas minha. Não venha querer tirar vantagem disso para impressionar seu papai Don. Se você ousar questionar minha autoridade na frente de qualquer um aqui, eu derrubo esse avião e levo vocês todos para o inferno comigo.
— Você acha mesmo que me causa medo Asmodeus, ou devo chamar de Estevão? Eu comando esses soldados, o único soldadinho que você tem aqui é o mudinho aí da frente. – Ele fala e no final da frase aponta para Fellipo que se levanta e vira para ele.
— Meu Don Asmodeus conhece o perímetro detalhadamente sem ter que ficar com um computador em mãos. Ele já falou para o Don Aleksey na sua presença, mas acho que o senhor não o ouviu. Ele terá sua vingança com ou sem vocês russos, nem que para isso eu e ele tenhamos que morrer tentando. Mas morrer não é uma opção, meu senhor. – Fellipo fala entre dentes e vejo pelo canto dos olhos Viktor esboçar um sorriso.
— Admiro a lealdade do seu soldado Asmodeus e fico feliz em saber que ele não é mudo.
— Ele não é meu soldado. É meu subchefe.
— Como se chama mesmo? Felli...
— Hades. Apenas meus pais e a senhora Esther tem permissão de me chamar pelo nome.
— Ótimo. Quando formos família te chamarei pelo nome, quer queira ou não. – Viktor fala e Hades se senta novamente. — Faremos do seu jeito Asmodeus. Só espero que seu jeito não nos leve a cova.
— Talvez possa levar um russo a cova, mas não Asmodeus.