CAPÍTULO 2

1736 Palavras
Desembarcamos em uma pista clandestina e privada, que nem mesmo eu tinha conhecimento. Ainda bem que me aliei aos russos, pois vejo que eles estão muito bem instalados no meu país e a qualquer momento poderiam atacar meu território. Seguimos por um caminho de terra até chegar na minha propriedade. Tudo está calmo e escuro, me surpreendo ao ver que não está danificada pela explosão de quase oito meses atrás. Viktor nos passa cada ponto onde os soldados estão. Não posso negar que ele é bom em suas estratégias de combate. — Não há movimentação na casa, todos estão dormindo. Os francos estão posicionados, eles cuidarão da frente da mansão enquanto entramos pelos fundos. – Viktor fala observando a frente da propriedade. — Don, devemos entrar apenas com mais 3 homens. Seguiremos para ala dos quartos e os outros cuidam do restante do perímetro. – Hades fala olhando ao redor. — Seguirei vocês até os quartos. Dois de meus homens vão nos dar cobertura. – Apenas confirmo com a cabeça e seguimos para a entrada dos fundos da propriedade. Entramos sorrateiramente pelos fundos depois de ouvirmos tiros vindo da entrada da propriedade. — Nossos homens estão agindo. Atingiram todos que estavam à frente da propriedade. – Viktor fala. — Mandem cessar fogo. – Falo enquanto ando apontando minha arma em todos os cantos. — Você está louco Asmodeus? Como vou falar para eles cessarem fogo em uma invasão dessa proporção? — A partir de agora quero que eles capturem os homens com vida, mortos não me serão uteis e não se esqueça que quero o verme que ousou matar meus pais na minha frente viva. O prazer de tirar a vida dele será meu. Se algum de seus homens o matar e vou levar todos para o inferno comigo. – Termino de falar e Viktor bufa antes de falar para seus homens cessar fogo. Sentia a adrenalina passando em minhas veias como lavaredas de fogo. Não nasci para ter medo, eu não podia ter, a única vez que senti isso foi quando meus pais morreram e quando vi aquele home colocar a faca no pescoço da minha irmã, eu não sabia o que era sentir medo até me encontrar naquela situação. Por fora eu continuava o homem frio que sempre fui, mas por dentro sentia que estava em combustão. Tudo que mais quero nesse momento é capturar o desgraçado traidor. — Entrarei sozinho no quarto principal, Hades. Cuide dos outros quartos com o Viktor e lembre-se, nada de mortes. — Pode deixar, Don. — Hades responde Entro no corredor dos quartos silenciosamente, olho para Hades e Viktor, faço gestos para que eles sigam por outro corredor, tinha que ser cauteloso, sabia que havia homens fazendo a vigia no corredor. Precisava capturar quem estava naquele quarto intacto, pois seria eu a danificar cada parte do verme que ali se encontrava. Sigo pelo corredor e avisto um dos homens parados na porta do quarto principal, andei cuidadosamente tentando não fazer nenhum barulho. Passei os olhos por todo o local em busca de mais soldados, mas não havia nenhum. Paro ao lado dele sem que ele perceba minha presença e coloco a arma na sua cabeça. Ele tenta levar a mão até sua arma. — Eu não faria isso se fosse você. – Falo e empurro mais a arma contra sua cabeça. Retiro a arma da sua cintura e o revisto rapidamente. – De joelhos. – Falo e ele obedece. – Tem família soldado? – Pergunto. — Tenho, sim, senhor. – Ele responde um pouco ríspido. — Quer voltar para sua família? — Sim! — Quem está no quarto? — Ninguém senhor. O quarto se encontra vazio. – Ele responde de cabeça baixa. — Qual o nome do seu chefe? – Pergunto e ele permanece calado. — Acho que sua família terá um velório para organizar. Isso se encontrarem o corpo. – Falo mais uma vez empurrando a arma contra sua cabeça. — Senhor, eu não sei o nome do Don. Ele se titula como Zeus. Não o conhecemos. Ele fala apenas com o chefe da segurança, toda vez que ele vem a mansão somos retirados dos nossos postos para não ver a face dele. – Aperto os olhos em sua direção. Ele parece estar falado a verdade, mas quero evitar qualquer reação dele, não quero perder mais homens. — Esse que você chama de Don, nunca foi o Dom da Ndrangheta. A partir de hoje seu Don é Asmodeus e você jurará lealdade a mim, apenas a mim. Aquele que não fizer o juramento de lealdade será morto da pior forma possível. – Percebo que quando falo o nome Asmodeus o soldado arregala os olhos. Assim que termino de falar, dou uma coronhada em sua cabeça, o deixando desacordado. Abro a porta do quarto e o encontro vazio, o que me deixa totalmente frustrado. Checo cada parte do quarto para me certificar que está vazio. Assim que saio do quarto encontro Hades e Viktor e por instinto apontamos as armas um para o outro e abaixamos em seguida. — A casa está tomada Asmodeus. Meus soldados já checaram tudo. Os soldados que sobreviveram foram contidos e amarrados. Se encontram na sala. – Viktor fala e confirmo com a cabeça passando por ele e indo em direção da sala. Quando chego me atento em um dos soldados amarrado. Ele parece muito machucado. Me aproximo mais e ele ergue a cabeça e esboçando um sorriso mostrando seus dentes cheios de sangue. — Eu sabia que você voltaria meu Don. – Ele fala e aceno com a cabeça para ele. — Pai! – Hades grita correndo na direção de Mattia e o desamarrando. — Você é um homem difícil de morrer, Mattia. Não morreu na explosão e não morreu depois de ser torturado por meses. – Falo enquanto Fillipo o desamarra. — Don! Naquele dia e estava saindo da casa quando aconteceu a explosão. Fui lançado vários metros e bati a cabeça, o impacto foi tão forte que apaguei, quando acordei já era prisioneiro do tal Zeus. Ele me torturava todos os dias. Queria ter certeza que o senhor estava morto. Eles vasculharam tudo à procura dos corpos de vocês e não encontraram. Depois de muito tempo o procurando resolveu reformar a mansão. O que me impressionou é que o tal Zeus manteve a mansão do jeitinho que era. Eu sei disso, pois pelo menos umas 3 vezes sai do galpão red e fui trazido para a mansão para o Zeus me interrogar. — Você chegou a ver esse tal de Zeus? – Pergunto. — Não senhor. Ele usava modificador de voz e eles me vendavam quando entrava no escritório. — O homem de confiança dele fica por aqui? — Sim, mas a mais ou menos uma hora atrás, pude ouvir quando ele planejava a saída do tal Zeus da mansão, por ter sido informado que o senhor estava a caminho com um exército. — Vou precisar de todas as informações que tem desse Zeus Mattia. Agora preciso que se recupere e me ajude a retomar meu posto. — Don! Esse lugar sempre foi seu. O conselho não estava aceitando o tal Zeus pelo fato dele não ter comprovado sua morte. — Ótimo, precisamos juntar homens e nos certificar da lealdade dos soldados que aqui se encontram. — Vou cuidar disso, Don. – Hades fala e confirmo com a cabeça. Olho para Viktor que entende só com meu olhar que estou grato pela ajuda, finalmente terei o posto que é meu por direito. Por volta das 6 da manhã já tínhamos interrogado todos os soldados. A maioria jurou lealdade a mim, os que se negaram e mantiveram a lealdade ao tal Zeus eu matei. Senti que cada tiro que dava nos soldados fieis ao tal Zeus matava um pouquinho dele. Estou andado pela mansão relembrando muitas coisas quando meu celular toca. Vejo na tela que se trata de Caterina, ela está insuportável com essa gravidez. Retiro tudo que disse sobre ela ser uma esposa submissa. Ela reclama o tempo todo dizendo que não me importo com ela e com os gêmeos que carrega. Toda vez que ela abria a boca, eu saia de perto dela para evitar me estressar. Não vou negar que estive focado esse tempo todo em recuperar meu posto na máfia e a atenção a ela era zero, mas nunca fui o tipo de homem que demonstra qualquer tipo de carinho. Caterina só servia para satisfazer meus desejos e para me dar herdeiros. Creio que não tenha especificado o porquê de ser o sucessor ao título de Don na frente do meu irmão mais velho. Bom, a Ndrangheta vem de uma linhagem de gêmeos, você precisa ser gemelar e ter herdeiros gêmeos para assumir o lugar do Don. Meu irmão mais velho não é gemelar, mas ainda poderia assumir o lugar de dom se tivesse filhos gêmeos. O que não aconteceu! Ele teve um casal de filhos sem estar casado e ainda por cima não são gêmeos. Por isso eu fui designado a ser o Don de toda a Itália. Meu celular segue tocando e decido atender, mesmo sabendo que Caterina vai me encher a paciência por ter viajado sem nem ao menos falar com ela. (...) — Caterina, não estou com tempo para te ouvir agora. – Falo entre dentes. — Estevão! – Ouço a voz de Esther e o grito de dor de Caterina ao fundo. — Esther! O que está acontecendo? — Seus filhos vão nascer. É melhor você voltar. — Chego aí em 7 horas. Fique com ela e me mantenha informado. — Ok! Te esperamos. (..) Sigo até a sala, preciso encontrar Viktor o mais rápido possível. Assim que entro na sala, vejo ele conversando com Hades. — Viktor. Precisamos retornar a Rússia agora mesmo. — O quê? Você está louco? Precisamos resolver tudo perante a máfia. Temos que anunciar seu retorno, nossa aliança e marcar a reunião com o conselho. — Minha mulher acabou de entrar em trabalho de parto. Hades e Azazel vão ficar e cuidar de tudo até a minha volta. – Viktor confirma com a cabeça. — Quem é Azazel? – Viktor pergunta. — Não que seja da sua conta, mas é o nome que Mattia usa dentro da Máfia. Agora vamos, preciso conhecer meus filhos. — Falo sem expressão e Viktor me segue. Ainda hoje conhecerei meus herdeiros.
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