Faltam exatamente 30 minutos para chegarmos a Rússia. Estou sentado na janela do avião olhando fixamente para baixo noto que começam a aparecer as luzes da cidade.
— Devo te dar parabéns pelos filhos? — Viktor fala se sentando ao meu lado.
— Não tenho que receber parabéns por cumprir com meu dever perante a máfia. Eles queriam herdeiros e eu os dei. Agora só preciso leva-los para Itália e registrá-los como Italianos, não como essa corja Russa.
— Pelo que sei foram os Russos que ajudaram a corja Italiana a recuperar o poder. Está na hora de ter um pouco de respeito, já que estaremos juntos por um longo tempo.
— Se eu não te matar antes. — Falo ainda olhando pela janela.
— Não morrerei pelas mãos de Asmodeus. Disso eu tenho certeza, até porque tem uma dívida eterna comigo caro irmão.
— Não me chame de irmão Viktor. Pare de me importunar, já vamos aterrissar, prepare tudo.
— Não fale comigo como se fosse um de seus soldados Estevão.
— Então aja como um Pakhan e faça seu trabalho. — Viktor levanta bufando e segue na direção dos soldados.
Depois de alguns minutos estamos dentro do carro, quando o telefone de Viktor toca.
(...)
— Privet! (Alô) – Ele atende falando em sua língua.
— I kak eto proizoshlo? YA ostavil boleye dyuzhiny muzhchin, chtoby zabotit'sya o ney, a ty poterpel neudachu? YA otorvu golovu kazhdomu iz vas. (E como isso aconteceu? deixei mais de uma dúzia de homens só para cuidar dela e vocês falharam? Vou arrancar a cabeça de cada um de vocês). — Observo que ele está nervoso e fico em alerta até que ele desliga.
(...)
— Sinto lhe informar Asmodeus, mas nesse exato momento estão perseguindo o carro que sua esposa e sua irmã estão.
— Como assim perseguindo? Onde estão seus homens Pakhan? Você disse que elas estariam seguras. QUE MINHA IRMÃ ESTARIA SEGURA! — Falo com ódio e grito as últimas palavras.
— Passaram informações para eles Asmodeus! Eles Sabiam exatamente onde estariam e com quantos homens estariam.
— Onde elas estão agora? — Falo tentando conter meu ódio.
— Fui informado que se iniciava uma troca de tiros. Estamos indo ao local. — Viktor fala como se fosse a coisa mais natural pra ele. Essa calma dele é pelo fato de não ser a irmã dele na linha de fogo.
— Sua mulher e seus filhos ficarão bem. Vamos nos certificar disso.
— Eu quero saber da minha irmã Viktor. Espero que minha irmã fique bem. Mulher eu posso ter outra, mas irmã não. — Viktor arqueia a sobrancelha e pega o celular para ligar para seus homens.
(...)
- Kakova situatsiya? (Qual a situação?) – Viktor fala em russo, escuta atentamente e desliga.
(...)
— Estamos a 2 minutos do local Estevão. Sua irmã está bem. — Ele fala e sinto alivio. Porém, percebo que não falou da minha mulher e meus filhos.
Chegamos no local e vejo muitos homens mortos. Passo os olhos ao redor a procura da minha irmã, mas não a vejo.
— ESTHER! ONDE ESTÁ MINHA IRMÃ? – Grito indo na direção dos soldados. Saco minha arma e aponto para o chefe de segurança do Viktor. — Onde está minha irmã? — Pergunto entre dentes.
— Senhor...
— DON! VOCÊ VAI SE DIRIGIR A MIM COM RESPEITO.
— Você não é meu Don! — O soldado fala entre dentes. Olho para Viktor que faz uma cara nada agradável por já saber o que vem a seguir. — Puxo o gatilho atirando contra a cabeça do seu chefe de segurança e ouço Viktor falar um palavrão em russo.
— Qual vai ser o próximo? — Falo apontando a arma na direção dos soldados.
— Pelo amor de Deus, falem logo onde a Esther está. Não quero perder mais soldados. — Viktor fala sem paciência e um dos homens dá um passo à frente.
— Pakhan, levamos ela para o hospital, ela levou um tiro no ombro. — O soldado fala de cabeça baixa e antes que eu possa reagir Viktor já está em cima dele deferindo vários socos. Ele se levanta ofegante e fuzila seus soldados com o olhar.
— Eu espero de verdade que ela esteja bem. A única função de vocês era cuidar delas e falharam. No próximo treinamento eu vou fazer questão de marcar presença, quero poder socar cada um de vocês. – Ele fala furioso e fico satisfeito com a reação dele. Assim que ele termina de falar vai em direção do carro, entramos e seguimos para o hospital. Preciso ver minha irmã e me certificar que ela está bem. O hospital fica perto e em minutos já estou à frente da recepcionista.
— Quero informações sobre a paciente Esther Montanari? — Pergunto e a mulher me olha com cara de interrogação. Me dou conta que falei em italiano e antes que possa perguntar novamente Viktor toma a frente e pede as informações necessárias. A recepcionista passa o número do quarto e seguimos até ele. Entro sem bater e Esther está com a cabeça virada e o ombro imobilizado. Ela vira e seus olhos encontram o meu.
— Me perdoa irmão? Eu tentei, juro que tentei. — Ela fala em prantos e fico sem entender. Vou até ela e seguro sua mão.
— Está tudo bem Esther. Não foi nada grave, logo vamos para casa. Só preciso ver como está a Caterina e os gêmeos. — Falo e me perturba a reação de Esther, que começa a chorar desesperadamente. Olho para Viktor que está escorado na porta com os braços cruzados e em seguida solta um suspiro.
— Para de chorar e me conta tudo que aconteceu Esther. — Falo sério e ela começa a limpar as lágrimas.
— Caterina começou a sentir fortes dores, e implorava para ser levada ao hospital. Chamei os seguranças para nos levar e foram 3 carros escoltando o nosso. Assim que saímos de casa seu primeiro filho nasceu. Um menino lindo Estevão. – Esther fala emocionada e continuo sem expressão. - Caterina o segurava enquanto fazia força para dar à luz ao segundo filho e eu a ajudava, mas no meio do caminho os carros foram alvejados, eram muitos tiros vindos de todos os lados. Tentei me concentrar apenas em ajudar Caterina e depois de 2 minutos nasceu a sua filha. Não sei por quanto tempo fomos perseguidos. O carro parou em algum momento e os tiros aumentaram. Decidi sair do carro para ajudar e garantir a segurança dos meus sobrinhos, até que levei um tiro e acabei caindo na ribanceira próxima a estrada. Como foi apenas um tiro no ombro eu me esforcei e subi o barranco o mais rápido que pude, mas quando subi, eu vi... — Esther para de falar e volta a chorar.
— Preciso que você termine de falar Esther.
— Eles atiraram na Caterina Estevão. Vi quando eles pegaram os bebes e levaram pro carro, depois pegaram o corpo sem vida da Caterina e jogaram no porta malas do carro. — Levanto e soco a parede até meu punho sangrar. Esther chora alto, mas só paro de socar quando Viktor segura meu braço.
— Machucado você não vai conseguir recuperar seus filhos Asmodeus. — Viktor fala.
— Eu vou arrancar cada m****o de quem ousou fazer isso com minha mulher e ainda sequestrar meus filhos.
— Eu ouvi quando um dos homens citou o nome Zeus. Ele dizia que o próprio Zeus queria matar as crianças. — Esther fala ainda chorando e saio da sala acompanhado por Viktor.
— Aquele desgraçado sabia de tudo Viktor. Ele sabia onde eu estava esse tempo todo, só estava esperando eu me ausentar pra atacar.
— Não se culpe Asmodeus. Precisamos encontrar seus filhos, não podemos perder tempo.
— Você acha mesmo que meus filhos estão vivos? Eles já os mataram. Meu foco agora é voltar para a Itália e encontrar o tal Zeus. Ele se titula um Deus, mas vou manda-lo direto para o inferno.