Pedir pro Magrão me trazer até onde a Emanuelle tava, já que ninguém queria me contar.
Cheguei em frente a um galpão e fiquei parado observando, enquanto o Magrão abria a porta.
Magrão: Pode entrar! - Abriu a porta.
Lobato: Valeu. - Falei entrando.
Magrão: Eu vou ficar aqui na frente te esperando. - Confirmei e entrei.
Quando eu entrei, não acreditei no que estava vendo... a Emanuelle tá irreconhecível.
O cheiro do lugar também estava h******l.
Emanuelle não olhou pra ver quem era, continuou com a cabeça baixa.
Quando a Camile me falou que ela não estava dando comida pra Emanuelle eu fiquei cheio de ódio, papo reto.
Lobato: Manu... - Falei me aproximando.
Ela continuou de cabeça baixo em silêncio.
Eu cheguei na frente dela e me abaixei, ficando de frente pra ela.
Ela estava com o rosto muito inchado e roxo. Também estava com mau cheiro.
Lobato: Fala comigo... - Coloquei o cabelo dela detrás da orelha e levantei o seu rosto.
Ela me olhou seria, como não tinha me olhado antes.
Manu: Vai embora. - Falou baixo.
Lobato: Me desculpa. - Ela cuspiu na minha cara.
Manu: Filho da p**a! - Começou a chorar. - Como você pode fazer isso comigo? Eu sempre fiz de tudo por você... eu vivia chorando por você, seu desgraçado. Enquanto isso, você comia a irmã do Veiga. - Me levantei.
Lobato: Eu não podia te falar. - Ela negou. - Eu tô falando sério. Não é sobre mim, até porquê se fosse, eu tava pouco me fudendo... eu ia trás de você pra dizer que eu tava vivo. - Passei a mão no rosto.
Manu: Eu atirei em um cara por causa de você, agora eu que estou aqui, preste a morrer. - Deu um sorriso sarcástico.
Lobato: Eu vou tirar você daqui. - Ela me olhou por baixo.
Manu: Vai embora, não quero sua ajuda! - Gritou.
Lobato: Para com isso, eu tô tentando tirar você daqui... mas o Tubarão quer teu pai de todo o jeito. - Ela negou com a cabeça.
Manu: Quero que se f**a você, o Veiga e o Tubarão. Agora sai daqui, e enfia essa sacolas no cu da sua namorada.
Eu tinha levado comida pra ela comer.
Pedir pro Magrão pra ele desamarrar ela e deixar as comidas lá, uma hora ela come.
(Personagem: Veiga)
Complexo do Alemão, Quarta-feira, 07:30.
Acordei e via tudo embaçado.
De repente vejo alguém se aproximar de mim, mas eu via tudo embaçado, não conseguia ver quem era.
Beatriz: Vou baixar a dosagem do medicamento. - Fechei o olho, estava me sentido muito fraco.
Ela tirou alguns aparelhos que estavam em mim.
Veiga: Onde eu tô? - Perguntei tão baixo que quase não dava pra ouvir.
A Beatriz ignorou a minha pergunta e saiu do quarto.
Eu estava muito dopado dos medicamentos.
Quando a Beatriz voltou, já foi com o Barreto.
Beatriz: Aí. - Apontou pra mim. - Achei que ele não ia acordar nunca.
O Barreto se aproximou de mim.
Barreto: Veiga... tá me ouvindo? - Eu encarava ele, sem conseguir fazer nenhuma expressão. - É melhor a gente chamar o Coringa. - Olhou pra Beatriz.
Beatriz: Não! - Falou rápido. - Vamos esperar o Veiga falar alguma coisa.
Barreto: Eu só não quero me envolver nesse bagulho.
Beatriz: Relaxa.
Barreto: p***a, Veiga... que p***a você fez, mano? - Passou a mão na cabeça.
Veiga: Cadê o Léo? - Falei um pouco embolado.
Barreto: Ele tá falando alguma coisa. - Beatriz se aproximou.
Beatriz: Do que a Emanuelle sabe, Veiga? - Tocou no meu braço.
Eu batia os olhos algumas vezes, até que minha vista começa a normalizar.
Tava sentindo um bagulho muito estranho... minha língua parecia está dormente.
Beatriz: Fala p***a! - Me sacudiu.
Veiga: O Lobato... - Respirei fundo. - ele tá vivo. - Uma lágrima começou a escorrer no meu rosto.
Barreto: Que m***a é essa? Você não matou ele? - Eu neguei.
Veiga: O Tubarão vai m***r ela. - Beatriz começou a chorar muito alto. - Barreto, me promete que vai proteger o Leonardo...
Barreto: Quem é o Leonardo? - Comecei a fechar os olhos lentamente. - Veigaaa! - Gritou.
(Personagem: Emanuelle)
Rocinha, domingo, 21:40.
O menino ficava me encarando igual um psicopata, me lembrava o Veiga.
Manu: Como é o seu nome? - Ele desviou o olhar. - O meu é Emanuelle.
Ele voltou a me encarar e se levantou do sofá ficando de pé pra mim.
Eu fiquei em silêncio, enquanto ele me encarava.
Eu sentir uma presença tão forte nessa hora, que eu baixei a cabeça tentando me concentrar pra não chorar.
Me surpreendi quando o menino coloca a mão no meu rosto e começa a cariciar minha bochecha.
O meu mundo desabou nesse momento... era como se fosse a mão de um anjo me tocando.
XXX: Eu sou o Léo... - A voz de um anjinho sussurrou.
Olho pra ele com as lágrimas escorrendo pelo o meu rosto descontroladamente.
Léo: Você conhece o Victor? - Perguntou todo fofo.
Eu neguei com a cabeça, não conseguia falar de tanto chorar.
Ele parou de alisar o meu rosto e sentou novamente do sofá.
O Léo me encarava dando risada, agora parecia um bonequinho kkk
Manu: Quem é Victor? - Ele baixou a cabeça. - Pode falar, eu não conto a ninguém. - Levantou a cabeça.
Léo: É o meu pai. - Começa a bocejar. - O Lobato chama ele de Veiga. - Fala coçando o olho.
Faço cara de assustada.
Manu: A Camile é sua mãe? - Ele negou.
Léo: Não, é minha irmã. - Encarei confusa.
Manu: O seu pai te trata bem. - Ele fez sinal de mais ou menos, com a mão.
Léo: Ele quase não fica comigo. - Fez cara de triste.
Manu: E você fica com quem?
Léo: Com a minha amiga Fátima. - Sorriu sapeca. - Sabia que ela tem uma filha. - Eu neguei. - Ela tem! - Eu comecei a rir.
Manu: E ela é legal? - Ele assentiu.
Léo: Ela é minha namorada. - Eu arqueei a sobrancelha.
Manu: E você sabe o que é namorar, nessa idade? - Ele assentiu.
Léo: Sei. - Cruzou os braços. - Eu tô com fome. - Deitou no sofá. - Por que você tá amarrada? - Se levantou.
Eu fiquei encarando ele, não parava quieto um minuto.
Manu: Tá com muita fome? - ele confirmou. - O Lobato já tá vindo.
Léo: Você sabe onde o meu pai tá? - Deitou de novo. - Eu neguei. - Eu tô com muita saudade dele. - Fez cara de choro.
Manu: Faz muito tempo que você viu ele?- Ele assentiu . - Eu também, faz muito tempo que eu vi o meu. - Ele me encarou. - Ainda vamos ver eles. - Sorrir de lado e ele fez o mesmo.
Fiquei observando o Léo pegar no sono no sofá, quando de repente alguém chega quase derrubando a porta.