CAPÍTULO 33 – Sensualidade Que Desarma

1157 Palavras
Ayume Eu nunca achei que um simples sorriso pudesse ter tanto poder. Mas Teodoro Bragança não é um homem simples. Ele é feito de concreto e controle. De decisões duras e olhos que não tremem. Nada nele sugere que pode ser dobrado. Nada além do jeito como me olha quando acha que eu não percebo. Hoje, eu quis testar esse olhar. Acordei com o peito pulsando mais forte do que deveria. O contrato assinado repousava na minha mesa, ainda assombrando minha coragem. Eu aceitei entregar um ano da minha vida para pagar pela sobrevivência — m as cada dia ao lado dele parece cobrar outra coisa. A verdade incômoda é que eu não sei se consigo negar o que meu corpo faz quando ele está perto. Escolhi um vestido que abraça minhas curvas com respeito, não submissão. Salto alto, coluna ereta, cabelo preso para revelar o pescoço — vulnerabilidade estudada. Perfume discreto, daquele que só existe quando alguém se aproxima demais. Eu queria ver Teo perder o eixo. Nem que fosse um milímetro. Quando cheguei à sala dele, ele estava de costas, encarando a cidade através da parede de vidro. As mãos cruzadas atrás do corpo, tensionando o terno contra músculos que contam histórias de batalhas que não aparecem nos jornais. Ele nem virou ao me ouvir entrar. Sabe que é impossível não reparar nele. Sabe que, desde ontem, meu nome não tem o mesmo som quando ele o diz. — Pontual como sempre — comentou, a voz baixa como uma ordem que não precisa de volume. Aproximo-me com calma calculada. — Bom dia, Teodoro. Ele virou. E eu vi. O segundo exato em que meu sorriso o atingiu. Todos os muros dele estremeceram sob aquela fração de ousadia minha. Ele tentou disfarçar ajustando a gravata. Gesto inútil: nada nele estava fora do lugar… além dos pensamentos. — Parece… diferente hoje — ele disse, os olhos escorregando pela linha do meu pescoço como quem rastreia perigo. — Só estou pronta para trabalhar — respondi com a inocência mais falsa que já encenei. Ele arqueou uma sobrancelha. — Está ciente de que trabalhar comigo significa obedecer? Me aproximei um passo. — Depende da ordem. Seus olhos estreitaram. Pressão muda no ar. Ele estudava cada resposta minha como se fossem peças de xadrez. E eu adorava jogar. — Então comece me obedecendo agora — ele disse. — Pare de me provocar. Sorri maior. — Mas eu não fiz nada. Ele se aproximou até o calor do corpo dele roçar o meu sem tocar. — Você sorriu. O coração perdeu a lógica por três batidas. E voltou mais rápido. — Precisamos conversar sobre agenda — eu disse, antes que minha respiração denunciasse o que eu sentia. — Você está tremendo — ele constatou, mas era ele quem respirava mais forte. — Estou firme. — Está tentando me dobrar — sua voz roçou minhas intenções. Eu queria negar. Mas não nasci para ser covarde. — E se eu estiver? — perguntei. Ele ergueu o queixo, como quem reconhece guerra… e aceita. — Vai perder. — Ou vai se render — provoquei, baixinho. Nossos olhares travaram. E ali, só o silêncio falava. O silêncio, e o ar viciado de intenção. Ele desviou, apenas para não entregar vitória cedo demais. — Quero que organize um jantar de negócios esta noite. — puxou o celular. — E esteja presente. — Presente como assistente… ou como parte da negociação? Ele encontrou meus olhos de novo. — Como alguém que me deve um ano inteiro sob minhas condições. A ousadia dele quase doeu. Quase. — Certo — respondi, firme. — Mas lembre-se da primeira cláusula. Ele franziu o cenho. — A do contrato assinado ontem? Aproximei meus lábios do ouvido dele. — Você não manda no que eu sinto. Um arrepio atravessou sua coluna como um segredo m*l guardado. Ele deu um passo para trás. E riu. Pequeno. Incrédulo. — Você está me testando — disse. — Sempre. Ele passou a língua pelos lábios como quem saboreia risco. — Isso é perigoso. — Eu sei. — Para você. — Não. — Respirei fundo. — Para você. Teo ergueu a mão devagar, como quem pede permissão sem admitir. Rodeou meu queixo com o polegar, deslizando pelo contorno da minha boca, um toque tão suave que incendiou minha pele. — Está brincando com fogo, Ayume. — Ainda nem comecei. Foi a vez dele respirar fundo. E recuar. Só um pouco. Como se estivesse puxando a si mesmo de volta da beira de um penhasco. — Vá trabalhar — ordenou. Eu segurei o riso que queria escapar. — Às ordens, chefe — falei, arrastando a última palavra com açúcar venenoso. Virei as costas. E caminhei com a certeza… …de que minha sensualidade acabou de arrancar um pedaço da armadura dele. — Mais tarde, quando eu trouxe documentos para ele assinar, Teo estava sentado à mesa enorme, mas os ombros mostravam tensão que ele não admitiria. Coloquei os papéis diante dele. Nossas mãos se tocaram sem querer. Ou porque era inevitável. O olhar dele caiu na minha boca. De novo. Sempre nela. — Se continuar assim, vou esquecer que isso é trabalho — ele disse. — Talvez seja exatamente o que você precisa. Ele me abriu em uma linha reta do olhar aos joelhos. E o tempo perdeu interesse em seguir adiante. — Você me desarma — confessou, como se as palavras escapassem sem permissão. — Não. — me corrigi em voz baixa. — Eu só lembro quem você pode ser quando alguém não te teme. Ele fechou os olhos por meio segundo. E aquilo foi mais íntimo que qualquer toque. Quando abriu, estava novamente coberto de comando. — Está dispensada por enquanto. Fiquei estática. Ele não costuma dispensar ninguém. Eu o tinha feito perder o eixo. E isso… isso era perigoso para nós dois. — Antes de sair, arrisquei a última cartada do dia: — Acha que vai aguentar esse jogo até o fim do contrato? Ele ergueu o olhar lentamente. Como predador que mede distância antes do bote. — Não acredito que você entenda o que está provocando. — Então me mostre — desafiei sem hesitar. Silêncio. Silêncio que grita. Silêncio que tira o chão. Ele se levantou. Alto demais. Poderoso demais. Desejável demais. E disse, quase rosnando: — Está liberada para ir… antes que eu desrespeite todas as regras que eu mesmo escrevi. Senti o impacto dessas palavras percorrer meu corpo inteiro. Saí sem olhar para trás. Porque, se olhasse, eu não sairia. — Caminhando pelo corredor, respirei o ar do lado de fora daquele gabinete que aprisiona e liberta ao mesmo tempo. Sorri de novo. Porque descobri uma verdade perigosa hoje: Teodoro Bragança não tem medo de monstros financeiros ou inimigos corporativos. Ele tem medo de mim. Medo do que eu desperto. Do que eu lembro. Do que eu posso curar. E existe algo mais poderoso do que dominar um magnata? Fazer o coração dele tremer.
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