📓 NARRADO POR MAXIMILIANO. CONTINUAÇÃO — Um brinde da casa, senhor. — disse ele, com voz neutra demais pra um evento animado. Jamile, ainda ofegante, sorriu. — Até o garçom entrou no clima, olha só. Estendi a mão, mas parei no meio do gesto. O cara me olhava de um jeito errado não de medo, nem de simpatia. De cálculo. — Da casa? — repeti, sem piscar. — Sim, senhor. — ele respondeu. Mas o “sim” veio rápido demais, decorado. Peguei uma das taças, só pra ver o reflexo do líquido. O cheiro veio forte, adocicado. Errado. Vinho bom não tem perfume de fruta passada. Jamile pegou a outra e girou, distraída. O vidro tilintou no ar, o vermelho girando devagar. — Estranho — comentei. — O quê? — Esse vinho. — encostei o copo no nariz. — Cheiro pesado. — Ah, Maximiliano, por favor.

