Ela começou a andar pela sala, as mãos no cabelo, os passos duros, o salto batendo no mármore como martelo de sentença. — Você não fez isso. — disse, virando pra mim. O olhar era puro fogo. — Me fala que você não fez isso, Maximiliano! Cruzei os braços, encostei na mesa e só observei. — Fiz. — Você registrou essa loucura?! — a voz dela subiu, trêmula. — Diz o quanto é, vai! Quanto é pra anular essa porcaria?! Dei um meio sorriso, provocante. — Depende. — Depende? — ela gritou. — Do quê, c*****o?! — De você querer mesmo sair. — disse, baixo, calmo, o tipo de calma que enfurece. Peguei o papel de novo, folheei devagar, como quem lê um poema, e acrescentei: — Mas se for insistir, o valor é simbólico: cento e cinquenta mil. Ela piscou, como se não tivesse ouvido direito. — Cento e...

