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1111 Palavras

Athos permaneceu imóvel em sua poltrona, os dedos longos e frios tamborilando levemente no braço gasto pelo tempo, enquanto sua mente, como um abismo sem fundo, tragava-o para as lembranças que ele havia tentado enterrar há décadas. Não havia noite que não carregasse o peso daquela perda, e embora odiasse admitir, a ausência de Rodrigo ainda ardia como uma lâmina enterrada em sua carne imortal. Ele se recordava de cada detalhe como se tivesse acontecido na véspera. Rodrigo, seu cão obediente, seu projeto pessoal, sua criação involuntária. O menino humano que ele, por algum capricho do destino, escolhera manter vivo e ao seu lado. Athos nunca havia compreendido plenamente por que não o matou naquela noite fatídica, quando eliminou a mãe de Rodrigo e o marido inútil. Talvez fosse o rosto do

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