Athos recostou-se em sua poltrona de couro envelhecido, o olhar perdido na escuridão do salão, enquanto permitia que sua mente fosse sugada para o passado — um passado que, embora enterrado sob camadas de séculos, jamais deixara de pulsar dentro dele como uma cicatriz aberta. Cem anos haviam se passado, mas ainda podia sentir com nitidez o aroma da pele dela. Não era como o cheiro vulcânico das portadoras da fúria, tampouco como o perfume metálico e cortante dos vampiros que o serviam. Não. Era o cheiro puro e agridoce da vida humana, misturado à essência única de quem, por alguma piada c***l do destino, havia nascido com aquele dom raro que, mesmo inconsciente, conseguia atrair a atenção de seres imortais como ele. Ele se lembrava do primeiro dia que a viu, escondido entre as árvores al

