A noite havia se espalhado silenciosa sobre o território do bando Estrela da Noite, mas no ginásio, as luzes ainda estavam acesas, iluminando Ava e Filipe no meio de mais um treino. O som abafado dos golpes, o ritmo das respirações ofegantes e o chiado dos tênis no chão ecoavam no espaço vazio. Ava estava concentrada, os olhos fixos em Filipe enquanto trocavam socos e esquivas, mas, ainda assim, ela percebia a tensão dele. Filipe não estava ali de verdade. Quando ela lançou um soco direto ao abdômen dele — um movimento que, em qualquer outra situação, ele desviaria com facilidade — Filipe apenas recebeu o golpe, cambaleando um pouco para trás. Ava franziu a testa, recuando e abaixando os punhos. Respirou fundo, limpando o suor que escorria pela têmpora e, com um suspiro cansado, disse:

