A noite havia caído há muito tempo sobre a floresta que cercava a antiga casa dos feiticeiros. O vento uivava entre as árvores, fazendo-as balançar e lançar sombras alongadas pelas paredes frias da construção de pedra. A lareira, acesa na sala principal, crepitava fracamente, mas nem o calor do fogo parecia afastar a sensação de apreensão que pairava no ar. Biel andava de um lado para o outro, inquieto, mordendo o canto da unha, enquanto Lua, sentada no sofá de veludo gasto, tamborilava os dedos finos sobre o braço da poltrona, o olhar fixo na janela. Lá fora, o breu parecia impenetrável. "Já deviam ter voltado", disse Biel, a voz carregada de preocupação, sem disfarçar a angústia que sentia. Lua apenas assentiu, o semblante fechado. Também estava preocupada, embora, como de costume, se

