O quarto ainda permanecia mergulhado na penumbra suave, cortada apenas pelas frestas estreitas da janela, onde o amanhecer começava timidamente a anunciar sua chegada. O cheiro da noite intensa, de corpos entrelaçados e respirações entrecortadas, ainda pairava no ar denso. Gael respirava profundamente, os braços firmemente presos ao redor do corpo nu de Ava, que repousava sobre seu peito, a cabeça aconchegada no vão entre seu ombro e o pescoço. A tranquilidade que emanava dela o fazia querer permanecer assim para sempre: alheio ao mundo, surdo ao tempo, cego a qualquer coisa que não fosse aquela mulher, sua Luna, sua alma, sua razão. Mas então… Um arranhão sutil, quase imperceptível, como se unhas invisíveis riscassem o vidro frágil de sua mente. Gael franziu levemente o cenho, a respi

