Lando.
O beijo é lento. Sinto América com o corpo contráido em meus braços. Ela provavelmente está confusa e surpresa com isso, assim como eu. Poderia me afastar dela, mas não consigo, minha boca ama está com a dela, é viciante beijar América. Por um minuto lembro daquele ruivo que teve a oportunidade em sentir desses lábios, e sinto raiva dele, mais do quê o normal.
Eu não sei porque me sinto tão bem ao lado dela, nem porque longe dela tudo parece estranho, eu só sei que se fosse para escolher ficar assim com ela para sempre, eu escolheria sem resitar.
América se afasta me fazendo abrir os olhos para a ver. Ela parece está iluminada, é como se a luz do sol batesse diretamente e lindamente em seu bonito rosto, mas é noite, então essa luz tão forte não vem de nada além dela mesma.
- Você me beijou - América fala, mas não parece que seja para mim e sim para sí, como se estivesse tentando se convencer do que aconteceu.
- Eu te beijei - Digo a olhando em expectativa, não sei o que eu espero que ela faça, mas espero que ela faça algo.
A sensação estranha ainda está em meu peito, e eu não sei como fazer para tirar ela dele. Não sei se a América está sentindo o mesmo, mas torço para que sim, dessa forma ela poderá me ajudar a lidar com isso.
Penso no Lewis. Se ele souber disso provavelmente vai me encher de perguntas, as quais não sei responder. Eu não sei quem é esse Lando agora que beijou América e que está esperando ela o dizer algo. O real Lando nunca teria feito isso, e estaria agora na casa de Bradley a implorando para voltar mais uma vez.
Tudo confuso. Eu estou confuso.
- Melhor ir embora - América praticamente me expulsa, o que me surpreende. Desde quando ela é tão grossa assim?
- Por que?
- Você ainda pergunta? - Ela joga de volta antes de se virar e entrar na casa dela. A porta é fechada em minha cara, me deixando confuso, surpreso e com medo de ter feito o que não deveria com ela. Mas afinal qual é dessa garota? Ela parecia querer isso, deveria está feliz por ter me beijado, não é?
Balanço a minha cabeça tentando esquecer essas perguntas, esse beijo e América. Eu não posso ficar assim. Esse sentimento de confusão está aumentando, e eu poderia me afastar de América e seguir com minha vida se eu conseguisse, mas parece que não tenho escolhas a não ser esperar pelo o que está reservado para nós. Se é que existe nós.
Volto para o meu carro ainda com o gosto dos lábios de América nos meus, e sorrio antes de dar partida ao pensar que isso tudo é uma loucura, mas que no fundo eu estou gostando. Sim, eu estou gostando.
(...)
- Você o que? - Lewis berra do outro lado da ligação.
- Sim, eu a beijei. E foi tão bom, era como se no beijo tudo de r**m que me cercasse tivesse sumido. Você já se sentiu assim? - Pergunto não me importando com o que Lewis vai pensar, eu ainda estou me deliciando com a lembrança de América em meus braços, dos seus lábios encaixados nos meus, do seu gosto.
- Ok...onde está o meu melhor amigo? - Lewis zoa mas eu não me importo.
Sei que não estou parecendo ser eu mesmo nesse momento, mas de qualquer modo não estou sendo eu mesmo há muito tempo.
- Eu não entendo porquê ela me deu as costas e entrou em casa, será que eu fiz algo que ela não gostou?
- Provavelmente você beija m*l, por isso - Lewis gargalha do outro lado da ligação, como sempre um i****a. - Mas Lando, porque está interessado nisso? Você não se importa com a América de qualquer maneira, não é?
O silêncio invade a ligação. Eu não sei o que o responder, até porque é difícil dizer o que eu sinto pela América. Antes eu tinha certeza que eu a odiava, que ela era a pessoa mais insuportável do mundo. Mas hoje, eu não tenho tanta certeza assim.
Um apito soa no meio da ligação, indicando que tem outra pessoa me ligando também. Aproveito isso para desligar a ligação com Lewis, já que ele me colocou em um beco sem saída, e me deixou sem uma resposta. Aceito a outra ligação e me surpreendo ao escutar a voz da América.
- Lando?
- O - oi.
- Você pode vim aqui em casa? Eu preciso conversar com alguém - Sua voz parece afetada, como se ela estivesse chorando e isso faz o meu peito se apertar.
- Posso, eu já estou indo - Digo me levantando rapidamente do sofá.
- Obrigada - América fala antes de desligar.
Eu sinceramente não sei o que se passa com essa garota. Eu podia jurar que ontem ela estava brava comigo pelo o que aconteceu, mas hoje ela me liga e pede para que eu vá em sua casa, estou começando a pensar que ela tem um sério problema de bipolaridade, mas também quem sou eu para dizer algo? Ou julgar alguém?
Saio de casa e vou para a garagem onde está a minha BMW. Ruth veio a me entregar hoje mais cedo, e odiou totalmente o fato dos meus pais terem me dado um carro novo e especialmente tão caro. Ela me fez prometer que eu iria a levar ao shopping quando quisesse, e também ao trabalho dela. Às vezes eu prefiro a Nicola, ela pode não gostar da forma como meus pais me tratam, mas ela tem sua própria vida com seu marido, logo me deixando em paz. Ruth mesmo casada ainda pega no meu pé, me fazendo sentir como um filho dela.
Depois de tirar o carro da garagem eu dirijo para a rua principal que me levará a casa da América. Passo por algumas ruas até avistar o prédio de Bradley. Desde o dia no hospital que eu não a vejo mais, ou tenha ido atrás dela. Mesmo que uma parte minha esteja confusa em relação ao que eu pensava nesse tempo todo sobre os sentimentos de Bradley, a outra ainda ama e a quer. Posso fazer milhares de promessas para me manter longe de Bradley, eu nunca vou cumprir com elas.
Mal vejo quando estaciono de frente a seu prédio e desço do carro. Caminho até a portaria onde está o porteiro do prédio, ele me olha e já sabe o que eu quero pedir então antes mesmo que eu fale algo, ele autoriza a minha entrada.
- Sério? - Pergunto surpreso, eu esperava implorar para subir até o apartamento da Bradley, como sempre.
- Ela me informou que agora você está livre para subir - Ele explica.
Bradley havia proibido a minha entrada em seu apartamento mas agora ela liberou. Será que isso quer dizer que ela está percebendo tudo? Será que isso significa que ela me quer de volta com ela? Não perco tempo e vou para o elevador. Aperto o número do andar de Bradley e espero ansioso para chegar logo. Estou curioso para saber o que aconteceu para ela mudar de idéia sobre eu poder subir até o seu apartamento, também estou ansioso para a ver mesmo que não tenha tanto tempo que eu não a vejo.
Assim que o elevador se abre eu caminho até a porta da Bradley e toco a campainha logo ao lado. Espero por alguns segundos até ela abrir a porta. Bradley surge com o cabelo preso, vestida com um roupão branco e descalça. Eu gosto de a ver mais a vontade dessa forma do que toda arrumada e cheia de maquiagem.
- Entra - Ela fala se afastando da porta para me deixar entrar. Eu entro em seu apartamento sentindo uma sensação de nostalgia ao ver os móveis da mesma maneira como ficavam quando nós ainda estávamos juntos. A poltrona vermelha que Bradley mais amava ainda está ao lado do sofá escuro que eu uma vez derramei vinho e levei uma bronca dela. Não passou muito tempo desde que terminamos, mas o que eu sinto é exatamente isso.
- Aqui não mudou nada - Eu comento me virando para ficar de frente para Bradley. Assim que eu a vejo meus olhos se arregalam. Seu roupão está no chão e seu corpo está apenas vestido por uma lingerie preta. Meu coração acelera de uma forma louca, enquanto meu sangue esquenta em minhas veias. m*l me lembrava do quão lindo seu corpo é, e do quanto eu senti falta dele.
- Bradley - Eu praticamente gemo olhando para suas coxas fartas hipnotizado. Ela ri baixinho enquanto se aproxima do meu corpo, não sei porquê ela está fazendo isso, mas é tudo que eu esperei. m*l posso acreditar que de fato a mulher da minha vida está apenas de lingerie na minha frente.
- Você me deseja tanto não é Lando? - Bradley pergunta, sua boca praticamente grudada a minha. Oh p***a!
- Você sabe que sim - Levo minhas mãos com força para sua cintura a puxando para colar seu corpo no meu. Bradley sorri atrevida e crava seus dentes no lábio inferior. Ela tira minhas mãos de seu corpo, mas eu volto a colocar elas lá.
- Então porque parou de vim aqui? - Ela pergunta, fazendo uma parte ainda lúcida que existe em mim, ficar confusa.
- Seu noivo queria me colocar na cadeia - digo a palavra "noivo" com o maior desdém e óbvio possível.
Bradley ri anasalado e escorrega sua mão para entre as minhas pernas. Ela aperta meu p*u duro na calça me fazendo puxar o ar entre os dentes.
- Ele é um babaca - Bradley sussurra com seus lábios muito próximos dos meus.
- Finalmente percebeu isso? - Jogo de volta m*l acreditando que Bradley insultou o i****a do Noah. Parece até um sonho isso tudo que está acontecendo. Ela aqui comigo tão perto, semi nua e xingando o loiro traidor. Eu sabia que esse dia chegaria mais cedo ou mais tarde, e a felicidade que sinto disso é muito maior que qualquer outra coisa.
- Preciso de você - Bradley sussurra.
Meus olhos penetram os dela em chamas. Meu corpo está implorando por ela e eu não perco tempo antes de a segurar pela nuca com força e atacar seus lábios pelos meus. A língua de Bradley se une com a minha de forma agitada, fazendo o beijo ser feroz e urgente. Eu tento me concentrar em seus lábios carnudos nos meus, mas por algum motivo eu sinto falta de algo no beijo, alguma coisa não parece está certa. A sensação de formigamento no estômago não está presente, aquela sensação que eu senti quando beijei ela, a América, não está aqui.
- O que foi? - Bradley pergunta e só então percebo que não estava retribuindo o beijo. Minha cabeça está em América agora, o gosto nos meus lábios é apenas o da América que eu sinto.
- O que estamos fazendo? - Minha testa se franze.
Bradley me olha confusa.
- O que sempre quisemos, não é? - Ela puxa o colarinho da minha camisa aproximando nossos rostos de novo.
Olho para os lábios de Bradley por alguns instantes e percebo que ela tem razão, é o que sempre quisemos. Ela é a mulher da minha vida afinal, e eu não quero estar com nenhuma outra sem ser ela. Com a mão que ainda está em sua nuca eu a desço e a coloco entre nós dois. Meus dedos vão para os s***s fartos de Bradley cobertos pelo sutiã e aperto um deles com força. Minha consciência está de volta e tudo o que eu quero nesse momento é f***r com Bradley até ela se esquecer do próprio nome.
- Vamos para o quarto? - Ela sussurra.
Era tudo que eu queria ouvir.
- Vamos - Respondo o mais rápido que eu posso e eu mesmo puxo Bradley para o quarto dela. O quarto onde transamos tantas vezes.
Assim que jogo Bradley em sua cama, eu percebo que sim, hoje eu finalmente vou voltar a ser dela, vou fazer ela ser minha de novo, como as coisas tem que ser. Sem Noah. Sem América. Apenas Bradley e eu.