19. Saudades.

2150 Palavras
Lando - Que merda cara - Lewis fala depois que eu o conto sobre o que aconteceu na semana passada, tanto a terapia, quanto o que a Malu me disse. Eu passei essa semana inteira indo em festas e transando com qualquer garota que se mostrasse interessada em mim, o que foi uma vitória e tanto, afinal meus pensamentos em Bradley nunca me deixaram fazer isso. Contudo, eu ainda não consegui parar de pensar no quanto a América deve está triste por eu ter me afastado dela. É confuso e estranho o fato de não ter ficado tanto tempo com ela, mas já sentir sua falta em uma semana que paramos de nos falar. - Você acha que eu fiz certo? - Pergunto. - Em quê? - Lewis franze a testa encostando-se no estofado do sofá da sua casa. - Em ter me afastado da América. Seus olhos me estudam antes dele responder: - Era o que você sempre quis, não era? - Sim - Minha resposta sai como um assobio. - Então você fez certo Lando. O que te incomoda? - Ele parece confuso, assim como eu fiquei toda essa semana. - Eu não sei...- Passo meus dedos por minha barba rala - Você viu como a América é, nem mesmo eu que sou problemático sei que não poderia ter a magoado com todas essas merdas. - Oh você sabe? - Lewis pergunta em tom de deboche. Ao mesmo tempo que ele é racional, ele também é um i****a. Eu o ignoro e fico calado. Meus pensamentos em América estão me deixando louco. Eu não deveria está tão preocupado com ela, deveria? Lembrar dos seus olhos castanhos me faz sentir mais perto dela. Ou dos seus lábios rosadas que ela constantemente estava mordendo. Ou de seus vestidos infantis que eu acho tão brega. Lembrar da América como um todo me faz sentir mais perto e distante dela, e me deixa ainda mais confuso. Porquê não consigo simplesmente fingir que eu nunca a conheci? - Vou ao pub - Anuncio me levantando do sofá. Lewis me olha confuso com minha repentina mudança. Eu preciso escapar deste tanto de merda que está sobre mim. Preciso deixar América realmente para lá e seguir em frente. E sei que nesse momento o que pode me fazer ficar melhor é se eu beber muito. - Só não faça nenhuma besteira - Lewis me diz e então deixo sua casa. Tudo está uma confusão em minha cabeça. Eu deveria está feliz por finalmente ter me afastado de América, mas não é isso que sinto. Eu estranhamente sinto falta dela. Mas isso vai passar, tem que passar. Eu estava ótimo sem ela, e minha meta era apenas reconquistar Bradley, e é isso que vou voltar a fazer. - Olha quem apareceu - O barman ruivo que me viu na merda na noite que conheci América, sorri ao me ver sentar de frente ao balcão. - Sentiu minha falta? - Zombo dele. - Nenhum pouco - Ele rebate. A balada não está muito cheia hoje por ser dia de semana, mas de qualquer forma ainda tem gente, o que pra mim já é um problema. De verdade eu deveria ter ficado na casa do Lewis, não ter vindo para cá. - Então, conseguiu voltar com a loira? - O ruivo me pergunta olhando com seus olhos negros e curiosos enquanto enche um copo com whisky em cima do balcão. - Eu te contei sobre a Bradley? - franzo minha testa para ele. - Você contou sobre a sua vida inteira para a boate toda - Ele debocha e empurra o copo para mim. Me lembro que eu fiz essa besteira aquela noite. Quando estou bêbado eu realmente não consigo controlar a minha língua dentro da boca. - Não, na verdade ela está noiva - Respondo contornando a boca do copo com o dedo. - Noiva? - O Barman arregala os olhos - Daquele que era amante dela? - O próprio - Reviro os olhos e tomo um gole do whisky. - Caramba - Ele diz ainda surpreso. - Mas não vim aqui para falar deles - Ponho o copo em cima do balcão. - Veio para falar sobre a América? Assim que sua pergunta atinge meus ouvidos eu ergo a minha cabeça para o olhar. Como ele sabe dela? - Você conhece a América? - Sei que a minha cara agora deve ser de uma pessoa totalmente confusa, e devo parecer patético mas f**a - se. Ele engole em seco e ergue a mão para coçar a nuca como quem sabe que falou mais do que devia. - Ela aquela noite me pediu seu número - Começa a falar ainda inseguro - Eu juro que tentei não passar, mas aquela garota ela é insistente demais quando quer algo. Me seguro para não ri quando ele termina de falar. Eu melhor do quê ninguém sei o quanto América sabe conseguir o que quer. Pensar nela querendo o meu número faz de alguma maneira estranha, eu ficar feliz. Lembro que um dia América me contou que ele havia mesmo passado meu contato para ela, mas eu não ligava para o que ela dizia naquela época, por isso não lembrei disso logo. - Não deveria - Digo ignorando a sensação boa em pensar em América. O que será que ela está fazendo agora? - Desculpa - O ruivo pede. - Tá, só não deixa uma louca qualquer descobrir o meu número, se eu te passei ele outro dia era para casos de emergências - Lembro ele antes de tomar minha última dose do whisky. Na primeira vez que visitei esse pub, eu passei o meu número para o ruivo. Primeiramente fiz isso porque ele pediu e se preocupou ao saber que eu iria dirigindo bêbado para casa. Eu estava muito fora de mim, bebi mais do que podia aguentar, tudo porque Bradley foi passar o final de semana na casa de um amigo a qual eu não conhecia e não quis que eu fosse junto. Hoje eu posso até deduzir que amigo era esse. Segundamente ele era o único que se preocupou comigo naquela noite. Lewis estava doente, Josh não me respondia e Noah tinha sumido. - Mas vocês não se tornaram amigos nem nada? - O barman curioso me pergunta depois de servir duas mulheres morenas com taças de margaritas. - Bem, ela ficou atrás de mim durante esse tempo todo, mas eu não dei muita moral - Dou de ombros. Posso está sendo um i*****l falando assim da América, mas em partes eu estou certo. Ela correu mesmo atrás de mim em diversas situações, e eu reconheço que dei espaço para ela fazer isso. Também a levei para conhecer a minha família que mesmo sendo por causa da pressão da minha mãe, eu levei. Fui ao supermercado com ela por livre e espontânea vontade. Passei uma tarde inteira com ela assistindo e narrando um filme porque eu quis. Fui até sua casa depois de espancar o Noah porque era a minha vontade. Eu contei coisas para ela que nunca contei para ninguém, e América nunca me pressionou a contar. Eu fui sincero sobre os meus sentimentos com ela de uma forma que nunca fui com qualquer outra pessoa. Pensando bem, eu dei sim muita moral. - Ei? Lando? - O barman balança sua mão cheia de tatuagens frente ao meu rosto, me dispensando dos meus devaneios. - O que? - Pergunto ainda grogue. - Está tudo bem? Estou falando contigo e não parece está aqui - Ele brinca mas eu não consigo achar humor. Estou sério. Muito mais que qualquer dia. Em minha cabeça há uma usina de emoções, memórias e sensações as quais não sei como administrar. Minha mente forma várias Américas. Ela no parque. Ela comendo pêssego pela primeira vez. Ela sorrindo quando Zack a contou uma piada. Ela com seus olhos vidrados nos meus como se pudesse me enxergar. Ela semi nua. América. América. América. - Eu tenho que ir - Jogo uma nota de vinte libras sobre o balcão e saio rapidamente do pub. Entro em meu carro e dirigo para casa de América. Eu não sei o que estou fazendo. Não era para eu está fazendo isso. Na verdade eu deveria está implorando para Bradley voltar comigo e não indo para casa de uma garotinha irritante. Mas minha razão não está conectada com as minhas atitudes nesse momento. Sinto que preciso ver América. Eu não sei porquê, eu só preciso. É como se esse tempo que ficamos sem nos ver trouxesse uma gigante necessidade em a encontrar e olhar em seus olhos sem vida, em ver seus vestidos bregas, em ouvir ela dizendo que sou i****a, ou me dando conselhos sobre a Bradley. É só...saudades. Desço do carro assim que estaciono na calçada. Verifico em meu relógio de pulso se não está tão tarde em chegar assim na casa dela. Ainda são nove e vinte da noite, muito provável América está acordada. Eu ao menos espero por isso, seria horrível demais ter passado por cima do meu orgulho, chegar em sua casa e ela não poder me atender. Arrumo minha jaqueta no corpo, puxo o topete para trás, respiro fundo e toco a campainha. O barulho me faz acordar e perceber a besteira que estou fazendo. Merda, é a América Lando! A garota irritante que não te deixa em paz, lembra? Me arrependo de ter vindo e giro meus calcanhares para sair e ir para o meu carro. Mas o barulho da porta se abrindo me para antes que eu comece a caminhar para longe. Droga. Estou de costas para a porta, então não posso saber quem a abriu, mas torço para ter sido América, assim ela não poderá me ver. Devagar movo meu pescoço para o lado, e de r**o de olho vejo América parada bem ali com seu vestido verde claro e cheio de rostos de gatinhos. Meu estômago se revira. Ver ela é como se eu tivesse tomado um copo de vodka depois de meses em abstinência. Um formigamento sobe por todo meu corpo começando por meus dedos dos pés, e ele é incontrolável. América respira fundo, e agora sim eu sei que não tenho mais escapatória, ela sabe que eu estou aqui. Ela conhece o meu cheiro melhor que cachorro farejador. - Lando? - Ela fala mais como uma resposta do quê uma pergunta. Penso se a respondo ou se saio correndo feito uma criança com medo. Escolho a primeira opção. - Oi - Murmuro. Me viro para ficar de frente para ela, podendo assim vê-la melhor. Seu cabelo está amarrado para trás, mas tem alguns fios soltos em seu rosto. Vejo as sardas em suas bochechas que me faz lembrar que tem pintinhas em seu corpo também. - O que houve? - América pergunta me tirando atenção de suas bochechas. Tenho sorte dela ser cega, porque se não fosse, muito provavelmente iria se assustar com meu olhar minucioso e estranho sob ela. - Nada... - Minha voz quase não sai. O que está acontecendo? Por que de repente não consigo simplesmente dizer que não deveria ter vindo e ir embora? Ou melhor: Por que eu simplesmente não vou embora? Esse sou eu, saio sem me importar em explicar ou despedidas. Mas por que não consigo fazer isso agora? - Você não foi preso - América observa e solta um leve sorriso. Não faz isso. p***a não sorri. - É - Resmungo não dando a mínima para o que ela diz. Meus olhos estão puxados para sua boca, como se fosse algo surpreendente. m*l percebo quando já estou me movendo devagar ficando cada vez mais perto de América. Estou sem controle com meus pés. - Então ele não vai mais te denunciar? - Ela parece confusa mas curiosa, como sempre. - Não - Respondo e gentilmente uma mão minha viaja para o rosto de América. Ela se assusta um pouco com o contato repentino e franze a testa sem entender o porquê disso. Torço para ela não me perguntar, porque nem eu sei. Minhas duas mãos envolvem seu rosto, uma de cada lado. Sinto sua pele quente e macia em meus dedos, enquanto meus olhos ainda observam seus lábios ressecados mas mesmo assim lindos. Até isso nela parece ficar bom. - Você está bem? - América quase sussurra, já que estou com meu rosto praticamente se afundando no dela. - Sim - Sussurro de volta. América pensa por alguns segundos. - Você quer me beijar? - Pergunta, mas eu não preciso responder, ela já sabe a resposta, mesmo assim digo, digo porque quero ter certeza de quê isso está acontecendo. - Sim - Eu declaro a minha derrota. Qualquer autocontrole que ainda podia existir em meu corpo evaporou. Meus pensamentos barulhentos. Minhas emoções agitadas e confusas, nada disso existe agora, e antes que possamos ser interrompidos, eu beijo América.
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