18. Estranho.

3006 Palavras
Lando Minha viagem para Itália ano passado foi a melhor que eu já tive de todas as vezes que viajei, isso porque Bradley foi comigo. Nós estávamos muito felizes por ser a nossa primeira viagem juntos, principalmente ela, já que queria tanto conhecer a Itália. - Isso é tão lindo - Bradley elogiou a vista da janela do nosso quarto no hotel assim que abriu as persianas. Eu a abracei por trás e coloquei meu queixo sobre seu ombro. Olhei para o jardim florido que cercava a enorme piscina do hotel, e sorri pela escolha certa de Ruth quando nos indicou um hotel para ficar. Pelo menos nisso ela acertou. - Não mais que você - Eu falei para Bradley que sorriu balançando a cabeça negativamente, deixando claro que havia achado brega o meu elogio. Ela girou seu corpo ficando de frente para mim, e seus braços envolveram meu pescoço, o que fez nossos rostos ficarem perto um do outro. Encarei os olhos de Bradley me perguntando como eu poderia ser tão apaixonado por ela. Eu me sentia a pessoa mais feliz do mundo ao seu lado, e tinha certeza que ela se sentia igualmente. - Você me ama? - Ela sussurrou. Seus olhos focados nos meus. - Amo. - Prontamente eu a respondi - Você me ama? - Amo. - Bradley me disse depressa assim como eu. Sorri para ela com meu coração cheio de felicidade. Era tão bom ouvir ela me dizendo isso, meu corpo entrava em erupção. Mas tudo foi destruído na noite em que peguei ela em sua cama com Noah. Eu perguntei para Bradley se ela me amava, da mesma maneira que ela fez quando viajamos para a Itália. Para minha tristeza ela prontamente me respondeu que não. Foi a palavra mais dolorosa que já saiu pela sua boca e mesmo que eu não tenha acreditado nela, ainda assim doeu. Entro em minha casa encontrando a mesma bagunça que estava quando eu a deixei. Procuro Lewis pelos quartos e banheiro, mas não o encontro, possivelmente foi deixar a Emily em casa, ou a levou para casa dele. Lewis sempre faz isso com as garotas que ele leva pra cama, do nosso grupo ele é o que trata as garotas de uma maneira diferenciada, assim como Noah. Enquanto os dois agiam quase sempre iguais, Josh e eu éramos os mais parecidos. Antes de Bradley eu só queria saber de f***r com todas as mulheres que eu encontrasse e achasse bonita, sem me importar com os sentimentos delas, ou em tratar elas bem. Depois que me apaixonei por Bradley, tudo isso foi deixado de lado e eu só queria saber dela, de uma forma doente e possessiva, mas eu só queria ela. Não sei se minha vida vai voltar a ser como era antes de ter Bradley comigo, também não sei se eu vou ser o mesmo depois disso tudo. Ter ficado com a Brooke foi um passo e tanto para esquecer a Bradley, mas não foi o bastante. Eu não posso negar para ninguém o quanto eu ainda a amo, e que sou um completo cachorrinho ao seus pés, ainda mais agora que eu sei que ela me livrou da cadeia. Pensando bem, eu não quero a esquecer. Depois de um banho longo, eu vou para o meu quarto e fico mechendo em meu celular. Respondo as mensagens de algumas pessoas, incluindo Lewis que deu explicações sobre ter ido embora. "Emily machucou as costas e eu a trouxe para o hospital" Gargalho por alguns segundos antes de o responder: "O que você fez com a garota? Seu safado do c*****o" "Eu só a joguei com muita força contra a parede" Oh Deus, eu vou morrer de tanto ri. "Isso explica o sangue na parede" "Sangue? Eu não estou sabendo de sangue nenhum. p***a do c*****o, eu estou fodido" "Para de ser burro, eu estou te zuando" "Você é um desgraçado Lando" "Vai cuidar da menina que você quase matou" Lewis me manda um emoji levantando o dedo do meio e eu rio mais dele. Há várias mensagens de garotas que eu pegava antes de Bradley, e todas são de hoje. Provavelmente Brooke as contou que eu voltei a ativa, ela conhece tanta gente que aposto que o campus amanhã saberá que eu a comi. Depois de trocar mensagens com mais algumas pessoas, eu peço pizza de quatro queijos e como três fatias enquanto assisto um filme de romance que eu sei que América iria adorar assistir. É o primeiro que assisto sozinho e de verdade nem sei porquê eu quis o assistir. Só que ao ver a capa de um casal e o título "Agora & Para Sempre" eu pensei no quanto ela iria adorar o assistir, ou melhor, me ouvir narrar. Encaro o número de América na tela do meu celular e penso mil vezes se ligo ou não para ela. Vai fazer apenas 24 horas que não nos falamos, mas eu sinto que estou distante dela há muito mais tempo. Mas isso não é por nada, só hoje descobri que não ia mais ser preso, minha casa virou uma balada, eu transei com Brooke, e minha mãe me subordinou para ir para terapia. Desisto de ligar para a América. Ela nem é importante assim, e deve que pouco está se importando comigo, se tivesse teria me ligado...A não ser que esteja irritada por eu ter desligado a ligação em sua cara. Será que foi por isso? Pensar em América brava comigo me deixa desconfortável e aflito. Eu não queria magoar os sentimentos dela, mas também não queria continuar com aquela conversa s*******o que estávamos levando. Pensando bem, é melhor mesmo que ela fique brava comigo, assim não precisamos mais continuar nos falando ou nos encontrando. Deixo o meu celular em cima do móvel ao lado da cama, antes de relaxar sobre o colchão e finalmente cair no sono. (...) Porque diabos uma terapia tem que começar às nove da manhã? Eu odeio acordar cedo, ainda mais para ir em um lugar que eu não quero. Mentalizo uma BMW na minha cabeça enquanto dirijo para o endereço que minha mãe me passou. Pensar no que eu vou ganhar fazendo esse sacrifício, me parece menos irritante e não me deixa desistir. Chego no endereço e entro no pequeno prédio branco. No hall não há ninguém, apenas uma cadeira de madeira velha vazia e uma escada que deduzo que leva ao andar de cima. Vou até ela e começo a subir os degraus que são muitos. Será que o dono desse lugar não conhece uma coisa chamada elevador? Há uma única sala no corredor de cima, e na placa pendurada na porta está escrito "Doutor David." Então entro nela encontrando um grupo de pessoas sentadas no chão em uma roda. Felizmente não são muitas, e eu entendo que claramente faço parte da maioria que acha isso uma perda de tempo. Um homem de cabelo grisalho vira seu rosto em minha direção e sorri como se tivesse visto Deus. - Pessoal temos um novo m****o, esse é o Lando - Ele me apresenta, e por sua postura imagino que deve ser o David. - Seja bem-vindo Lando - O grupo me diz em uníssono. Que p***a. - Venha, se senta conosco - David me convida e por pouco não mando ele ir se f***r. Caminho até o enorme tapete que eles estão sentados, e me sento entre uma mulher loira e uma velhinha gordinha. No máximo têm apenas três homens - me incluindo - e o resto são mulheres. Todos usam um suéter extremamente cafona azul, com palavras em branco na frente escrito "Nenhum problema vai me atingir." Sinceramente, o problema já atingiu. - Cristine nos diga, o que você mudou essa semana? - David pergunta para a velhinha do meu lado. - Bem, - ela arruma os óculos sobre os olhos - meu neto quebrou o meu vaso indiano que ganhei quando me casai com meu primeiro esposo - Assim que ela diz a sala se enche de "Uh!" - E o que você fez? - David interroga calmamente. - Eu respirei fundo muitas vezes e repetir as palavras "nenhum problema vai me atingir", o que me acalmou e então não me importei com isso. A sala se enche de aplausos e murmuros de alegria, me fazendo olhar todos como se fossem de outro planeta. Espero mesmo ganhar uma BMW, porque isso aqui está sendo torturante demais. - Desculpa o atraso - Uma voz soa da porta, fazendo todos se calarem e olhar para quem chegou. Meus olhos se lançam para lá e vejo inicialmente o cabelo black power que eu reconheria em qualquer lugar, de Malu, a melhor amiga da América. Ah que ótimo! - Não tem problema Malu - David sorri cordialmente para ela. Malu caminha até o círculo e sua testa se enche de vincos assim que ela me vê. Aceno para ela como uma forma de provocar, a tirando um revirar de olhos. Ela se senta do outro lado da mulher loira, o que nos deixar perto um do outro. - Então Malu, já que chegou aqui agora, pode nos dizer o que fez de diferente essa semana? - David se vira para ela, fazendo todos a olharem. - Claro - Malu sorri com seus dentes brancos. - Essa semana eu me controlei para não ir atrás de um garoto que magoou a minha melhor amiga, eu queria bater nele até sair sangue por sua boca - Ela fala lançando seus olhos cinzentos para mim. Estremeço no meu lugar. - E o que te fez desistir disso? - Eu...Eu pensei na frase - Ela responde sem tirar os olhos de cima de mim. Malu é a única pessoa que consegue me deixar com medo apenas com o olhar. É assim desde o dia que eu a conheci na boate. - Nenhum problema vai me atingir - A sala repete isso, e Malu finalmente desgruda sua atenção de cima de mim e se vira para David. - Muito bem Malu - Ele sorri orgulhoso para ela. Minutos se passam, mas para mim parecem horas. David faz o favor de perguntar para todos o que fizeram de diferente essa semana. Por sorte eu fico livre disso, já que sou novato, mas David prometeu que na próxima reunião eu vou falar. Coitado se acha que vou voltar. O trato com minha mãe foi em vim apenas uma vez, não mais que isso. Todos estão espalhados pela sala agora. Alguns conversam no canto. Outros contam piadas. E outros comem o lanche que está posto em uma mesa larga. Vejo Malu comendo um sanduíche encostada na parede sozinha, e mesmo que eu saiba que ela me odeia, eu me levanto do tapete e vou até ela. - Lá vêm - Ela revira os olhos assim que paro ao seu lado. - Minha nossa você é um porre - Reclamo me encostando na parede fria, assim como Malu. A janela do nosso lado trás um vento frio e bom para dentro da sala. Ela gira sua cabeça para me olhar com sua feição de quem diz "sério?" - Você é bem irônico - Ela morde o sanduíche. - Não sabia que fazia terapia - Digo e desço meus olhos para a blusa de Malu. Ela não está usando o mesmo sueter que o resto dos bobos dessa terapia. Sua blusa é preta e tem o nome da banda Coldplay estampada em vermelho bem no centro. As mangas estão rasgadas, e não me parecem que estavam assim quando Malu a comprou. - Bem, você não sabe sobre muita coisa mesmo - Malu balança os ombros. Sorrio por causa de sua língua afiada, e giro minha cabeça para o resto da sala, onde observo David se lambuzando com a maionese na mesa de lanche. Ele suja o sueter azul e ao tentar limpar, suja ainda mais. - Veio aqui por que? Você é a última pessoa que eu imaginei que faria terapia - Malu diz, me tirando o meu foco de David e o direcionando para ela. - Minha mãe me prometeu um carro novo se viesse - Respondo. Os cantos da boca de Malu se erguem em um sorriso incrédulo, enquanto ela balança a cabeça. Seus pequenos cachos do cabelo se movem sobre os seus olhos e eu me paro quando sinto vontade em tocar neles. - Seus pais são uns fodidos - Malu xinga subitamente lançando seu olhar para longe do meu. Ela está mesmo insultando os meus pais? - O que você disse? - Semicerro os meus olhos. - O que você ouviu - Sua resposta é áspera. - Quem sua mãe acha que é para tratar a América daquela forma? - Pergunta me esclarecendo o motivo dela está tão brava com eles. Então a América a contou o que aconteceu. - E você? - Malu se vira para mim - Por que diabos não defendeu a minha amiga? - Seus olhos me queimam, deixando mais difícil para mim encontrar as palavras para me justificar. - Eu não podia começar uma briga com a minha mãe - Respondo quase murmurando ao ver alguns olhares para nós dois. Malu fala tão alto, que é inevitável que algumas pessoas não escutem nossa conversa. - Você podia sim! - Ela praticamente grita. - Malu - A repreendo assim que todos da sala olham para a gente. - Não precisa gritar - Falo com a voz baixa mas que ela consiga ouvir, e olhando para quem nos observa. Malu segue o meu olhar, percebendo somente agora a platéia que ela fez se formar. - Não se esqueça da frase - David diz para ela, e posso ouvir a merda da frase ecoando em minha cabeça. - Desculpe - Malu fala e lança um sorriso forçado para as pessoas, fazendo as atenções se dissiparem da gente. Ela volta com seu rosto para mim e murmura: - Você me deixa tão estressada. - Pensei que já fosse assim normalmente - Zombo sorrindo e recebo um tapa no braço o que me faz rir mais. Malu revira os olhos se segurando para não sorri também, e morde o resto do seu sanduíche, deixando no canto da sua boca uma sujeira de ketchup. - América e eu somos amigas há anos e se você pensa que vai magoar ela e ficar por isso mesmo, você está muito enganado - O tom de Malu é ameaçador, mas eu não consigo a levar a sério olhando sua boca suja. - Por que está dizendo isso? - Pergunto e desvio o meu olhar da sua boca para seus olhos castanhos esverdeados. - América e eu não brigamos, muito menos eu a fiz algo tão grave. Só fui grosseiro com ela na ligação, mas isso eu faço sempre o meu subconsciente completa. - Você é muito i****a mesmo - Malu fala cruzando os braços sobre o peito - A América não é do tipo de pessoa que fala se está ou não magoada, ela guarda só para ela. Eu por a conhecer melhor que ninguém, sei bem quando está ou não magoada com algo. E ela ficou triste com o que sua mãe a disse. Ficou triste porque sabe que você fica de quatro pela sua ex namoradinha que te traiu, e por alguma razão ela se preocupada com isso. Ela fica triste com uma série de coisas, e agora que você entrou na vida dela, ela está triste constantemente. - Malu respira fundo e posso fisgar um lacrimejar nos seus olhos, mas ela desvia seu olhar do meu para a janela do nosso lado. - Você pode ser um babaca suficiente para não se importar com os sentimentos da América, e por não merecer saber tudo isso que estou te dizendo, mas se você tiver ao menos um pouco de dignidade, se afasta da minha amiga. - Malu me pede. Eu sabia que podia está causando algum m*l para a América, só não pensei que fosse tanto. Eu não sabia que ela se sentia desconfortável com o fato de quê eu ainda amo a Bradley, ou que ela se preocupa mesmo comigo. Eu sou tão fodido que até mesmo quando alguém gosta de mim, sabe que se enfiou em um buraco escuro. Eu não queria isso para a América. Eu não queria que ela ficasse triste por minha causa. Malu tem toda razão em querer que eu me afaste da América, e é o que eu vou continuar fazendo. - Eu já não estou mais falando com ela, se isso te acalma - Murmuro. Malu volta com seu rosto para mim. - E vai manter isso? - Pergunta, seus olhos cheios de expectativa. - Vou - Respondo prontamente e posso ver os ombros de Malu relaxarem. - Isso é bom - Ela sorri levemente, o que dissipa a tensão entre nós dois, como se as coisas agora estivessem resolvidas. Ficamos em silêncio. Malu vira o rosto para olhar para dentro da sala, o que faz ela ficar de perfil para mim. A sujeira do ketchup ainda está no canto da sua boca, e antes que eu me pare, meu polegar alcança o local que está sujo. Malu vira para mim rapidamente com o susto do meu toque repentino, expulsando meu dedo da sua pele imediatamente sob o seu olhar assustado. - E- eu só estava limpando - Me explico com a voz vacilante. Por quê fico tão medroso quando se trata dessa garota? - Oh - Malu chia antes de passar a mão onde está sujo, fazendo a sujeira sair. Seus olhos caem para os seus pés, como se ela estivesse envergonhada agora, e só não digo nada porque escuto a voz estridente de David se despedindo de algumas pessoas. Isso é o que me faz esquecer de Malu e me dá a deixa para ir embora. Eu então me afasto dela e caminho para fora da sala sem me despedir de ninguém, querendo apenas me livrar de uma vez por todas daquela gente.
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