Lando.
Odeio domingos.
Antes eu gostava. Era o melhor dia pois eu ficava em casa com Bradley. Mas hoje esse é o pior. Ninguém parece querer me ver hoje. Nem mesmo Lewis. Ele me mandou uma mensagem dizendo que está na casa de sua nova peguete. Josh desde ontem está em uma festa e não responde nenhuma das mensagens. A única pessoa que me restava era a América, mas ela deve está naquele encontro. Até mesmo ela está fazendo algo hoje, enquanto eu estou aqui, nesse tédio sem fim.
Me pergunto se América está se divertindo com esse garoto com quem ela saiu. Será que ele está a tratando bem? Ou será se ela o acha legal? América está apaixonada por ele? Eu deveria silenciar os meus pensamentos, mas não consigo. É quase inevitável pensar em América nesse encontro, o que me deixa ainda mais irritado. Além de ser um dia r**m, essa garota se infiltrou em minha cabeça.
- f**a-se - eu resmungo e pego meu celular de cima do criado mudo da minha cama.
Abro a galeria de fotos e vejo algumas onde Bradley e eu estamos. Há fotos de quando íamos em boates, shopping, e até das nossas férias na Itália no ano passado. Bradley parecia tão feliz ao meu lado. Eu sei o quanto ela ainda sente a minha falta, a prova disso foi está vestida com a minha t-shirt outro dia. Me lembrar disso me faz querer ir até sua casa e f***r ela a noite toda. Bradley é a mulher da minha vida, ela sempre será.
Antes que eu me pare, estou no carro dirigindo até a casa de Bradley. Eu sei que eu deveria a dar espaço, principalmente depois do que fiz ao Noah, mas não consigo. Já se passaram três dias desde que eu a vi naquele hospital, e me mata não a ver todos os dias. É fodido e possessivo, mas eu não consigo me controlar quando se trata de Bradley.
Estaciono o carro na rua frente ao seu prédio, e mando mensagem para ela, pedindo para que desça, logo ela responde:
"De jeito nenhum"
"Noah está aqui"
"Vai embora"
Reviro os olhos. O que raios ele está fazendo na casa dela? Acha que só porque foi espancando, a Bradley tem a obrigação em cuidar dele?
"Eu vou fazer um escândalo" Ameaço.
"Você não me põe medo" Bradley me responde e posso imaginar sua testa cheia de rugas nervosas.
"Porfavor" Imploro.
"Vai embora Lando"
"Ok" respondo e ligo o carro.
Eu não vou desistir fácil, só preciso criar coragem para fazer o que eu ameacei, e nada melhor do que ir ao bar. Dirigo para o primeiro pub que eu conheço, e bebo o máximo que consigo. Cada bebida que desce por minha garganta, me deixa mais encorajado a voltar ao prédio de Bradley. Eu preciso convencer ela a ser minha novamente, e mesmo que meu plano inicial de a reconquistar de um jeito certo, tenha descido pelo ralo, eu não vou desistir, com ou sem a ajuda de Lewis, a Bradley vai perceber que o lugar dela é ao meu lado.
Me levanto da cadeira do bar depois de ter pago o barmen. Me sinto tonto enquanto caminho para o meu carro estacionado fora do pub, mas continuo o meu caminho. Eu sei que estou levemente bêbado, mas assim é melhor, dessa forma eu faço coisas que estando em meu juízo normal eu não faria.
De volta ao prédio de Bradley, eu não a mando mensagem. Desço do meu carro e vou para frente do portão que separa a portaria da rua. Olho para a janela do apartamento de Bradley no terceiro andar, e sei que ela ainda está acordada, já que a luz está acesa.
- Bradley! - Grito - Bradley!
Não demora nem um segundo para ela aparecer na janela com os olhos arregalados para mim.
- O que faz aqui? Vai embora - Ela pede.
- Não! - Eu dou um passo para frente me desequilíbrando, mas me recupero rapidamente. - Você precisa me ouvir - Eu estou gritando e não me importo se todo mundo do prédio está me ouvindo, o que importa é a Bradley. Apenas ela.
- Você está bêbado, porfavor...
- Eu amo você. Eu amo você tanto. Por que não percebe isso? Por que continua insistindo em quem não vai te fazer feliz? - Pergunto sentindo um nó se formando em minha garganta. - Bradley, eu sei que ainda sente o mesmo por mim, o que nós vivemos foi puro e verdadeiro, você sabe disso! - Sinto meus olhos começando a lacrimejar, mas eu não dou importância para isso. A junção da bebida com minha vontade de ter Bradley de volta, está fazendo uma bagunça em minhas emoções, principalmente porque ela está bem ali, olhando para mim com atenção da sua janela.
- Eu te perdôo, p***a, eu sei que você não foi errada, em hipótese alguma. Você só estava confusa, isso é tão óbvio. - Passo meus dedos pelo meu cabelo, puxando o topete para trás - Não esqueça dos nossos planos, do nosso sonho em se casar na praia...Da nossa viajem para a Itália? Você se lembra?
- Sim - Bradley fala baixo e eu quase não posso ouvir de onde estou.
- Foi a melhor época para nós dois, - eu sorrio para ela - eu nunca vou me esquecer.
- Eu também não - Ela força para falar mais alto. Mesmo de longe eu posso ver sua feição amolecida. Ela não está mais sendo contra as minhas palavras como antes, o que me deixa ainda mais esperançoso para que ela perceba que seu lugar é comigo.
- Volta comigo Bradley - Eu peço, as lágrimas derramam pelo meu rosto de forma dramática.
Bradley está me olhando diferente, eu sinto que ela está prestes a me dizer que sim, ela vai me dizer sim. Eu percebo isso em seus olhos brilhante.
- Eu... - ela começa mas é interrompida por braços que envolvem sua cintura. O corpo de Noah aparece logo atrás de Bradley, e seu queixo se apoia no ombro dela. Meu sangue ferve vendo ele me provocando. Em sua cabeça há uma faixa branca, cortes e marcas roxas cobrem seu rosto, e um enorme curativo tampa sobre o seu nariz. Ele está horrível. Parece até que foi atropelado por um caminhão.
Noah sussurra algo no ouvido de Bradley e ela grita para mim:
- Vai embora.
- Amor... - eu soluço. Bradley me olha por uma última vez e então fecha a janela, mostrando que mais uma tentativa minha foi falha.
Ela quase se rendeu.
Eu vi isso.
Se aquele filho da p**a loiro não tivesse aparecido, muito provavelmente agora ela estaria em meus braços.
Eu odeio o Noah.
- Bradley - volto a gritar chorando feito um bebê. - Eu te amo! Volta para mim! - Eu estou implorando. Eu preciso tanto dela. - Ele não te faz feliz Bradley, eu sim. Eu faço!
Minhas pernas estão fracas, e tudo a minha volta começa a girar. Foi o c*****o de todas aquelas doses de bebidas que tomei.
- Vou ligar para a polícia se não for embora - Um vizinho de Bradley me ameaça.
- Vai se f***r! - Eu o xingo.
Sei que está tarde demais, mas eu não me importo. Se eu conseguir fazer com que Bradley me escute só mais um minuto, tenho certeza que ela volta para mim. Eu tenho certeza.
- Bradley, você precisa me ouvir - eu tento gritar o mais alto que consigo, mas m*l consigo enxergar a janela dela. Qual o seu andar mesmo? Oh Deus! Minha cabeça gira. - Você...Você é tudo para mim - cambaleio para frente - Eu quero me casar com você, e ter os filhos que nós imaginamos! Você se lembra amor? - soluço sorrindo. - Éramos o maior casal...O maior - eu fecho os olhos me lembrando da frase que todo mundo nos repetia: "vocês são o maior casal".
- Sua felicidade é ao meu lado! - Eu berro sentindo minha garganta doer - Você sabe disso! Até mesmo esse i****a sabe. Quem não sabe? Todos sabem que você e eu nascemos um para o outro! Todos...
Uma mão fria segura em meu braço, fazendo com que eu pare de gritar para Bradley. Viro meu pescoço em direção a pessoa, e pisco várias vezes para conferir se não é o efeito do álcool que está fazendo isso comigo.
- Lando - a América diz calma, mas eu posso ver pelo jeito que ela franze a testa, que está brava comigo.
- O que...que raios faz aqui América?
- Eu estava voltando do meu encontro e te ouvi gritando - Ela explica.
Varro a rua com meus olhos, e vejo uma BMW branca parada na calçada. Um garoto ruivo está dentro dela, provavelmente o novo namoradinho de América.
- Como sabia que era eu? - Volto com minha atenção para ela.
- Eu reconheço sua voz em qualquer lugar. - Diz - É a casa da Bradley?
- Sim...- Suspiro - Ela quase, quase voltou comigo - Olho para a janela fechada.
- Você ainda vai conseguir voltar com ela, é só uma questão de tempo.
Ela torce para que Bradley e eu reatemos o namoro? Eu imaginei que isso fosse a última coisa que ela queria, assim como todo mundo. Ainda mais quando parece que América tem uma quedinha por mim.
- Pensei que quisesse ficar comigo - eu falo e me surpreendo por ter dito isso em voz alta, o álcool está me deixando louco.
América ri.
- O que te faz pensar isso?
Agora eu me sinto um bobo.
- Desculpa, estou descontrolado e falando coisa sem nexo.
Ela rir mais.
- Lando, não eu estou afim de você, e mesmo se eu estivesse, eu não seria apenas de você. Existem muitos meninos em minha lista.
- Oh! - É a única coisa que consigo dizer.
Então ela é muito mais ativa em questão de relacionamentos do quê eu pensei.
- Vamos embora, está tarde, você está bêbado e a qualquer hora alguém chama a polícia para você - América me chama e sua mão alcança o meu braço. Ela desliza seus dedos pela minha pele, até alcançar a minha mão, onde ela entrelaça nossos dedos.
- Eu não estou bêbado - Tento protestar.
- Não preciso nem enxergar para perceber que você está sim - Ela ri em deboche. América começa a me puxar e eu sei que sua intenção é me levar até o seu namorado, mas na realidade eu que estou a guiando até lá.
- Vamos em um carro que está parado na calçada, consegue ver? - Ela pergunta e eu olho para a BMW branca.
- Não vou ir com ele - Eu digo parando no meio do caminho.
Pegar carona com o paquera da América é a última coisa que eu quero agora.
- Lando porfavor, facilita - América se vira para mim, ainda sem largar a minha mão, com seus olhos focados em meu ombro.
- Eu tenho meu carro.
- Não vou deixar você dirigir bêbado.
- Você é quem? - Debocho.
- Sou a única pessoa que se importa com você agora. Ou acha que a Bradley está lá em cima pensando em você? Eu duvido muito. - Suas palavras são duras como pedras. O que mais dói é saber que ela tem razão. Noah deve ter feito a cabeça de Bradley, e muito provável eu não passo por nenhum minuto pela mente dela. Mas não irei me render de qualquer forma.
- Eu consigo dirigir nesse estado - Falo. Se ela soubesse que eu já dirigi estando pior que agora, não estaria tentando me fazer ir com ela e o ruivo.
- Se você não aceitar ir comigo, nunca mais falo com você - América ameaça. Não seria má idéia não a ver mais. Seria um alívio para mim, já que quero me afastar dela de qualquer maneira. Porém, um lado que até agora eu não sabia que existia, me diz para não deixar ela ir. Esse lado quer ter América comigo. Deve ser a bebida.
- Por que você é tão irritante? - Resmungo voltando a caminhar com ela.
- Eu só estou tentando te ajudar - Ela responde e em silêncio vamos até o carro de luxo do seu namorado.
Ele desce do carro e vem até nós que estamos parados ao lado da BMW. Seus olhos azuis me olham por um tempo, antes de virarem para América.
- Tudo bem? - ele a pergunta e envolve o rosto dela com as mãos. Observo seu polegar raspando sobre a bochecha dela, e sinto vontade em o afastar. Ruivo intrometido.
- Sim...Hum, ele vai com a gente - América diz se referindo à mim.
- Ok - ele murmura antes de abrir a porta para ela.
Percebo que América ainda está segurando a minha mão, e assim que nossos dedos se afastam, eu momentaneamente sinto falta da sua pele quente e macia em contato com a minha. Eu entro no carro, ficando sentado no banco de trás da América. O ruivo além de colocar o sinto de segurança nela, também beija sua boca antes de fechar a porta e ir para o lado do motorista. Ele é tão meloso, fala sério.
- Onde você mora? - O garoto me pergunta.
Na casa do c*****o.
- Ele vai ficar lá em casa - América responde antes mesmo que eu diga algo.
- Vai? - O ruivo parece confuso.
- Vou? - Eu estou confuso.
Ela não me convidou, muito menos comentou sobre isso, e eu não quero ficar lá. Não que eu tenha sido tratado m*l ou coisa do tipo, mas ficar debaixo do mesmo teto que América não foi o que eu imaginei para essa noite. Eu também não imaginei estar aqui no carro do seu namorado, suportando toda a chatice dele. Mas estou.
- Sim - ela diz. - Não vou deixar ele dessa maneira sozinho em casa.
- Eu sei me cuidar - Protesto.
- Não me importo. Você vai para minha casa e ponto - América fala convicta. Até parece que eu sou uma criança e ela é minha mãe ou uma babá ou qualquer outra pessoa que manda em crianças.
Fico calado. Sei que se reclamar ela vai encher mais ainda o meu saco. Além disso, estou enjoado por causa da bebida, eu extrapolei quando fui naquele pub, e o pior de tudo são as curvas que o carro faz. Porque raios a América tinha que morar em um beco?
- Chegamos - O ruivo avisa assim que para o carro de frente a cerca branca.
- Muito obrigada Calum - América agradece.
- Não foi nada. Eu adorei nosso encontro.
- Eu também. Nunca pensei que fosse tão divertido - América ri.
Observo os dois entre os bancos, com a cara mais tediosa que eu consigo fazer.
- Você precisa sair mais vezes comigo - ele brinca.
Foda-se
- Com toda a certeza eu vou sair outras vezes.
Foda-se.
- Amanhã vai para a aula?
Não, amanhã ela vai f***r com outro cara.
- Sim. Você vai?
Não, ele vai está fodendo com um cara também.
- Sim. Então, nos vemos lá?
- Com toda a certeza - América sorri para ele, que segura no queixo dela com seu polegar e indicador. O ruivo puxa o rosto dela para o centro do carro, e leva o dele também. Eu fico de espectador em um lugar vip olhando os dois se beijarem. É tão nojento. Eu sinto meu estômago se revirar com a cena, e não me paro antes de soltar o vômito em cima do carpete do carro ao lado dos meus pés.
Logo América e Calum param de se beijar, e ele olha para mim.
- Merda - Eu reclamo passando as costas da mão sobre a boca. Odeio vomitar.
- Você não fez isso - O ruivo fala olhando para a sujeira em seu carro como se fosse o fim do mundo.
- É só vômito - Eu dou de ombros.
- Eu mandei lavar esse carro hoje! - Ele praticamente grita.
- Manda de novo - Eu retruco.
Olho para América e ela está se segurando para não ri.
- Você é um bêbado folgado - Ele me insulta com o rosto vermelho, agora sim parece uma pimenta.
- E você é um riquinho chato e fresco - Eu jogo de volta.
- Você...
- Chega vocês dois - América intervém. - Vamos entrar Lando, e muito obrigada por tudo Calum, até amanhã. - Ela tateia a porta e a abre. Eu saio do carro e ajudo América a sair também. Passamos pela passarela de pedras do jardim e assim que passamos pela porta e entramos na sala, América se desfaz em gargalhadas.