Lando.
- O Calum deve está querendo te matar agora - América diz quando entramos em seu quarto.
- Ele é um fresquinho do c*****o - Rolo os olhos. - Você gosta de caras chatos assim?
- Exatamente - ela ri e então percebo o porquê. Os caras chatos me inclui.
- Eu não sou chato! - Protesto.
- Você é bêbado, explosivo e chato - diz cheia de humor.
América caminha até o seu guarda roupas, e de frente à ele ela começa a se despir. Primeiro as sapatilhas, depois abre o ziper lateral do vestido amarelo cheio de girassóis brancos e o desliza por suas pernas. Tento desviar o meu olhar do seu corpo coberto apenas pela calcinha e o sutiã, mas não consigo, é como se fosse uma imã me puxando para ela. A b***a de América não é tão grande, mas também não é tão pequena assim. Suas coxas são grossas, e as gordurinhas da sua cintura se sobressaem pelos lados da calcinha. Por ela está de costas, eu não consigo ver a parte da frente, mas de qualquer forma isso não importa, já que agora eu sei que a América é linda por baixo daqueles vestidos tão bregas, e eu isso não posso negar.
Ela recolhe um pijama do seu guarda roupas, e o veste com toda a facilidade do mundo. O vestido fino escorrega cobrindo seu sutiã e calcinha rosa cheia de corações.
- Está com fome? - Ela se vira para mim normalmente.
- Hum, não, eu estou bem - olho para a frente do seu corpo, e não consigo deixar de imaginar como ela é sem roupa.
- Ok, quer trocar de roupa para dormir melhor?
Será que seus s***s são tão bonitos quanto parecem que são?
- Eu só tiro a calça, nada mais - falo e ela balança com a cabeça.
Será que se eu enfiar a minha língua em América ela vai gemer loucamente o meu nome?
- Ok. - Ela diz e vai para a cama.
Merda, eu só posso está pirando em pensar nessas coisas. Provavelmente é o álcool. Eu não posso me esquecer que ela é irrelevante e é a pessoa mais irritante que eu conheço.
América vai para a sua cama e se deita nela.
- Eu vou dormir com você...na cama? - Pergunto.
- Sim, algum problema? - Ela se enfia entre as cobertas.
- Não, é só que...Não sei...- me embolo para falar, mas na verdade quero dizer que não é uma boa idéia dormir com ela. A única pessoa que eu já dormi na vida foi com a Bradley, nem mesmo quando eu transava com qualquer outra garota eu ficava para dormir. E além disso a América é carente demais, e como eu não estou muito ciente dos meus atos por causa da bebida, eu posso fazer alguma besteira.
- Para de ser chato e deita logo - seu tom de voz mandão me faz rolar os olhos. Garota irritante do c*****o.
- Não tem como eu dormir em um colchão no chão, ou sei lá, no sofá?
- Deita logo.
- Nem mesmo um tapete?
- Agora.
Vencido eu bufo e me aproximo da cama. Não tiro minha calça para dormir, apenas meus sapatos e as meias antes de me deitar ao lado de América, com as costas viradas para ela. Ela me oferece o cobertor, mas eu n**o. Quanto menos contato nós dois tivermos, melhor.
- A luz está acesa? - Ela pergunta segundos depois de silêncio.
- Sim.
- Oh - América murmura, e parece que agora ela percebeu que eu a vi praticamente nua. - Se quiser apagar, não sei, para dormir melhor, fica à vontade.
Procuro o interruptor na parede e ao ver ele logo ao lado da cabeceira eu o aperto, deixando o quarto escuro.
- Boa noite Lando - América diz, mas eu não respondo.
Fecho os olhos e penso como estar na casa da Bradley implorando para ela voltar comigo, me levou para a cama de América. Eu realmente não deveria ter aceito o pedido dela, mas agora já é tarde, meu corpo está relaxado sobre o colchão, e a minha cabeça gira por causa de toda a bebida. Além disso, o sono começa a dar seus primeiros sinais, o que faz com que não demore muito para que eu durma com imagens nojentas de Noah e Bradley transando, flutuando em minha mente podre.
(...)
Acordo com um barulho terrivelmente irritante. Ao abrir os olhos eu estranho o ambiente, e me lembro que estou no quarto de América. Então eu realmente dormi aqui.
Uma movimentação ao meu lado me faz virar e ver América sentada. Seu cabelo está em uma completa bagunça, enquanto a luz do sol da manhã que penetra a janela bate em seus olhos grandes e castanhos. Ela tem olhos tão lindos.
- Aonde vai? - Pergunto assim que ela sai da cama.
América se sobressalta de susto pela minha voz, mas depois sorri.
- Eu havia me esquecido que dormiu aqui - ela ri dela mesma. - Preciso me arrumar para ir a faculdade - Responde a minha pergunta.
- Esqueci que estuda - Forço meu pescoço para cima para ver América melhor, porém a minha cabeça dói fortemente, fazendo eu deitar com ela no travesseiro de volta. - p**a merda - Reclamo sentindo a minha boca amarga e fecho os olhos torcendo para que a dor passe.
- O que foi? - O tom de América parece preocupado, mas não me arrisco a olhar para ela.
- Ressaca - Respondo colocando minha mão sobre a minha testa.
- Depois de tanto beber, ainda não se acostumou? - Ela ri de mim.
- Fica quieta - Minha voz soa mais baixo do que eu quero, tirando risadas de América.
- Enquanto você vai ficar ai sofrendo de dor, eu vou está beijando o Calum - América me provoca. Calum? Quem é esse?
- Aquele babaca de ontem? - Pergunto e como um flashback me lembro do ruivo fresquinho que ficou irritado por eu vomitar em seu carro.
- Ele mesmo.
- Você deveria procurar ficar com garotos melhores.
- E você superar a Bradley - Ela jogou de volta. Essa garota é ácida.
- Isso é tão estranho - digo e abro os olhos lutando para manter eles abertos. América já está com outra roupa. Ela veste um vestido roxo rodado na altura das coxas, sem decote, corte quadrado nos ombros e peito, do mesmo modelo que todos os outros. É como se todos seus vestidos fossem feito sob medida para ela. Nesse há borboletas brancas pelo tecido, e eu por algum motivo acho esse um dos menos bregas.
- O que? - Ela passa os dedos pelos cabelos, arrumando os fios.
- Você ter dormido comigo e levar tão tranquilamente o fato de que nós somos apenas amigos.
- Somos amigos então? - Ela parece contente.
- Não, quer dizer, foi maneira de falar - Tento consertar. Eu deveria ter ficado calado, cada vez que digo algo é alguma merda.
- Bem, eu não me importo com isso. Você se importa?
- Não.
- Então pronto. - Ela diz - Além disso Lando, não preciso ter algo com alguém para dormir na mesma cama que ela.
Essa é nova.
- Pode ser...Mas nunca aconteceu comigo.
América sorri cheia de humor.
- Então fui sua primeira vez?
Eu balanço a cabeça e jogo um travesseiro nela que se assusta mas acha graça.
- Larga de ser bobona.
(...)
América vai para a faculdade depois de tomar café da manhã que sua mãe preparou. Eu como também antes de ir embora. Seus pais não parecem surpresos ou irritados por eu ter dormido com ela, o que me deixa tranquilo quanto à isso.
Assim que entro em minha casa, vejo a bagunça que ela está. Hoje é dia de faxina, e sei que Ruth vai me matar assim que passar por essa porta. Eu fiz uma completa bagunça em apenas uma semana, sendo que eu m*l fiquei em casa. Às vezes essa minha desorganização até me surpreende.
Vou ao banheiro e tomo um banho gelado querendo aliviar a dor de cabeça. Depois eu me seco e visto uma boxer. Vou até a cozinha e abro o armário. Apanho a garrafa de vodka e bebo diretamente nela enquanto caminho até a sala. Beber é a melhor alternativa para curar a ressaca.
Me sento no sofá e pego meu celular do bolso da calça. Assim que o ecrã se acende, mostra várias ligações perdidas da minha mãe. Mas que merda? Será que aconteceu alguma coisa? Inferno.
Ligo para ela e não demora muito para me atender:
- Lando? Pra quê tem um celular se não me atende quando ligo? - Briga.
- Mãe, estava no silencioso e eu não vi. - Suspiro - Aconteceu alguma coisa?
- Preciso conversar com você.
Fodeu.
- Fala.
- Pessoalmente.
Eu estou fodido p***a.
- Ok...
- Estou te esperando agora.
- Não pode ser mais tarde? - Reclamo.
- Agora Lando!
Porra.
- Tá, eu já estou indo. - Digo e desligo a ligação.
Eu não sei o que minha mãe quer comigo, mas já da para saber que não é nada bom. Provavelmente é culpa por algo que eu fiz, e eu sei que se for isso, eu estou muito encrencado. Mesmo sendo maior de idade, eu sou tratado feito criança pelos meus pais. Se eu faço algo que eles não gostam, já é motivo para brigas, e até mesmo ameaçam que vão parar de me sustentar, o que claramente eles nunca farão.
Visto uma calça qualquer e uma t-shirt branca. Calço meu all star e então saio de casa. Vou até o meu carro na garagem, que o peguei hoje de volta no prédio de Bradley. Foi uma tentação ir lá e não querer subir para a ver. Mas eu sabia que Noah estava lá com ela, afinal é cedo para que ele já tenha ido embora.
Desço do carro assim que estaciono frente a casa dos meus pais. Estou tenso. Posso sentir a culpa de algo sobre meus ombros, porém eu não sei o que esse algo significa. Não sei o motivo da conversa que minha mãe quer ter comigo, o que me deixa ainda mais nervoso.
Ester abre a porta para mim, ela sorri fracamente antes de se afastar. Ela trabalha na nossa casa há anos, e se hoje eu tenho um pingo de respeito pelos outros, é por causa dela.
- Bom dia Ester - Eu digo entrando em casa.
- Bom dia Lan. Faz tanto tempo que eu não te vejo - Ela fala fechando a porta atrás de mim.
- Também. Você está sempre tão ocupada - Eu brinco fazendo ela sorri.
- Sempre estou meu bem - Pisca seus pequenos olhos castanhos. - Sua mãe está na cozinha.
- Hum, você sabe o que ela quer comigo? - Pergunto e mordo meu lábio inferior.
- Não, mas parece que é algo sério - suas mãos se repousam frente ao seu corpo pequeno. Por ser governanta, Ester não precisa usar uniforme, ou prender o cabelo como minha mãe insiste que as empregadas usem. - O que você fez agora hein menino Lan?
Ela sempre me chama de Lan, desde quando eu era criança, é um apelido nosso. Ester dizia que assim ela se sentia mais próxima à mim. A maneira como ela me tratava deixava minhas irmãs e minha mãe enciumadas, o que era até engraçado de se ver.
- Eu não faço idéia - Digo e é a verdade.
Ester abre a boca para falar algo, mas a fecha assim que minha mãe surge na sala. Ela está usando um vestido longo branco elegante demais para usar em casa, muitos acessórios e maquiagem. Me pergunto se minha mãe já acorda maquiada, afinal de contas não se passa das dez da manhã.
- Se retire - Karen fala para a Ester que sorri para mim antes de ir para a cozinha.
- Não precisa tratar ela assim - Reclamo.
- Você não está em posição de falar nada - Ela cospe mostrando que eu estou muito mais encrencado do quê eu pensei.
- O que foi dessa vez? - Eu caminho até o sofá e me sento.
Karen se senta logo ao meu lado e me encara com seus olhos cheios de maquiagem.
- Onde você estava com a cabeça para agredir o Noah? - Ela pergunta me fazendo estremecer.
Inferno. Como ela soube?
- Como sabe disso? - Meu rosto se contorce em raiva e medo.
- Eu fui ao mercado ontem e vi Bradley e Noah. Ele estava acabado, com o rosto inchado, a faixa na cabeça. Ela me contou que você fez aquilo nele. Qual o seu problema Lando? - Karen está se controlando para não gritar comigo.
Noah e Bradley agora vão ao mercado juntos? Essa é nova.
- Ele pediu ela em casamento mãe, ele pediu a mulher da minha vida em casamento. O que queria que eu fizesse?
- Que ficasse na sua. Você tá virando um maníaco achando que a Bradley pertence à você. Ela não é sua Lando.
- Nem dele. Ele tirou ela de mim - Miro meus olhos para a parede branca na nossa frente.
- Eu sei, mas ela escolheu isso. Ela não foi obrigada à nada. Bradley escolheu o Noah e você tem que aceitar isso.
Fico em silêncio. Tantas vezes já me disseram isso. Lewis, Josh, Ruth, Nicola...Mas eu não consigo acreditar. Eu não consigo acreditar que Bradley quer ficar com Noah. Se todos tivessem visto o que eu vi ontem. Se tivessem visto os olhos de Bradley amolecidos por minha causa, ou ela vestida com a minha t-shirt. Ah se eles tivessem visto!
- Ele vai prestar queixa contra você - Minha mãe diz quebrando o silêncio.
Meu coração para. p***a. Ele não pode fazer isso. Bem que a América me disse que era possível que ele quisesse me denunciar, só não pensei que de fato ele faria.
- Eu vou ser preso por bater nele? - Pergunto, o pânico gritando em minha voz.
- Seu pai vai fazer de tudo para que isso não aconteça. Ele pode pagar a fiança, ou você pode fazer algum trabalho voluntário. - Suspira - Mas saiba que isso tudo vai ser uma tentativa, se você for realmente preso, pode pegar até seis meses de prisão.
- c*****o - Passo meus dedos pelo cabelo aflito.
Eu não posso ser preso, isso é fodido demais para mim. Nunca pensei está em uma situação dessa, ainda mais envolvendo meu ex melhor amigo. É um inferno isso tudo que estou passando agora, é um completo inferno.
- Filho, eu tentei fazer ele mudar de idéia, mas Noah está chateado com você, ele não vai desistir disso - A voz da minha mãe é mansa enquanto eu ainda estou em choque. - Vai dá tudo certo - Ela garante mas não tem convicção.
Continuo calado. Eu não sei o que dizer, estou mais tenso que antes de entrar aqui. Minha cabeça parece que vai explodir com tudo isso, e a ressaca não curada só faz as coisas piorarem. Eu não posso ser preso. Eu tenho uma vida. Uma vida fodida, mas uma vida. Eu sei que não deveria ter feito o que fiz com o Noah, mas ele mereceu e não me arrependo de quase ter matado ele. Bem... talvez só um pouco.
- Então, agora só resta esperar, certo? - Olho para minha mãe.
- Sim - murmura antes de me envolver em um abraço. Me surpreendo por seu afeto inesperado, mas não pestanejo e me mantenho em seus braços. - Eu te amo. - Ela fala contra meu cabelo.