Já em casa, Klaus tirou o paletó, afrouxou a gravata e olhou para Helena com cuidado.
— Amor, vou esquentar a comida pra gente jantar.
Virou-se para a avó:
— Vovó, a senhora quer jantar ou prefere subir pra dormir?
— Não, meu filho… quero jantar também.
— Então senta ali com a Helena — disse ele, apontando para a mesa. — Eu já venho.
Helena e a avó se sentaram, conversando baixinho, trocando sorrisos tranquilos. Pouco depois, Klaus chamou:
— Vem, amor. Vem, vovó. Tá na mesa.
Ele serviu o prato das duas, depois o dele. Jantaram em silêncio, calmos, como se finalmente estivessem longe de tudo o que doeu naquela noite.
Mais tarde, os seguranças chegaram com as malas. Klaus pediu às funcionárias que organizassem tudo no guarda‑roupa da suíte reservada para a avó.
Depois de um tempo, a avó sorriu cansada.
— Meus filhos… eu vou me deitar.
— Nós também vamos, vovó — Klaus respondeu.
Eles subiram juntos. Klaus ajudou a avó a se acomodar no quarto dela, ajeitou o travesseiro, beijou a testa dela. Em seguida, ele e Helena saíram em silêncio.
No quarto de Helena, Klaus falou com voz baixa:
— Amor, vou deixar você tomar banho primeiro. Depois eu vou tomar o meu e volto pra dormir aqui, tá?
Helena respirou fundo.
— Não, amor… hoje eu vou pra lá.
Ele sorriu de leve, entendendo.
— Então tá bom.
Helena foi tomar banho. A água quente caiu sobre o corpo ainda tenso, mas não levou embora o medo. Quando terminou, vestiu uma camisola simples e foi para o quarto dele.
Klaus estava saindo do banheiro, já de pijama.
— Vem, senta aqui — disse ele, com carinho. — Deixa eu passar o remédio de novo no corte, tá?
Ela se sentou na cama.
— Tá muito feio, amor?
Ele passou o remédio com cuidado.
— Não… tá vermelho, mas vai ficar bem.
Helena respirou fundo.
— Amor… eu tenho medo da sua ex.
Ele levantou o olhar na mesma hora.
— Helena, você não precisa ter medo dela.
Ela balançou a cabeça, os olhos marejados.
— Amor, me escuta… você não viu o olhar dela quando soube que você era bilionário. Ela ficou com ódio porque você nunca deu a vida que ela queria. E agora eu tô com você…
Ela engoliu em seco.
— Ela pode tentar alguma coisa. Sem contar sua mãe… a Verônica… tudo isso me assusta.
Klaus segurou o rosto dela com as duas mãos.
— Ei… eu vou resolver tudo isso. Eu prometo.
— Amor… e se eu me afastar um pouco? A gente fingir um término por um tempo?
O olhar dele ficou sério na mesma hora.
— Nem pensar, Helena. Ninguém vai interferir na nossa vida, tá? Nossa casa é segura.
Ele respirou fundo.
— E toda vez que você sair, vai ser com seguranças. Nada de dirigir sozinha. Motorista particular e segurança o tempo todo.
Ela encostou a testa na dele.
— Eu te amo, Klaus… mas eu tenho medo de tudo isso.
Ele a puxou para um abraço forte, protetor.
— Eu sei. Você é boa demais pra esse mundo… — sussurrou. — Mas enquanto eu estiver vivo, ninguém vai te tocar. Eu vou te proteger, tá?
Ela fechou os olhos, sentindo o coração dele bater forte.
Ali, naquele quarto, nos braços dele, Helena sabia: o medo ainda existia…
mas também existia algo muito maior.
Amor. Proteção.
E um homem disposto a enfrentar qualquer coisa por ela.
Na manhã seguinte, Klaus acordou primeiro. Com cuidado, pegou uma bandeja com café da manhã e foi até o quarto da avó. Ela já estava acordada, sentada na cama.
— Bom dia, vovó — disse ele, sorrindo. — Trouxe seu café da manhã.
— Ah, obrigada, meu filho… e obrigada por me deixar morar com vocês — respondeu a avó, com um sorriso caloroso.
— Vovó, eu nunca tinha trazido antes porque quase não parava aqui… mas agora é diferente.
A avó sorriu, os olhos brilhando.
— Ela é uma joia… como ela está bem.
— Tá bem, vovó… mas estava muito assustada com tudo isso. Queria fingir uma separação e ficar longe de mim um pouco mais… mas eu não vou deixar, vovó. Eu amo ela.
— Tá certo, filho… não deixa mesmo. Luta por esse amor, tá? — disse a avó, acariciando o rosto dele.
Klaus sorriu e se voltou para a bandeja.
— Comer bem, vovó. Vou levar o café pra ela também.
Ele foi até o quarto de Helena. Ela ainda dormia, o rosto tranquilo. Ele se aproximou, tocou de leve seu ombro e depois a beijou nos lábios.
Ela sorriu e despertou lentamente.
— Bom dia, meu amor — disse Klaus, com voz suave.
— Bom dia, amor — respondeu Helena, ainda com a voz sonolenta.
Ela sentou na cama, e ele colocou a bandeja no colo dela, com cuidado. Helena sorriu, olhando para ele com carinho.
Eles começaram a comer, em silêncio ao mesmo tempo em que compartilhavam olhares e pequenos sorrisos. O mundo lá fora podia ser c***l, mas naquele instante, entre o café, o cuidado e o toque suave das mãos, havia paz, proteção e amor.