Ao abrir a porta do meu antigo quarto, noto a familiaridade me rondar. A penteadeira continua no mesmo lugar, assim como a minha cama, porém, o espelho já não existe mais. Lembro-me agora que vó Berta havia mandado restaurar o móvel sem ele, restando apenas o balcão. O único espelho presente no quarto é do meu antigo guarda-roupas e, me ver refletida nele, faz com que os pelos do meu corpo se arrepiem. — Tudo aconteceu aqui, minha neta, e por causo disso cê foi embora pro Rio. — Franzo a testa. — Cê num tá entendendo nada, né? — ela ri e sua pele enrugada demonstra o quanto de tempo já se passou desde a última vez que nos vimos. — Pois é dele a culpa! — Ela aponta para Nikolas que, ao olhar para mim, percebo que retirou seus óculos escuros e parece tão confuso quanto eu. Vó Berta abre a

