Capítulo 4: A Entrevista

3207 Palavras
Kate passou a madrugada fazendo o relatório de tudo do que se lembrava da missão. Em alguns momentos, ela pausava pra respirar, com tanta agonia no peito que parecia prestes a sufocá-la. Quando conseguiu concluir, ajudou outros detetives com os relatórios sobre os outros suspeitos. Ao amanhecer, ela foi pra casa. Seu lar de verdade, o lugar onde sentia-se verdadeiramente segura, ainda que lhe trouxesse milhares de lembranças. Em sua maioria, boas. Porém, algumas ainda podiam doer. Bryan bateu na porta pouco depois do meio-dia. — Oi chefe. Ela disse, ao abrir a porta, bocejando. Havia tirado a manhã inteira para dormir um pouco. — Bom dia, agente. Não queria interromper seu sono, sei que ficou lá até tarde, mas precisamos dar uma entrevista coletiva. E tem que estar preparada. — É claro. Será que horas? — Às 16h. Terão muitos jornalistas. A imprensa vai estar em peso lá. — Vou apenas tomar um banho, comer alguma coisa e... — O que acha de irmos almoçar? Faço questão de te levar. Kate assentiu, e deixou ele entrar. Ela tomou um banho rápido e vestiu um terninho preto, prendeu os cabelos e colocou pouca maquiagem. Precisava estar apresentável para as câmeras, ainda que não tivesse nem um pouco a fim de se arrumar para uma. Eles saíram uma hora depois em direção a um restaurante. — Como o Andrew estava quando o senhor o deixou? — Um pouco preocupado, com você, obviamente. — Devia ter o tranquilizado. Enfatizou ela, olhando pela janela do carro. Não queria trazer qualquer preocupação para Andrew, ou sentimento de culpa. Ela estava fazendo isso por ela mesma. — Na verdade, eu também estou preocupado, Kate. — Não há motivo pra isso. Podem sossegar. Não é como se eu fosse me matar de culpa ou algo do tipo. A ideia ainda não era recorrente. Talvez por ter problemas demais para resolver, coisas que apenas ela poderia fazer, ainda não era capaz de pensar em dar um fim a própria vida. Além disso, queria dar uma chance a si mesma de recomeçar, só não sabia se conseguiria. — Talvez não literalmente. Talvez não de culpa, mas... — Estou bem, delegado. Já disse pra não se preocupar. Eu sei me virar sozinha. Foi assim durante anos, esqueceu? — Kate, você passou meses infiltrada, perdeu o Lucas, o Nic. Foi torturada e violada e eu ainda me culpo por isso. Assumiu grandes responsabilidades, Kate. Passou por coisa que nenhum outro agente passou. Inclusive, quando retornar das mini férias, irá passar pela avaliação de um profissional. Kate balançou a cabeça em negação. Ela se recusava a demonstrar mais fraqueza do que já tinha deixado todos verem. — Não Bryan, não é necessário. — Procedimento padrão. Não vai se ausentar disso e ponto. Se quiser voltar a campo, terá que fazer isso e, o mais importante, passar na avaliação. Quando ele disser que está apta, poderá realizar missões ou atividades em campo, até lá... — O quê? Vai me deixar na área administrativa, é isso? Indagou, indignada. — Exatamente. — Isso é uma idiotice. Ela bufou e cruzou os braços, como uma menina mimada. — Kate, ainda sou seu chefe, por favor, não torne isso mais difícil. — Não é você que vai ficar atrás de uma mesa o dia todo. Ah, espera, você já faz isso. E adora. Bryan deu de ombros. Fizera aquilo nos últimos anos e, apesar de muitas vezes sentir falta da ação, da adrenalina e do trabalho em campo, gostava de comandar toda uma delegacia e de se manter mais seguro, atrás de uma mesa. — Não é tão r**m quanto parece. Vai aprender a se adaptar. E tenho certeza que isso será por pouco tempo. Eles chegaram no restaurante e almoçaram por meia hora, em silêncio. Kate não estava nem um pouco satisfeita com a notícia que havia recebido do delegado, mas ele não podia fazer diferente. Era necessário que ela fizesse uma avaliação psicológica para checar se estava em condições de voltar a campo. No fundo, ela sabia que ele estava certo e fazia aquilo para o seu bem. Ela tinha sofrido grandes perdas em um curto período de tempo, enquanto mantinha a identidade de uma striper e garçonete e lidava com a máfia. Pessoas perigosas que mexiam com a mente das pessoas, de maneiras difíceis de reverter. Mesmo tendo usado boa parte da sua vida como base para estar infiltrada, parte de Kate ainda poderia estar sedenta por vingança ou com a mente no trabalho que devia fazer. Era estritamente necessário que ela ficasse um tempo afastada do trabalho em campo e que pudesse ter ajuda para se recuperar dos traumas desenvolvidos. Que ela podia não admitir, mas não seriam nada fáceis de superar. Depois do almoço, seguiram para a delegacia. Alguns canais de TV aguardavam do lado de fora. O carro de Bryan foi direto pra garagem, parte que somente os funcionários do local tinham acesso. Era subterrânea, então facilitava a privacidade dos agentes. Jude estava na delegacia desde cedo. Tinha chegado após a partida de Kate, para dar continuidade aos trabalhos. Havia muito o que fazer ainda. Kate avistou Jude e foi até ela. As duas se abraçaram rapidamente. — Você está melhor? Jude indagou, igualmente preocupada com a amiga. Mas diferente dos outros, ela preferia não dizer isso em voz alta. Pelo menos, não ainda. — Sim, estou. Obrigada por ontem. — Pode contar comigo pra tudo. — Digo o mesmo. Você vai dar entrevista na coletiva? Jude voltou a mexer nos papéis, inquieta. Ela não era nem um pouco fã de câmeras, ainda que não fosse a primeira vez que precisasse aparecer diante de uma. — Bryan me convidou sim, mas não sei se deveria. — Você é parte importante desse caso, Jude. Tem que estar lá. — Eles vão fazer perguntas difíceis, pessoais inclusive. Kate tinha consciência disso e, provavelmente, teria muito mais dificuldade para se controlar naquela tarde do que em qualquer outro momento da sua vida. Alguns assuntos ainda eram delicados demais e aquelas pessoas não se importariam com seus sentimentos, muito pelo contrário, os esmagariam se pudessem, caso isso trouxesse alguma relevância para o seu jornal ou TV. — Mais um motivo pra você estar lá. Terei sua ajuda se chegar muito perto de desmoronar. Jude sabia que seria mais difícil para Kate. Certamente perguntariam sobre o acidente, sobre como ela tinha se envolvido com um mafioso mesmo com o noivo morto e temia que ela pudesse perder o controle em algum momento. Então, ela respirou fundo e assentiu, concordando. — Tudo bem, eu vou. Serei sua advogada, agente Williams. Kate deu uma leve risada, e as duas se encaminharam pra sala do delegado. Na sala de Bryan, uma mulher o aguardava, sentada no sofá do canto, mexendo em um tablet. Blake Riggs ergueu a cabeça quando o delegado entrou, mas apenas quando Kate passou pela porta, ela se levantou. — Agente Williams? — Sim, quem é você? — Ah, Kate, essa é a Blake Riggs, ela é das relações públicas. Vai te ajudar com a coletiva. Apresentou o delegado, coçando a cabeça. Havia se esquecido da ilustre presença que certamente o aguardou em sua sala por longos minutos. Blake deu alguns passos em direção a Kate. Ela era poucos centímetros mais baixa que a agente, usava um terninho cor de salmão, acentuando ainda mais sua pele escura. Ela estendeu a mão para Kate, que não estava muito confortável com aquela situação toda. Não precisava de mais uma pessoa pra lhe dizer o que fazer. A contragosto, ela segurou a mão da mulher, que deu um leve sorriso. — Bom, vamos começar? Só temos duas horas pra prepará-las. Adiantou-se Bryan, indo na direção da sua cadeira. — Sinceramente, delegado, com todo respeito, não vejo necessidade da presença da senhora Riggs aqui. — Primeiro, é senhorita, mas pode me chamar apenas de Blake, se quiser. E segundo, imagino que esteja preparada pra responder por que você se casou com um criminoso há menos de três meses da morte do seu noivo? Kate se virou pra mulher e diminuiu a distância entre elas, que não era longa, mas foram passos suficientes para fazer o próprio delegado estremecer. No entanto, Blake não moveu um único dedo. A agente parou de frente pra ela, com os punhos cerrados e os olhos carregados de uma fúria letal. A voz saiu tão ameaçadora quanto toda sua postura gritava. — O que está insinuando? E é bom que pense muito bem nas suas próximas palavras, ou elas serão as últimas. Blake olhou para o delegado, que não conseguiu pensar em uma resposta que pudesse amenizar a situação sem correr riscos de Kate voar no pescoço da mulher, ou no dele. Ela então voltou sua atenção para Kate, e com muita tranquilidade, respondeu: — Não será eu, agente Williams. É o que eles vão perguntar, o que eles vão querer dizer. E eu estou aqui pra evitar que faça exatamente o que acabou de fazer, diante de dezenas de repórteres e câmeras. Kate não estava muito convencida sobre as palavras daquela mulher. E Blake não esperava uma reação mais tranquila, sabia que tinha cutucado uma leoa com vara curta. Bryan saiu de trás da sua mesa e parou ao lado de Kate. — Agente, o que a senhorita Riggs está dizendo, é que o país inteiro está interessado no que aconteceu. Essa é uma das operações mais importantes da última década e todos querem saber e entender os fatos. Mas eles também farão perguntas indiscretas, desagradáveis e que irão aflorar a sua raiva. A presença dela é importante, porque vai ter que lidar com a raiva diante de determinadas perguntas e ela pode te ajudar com isso. — Não pode proibi-los de tocar em determinados assuntos? Indagou Jude, cruzando os braços. — Eu pedi, agente Walters, mas vocês sabem como eles são. Sempre tem um ou outro ousado. De toda forma, são perguntas que serão questionadas sempre e muitos deles podem até criar respostas falsas pra prejudicar a investigação ou a carreira da agente Williams. O melhor é esclarecer tudo. — O pior é que ele está certo, Jude. Sabemos que não vai ser nada fácil. Mas na próxima vez que falar do Lucas desse jeito, eu não respondo por mim. Enfatizou Kate, quase rosnando de raiva. Blake concordou, pacientemente, com um aceno de cabeça. Não seria a primeira vez que sofria algum tipo de ameaça ou que não gostavam da sua presença. Na verdade, a maioria não a tratava com muita cortesia. Ela entendia que era um contrapeso da profissão e das pessoas com quem trabalhava. A maioria eram agentes, policiais, detetives e homens e mulheres da lei, em geral. Quase todos não gostavam muito de qualquer um que tivesse um mero contato com a imprensa. — Já que estamos entendidos, melhor começarmos. Kate precisou de cada minuto que tinham disponível, para manter a mente e o coração o mais calmo possível. Blake não pegou leve, mas isso havia ficado claro logo em sua primeira indagação. E provavelmente não seria diferente na entrevista. Jude não seria o alvo das perguntas e sabia disso, ela estava mais lá para apoio do que para entrevistada. Mas ela não se importava, afinal seu papel sempre foi de apoio e nunca como a principal do caso. Blake estava com Kate nos bastidores, ajeitando o colarinho do paletó da agente. — Lembre-se, você passou por muita coisa, tem a empatia do público, caso não queira responder alguma pergunta, apenas diga que é um assunto delicado demais pra você, ou que ainda está processando o que aconteceu lá, entendeu? — Sim, eu entendi. O delegado estava em um púlpito, ao lado das mesas com cadeiras, onde as agentes sentariam. Naquele instante, ele fazia um breve relato sobre o caso e pretendia mandar as agentes para o palco em menos de dois minutos. Naquele momento, Andrew estava saindo da sala de interrogatório. Anthony havia passado parte do dia com ele, finalizando algumas questões que o delegado tinha deixado em aberto. Todos da delegacia estavam com os olhos pregados na TV, ouvindo o discurso do chefe. Andrew vestiu o paletó e parou ao lado de um agente, olhando para a tela enorme no alto da sala. — Por favor, recebam as responsáveis pela maior operação da Narcóticos. As agentes Jude Walters e Katharina Williams. O início de uma pequena salva de palmas foi o sinal que Kate precisava. Ela respirou fundo e seguiu Jude, que se prontificou a ir na frente. Havia muitas câmeras, luzes e microfones apontadas para onde estavam. A sala estava repleta de repórteres sentados, com gravadores e celulares em suas mãos. Kate sentou e ficou em silêncio pelos primeiros trinta segundos, incapaz de conseguir dizer alguma coisa. Ela abaixou a cabeça, com os olhos fechados e respirou fundo. Estava preparada, mas não importava quanto tempo tivesse, a coisa mais difícil daquele dia ainda seria falar sobre as feridas abertas como se precisasse fazer os outros acreditarem da sua existência. Jude passou a mão em suas costas, acariciando-a, na tentativa de lhe dar algum apoio emocional. Murmúrios começaram na sala, conforme o silêncio de Kate permanecia. Então, de repente, ela ergueu a cabeça e se aproximou do microfone. Não poderia se esconder mais. E todos deviam saber que ela tinha perdido tudo, sacrificado aqueles que amava, porque era seu dever proteger as pessoas. E que ninguém teria o direito de menosprezar sua dor. — Antes de qualquer coisa, quero dizer que essas últimas semanas foram as mais difíceis da minha vida. Eu precisei fazer muitos sacrifícios pra que tudo desse certo, e eu espero que vocês possam entender isso. Começou Kate, como Blake havia lhe orientado. Lembrar o público e a quem estava ali, que ela era uma vítima da máfia tanto quanto qualquer outra. — Agente, é verdade que está casada com Andrew Cardenas, o subchefe da máfia? Indagou uma mulher loira, alta, da primeira fila. Kate limpou a garganta e ajeitou o microfone, claramente desconfortável. — Sim, estou. Foi necessário para que eu pudesse ter mais proximidade da família Cardenas. Mas é importante lembrar que Andrew nos ajudou a prender toda a organização e está colaborando com as investigações. — Então pretendem continuar juntos? Kate deu um meio sorriso, balançando a cabeça e encostando o corpo na cadeira. Era incrível como eles podiam fazer uma pergunta baseada na interpretação que eles queriam fazer o público acreditar. Obviamente fazia parte do trabalho deles, mas depois de tudo, esperava um pouco mais de compaixão. Ela se inclinou para responder, porém tinha certeza que quando Jude segurou o microfone e respondeu por ela, acabou salvando a reputação de toda a agência, pois ela não pretendia dar uma resposta educada. — A Agente Williams deixou claro que o senhor Cardenas está ajudando o governo, e apenas vamos responder isso sobre ele, que ainda está sob investigação. Bryan acompanhava tudo dos bastidores, onde Kate estava antes de subir ao pequeno palco. Ele respirou aliviado com a resposta de Jude. Logo um homem pequeno e calvo, levantou a mão e indagou: — É verdade que a organização matou seu noivo e seu padrinho? E o que tem a dizer sobre isso? Aquela era a pergunta para qual Blake mais havia insistido em lhe deixar pronta para responder, pois mesmo tendo pedido que tocassem no assunto com muito delicadeza e, se fosse possível, até mesmo evitassem, sabia que aqueles abutres não perderiam a chance de destruir uma agente se isso lhe desse mais audiência. Kate estava com as mãos juntas sobre a mesa, inquietas, olhando para baixo, então ela respondeu, sabendo que estava entrando em um campo minado. — Sim, é verdade. Pelo menos, é o que Ralph Gomez me revelou antes de ser morto. — O que aconteceu naquele salão, com Ralph Gomez? Por que não foi preso junto com os outros? Kate não poderia dizer toda a verdade. Não os fatos do que havia ocorrido naquele lugar, naquela noite fria e iluminada. — Ele tentou fugir. Felizmente, fui mais rápida. — Dizem que a senhora o alvejou, sem ele ter sequer levantado a arma, isso é verdade? Kate tinha certeza que, com o tiroteio rolando, não havia como alguém ter prestado atenção no que acontecia na hora em que Ralph pretendia fugir e ela, heroicamente, impediu. Então como aquela informação foi parar nos ouvidos daquele pequeno homem? — Tudo que tenho a dizer sobre isso, é que foi muito rápido e confuso. Ralph era um homem extremamente perigoso, de alta confiança do Don Bernardo Cardenas, seu braço direito praticamente. Não se pode brincar com gente assim. — Então o assassinou? Kate deu o sorriso outra vez, e desta vez deixou a irritação sair em seu tom de voz. — Não, não matei Ralph Gomez a sangue frio, se é o que está sugerindo. Apenas assegurei que um dos criminosos mais importantes do país não fugisse. Ele era um perigo pra sociedade. — Foi uma vingança então? Pela morte de sua família? Kate se inclinou e disse as duas primeiras frases quase sussurrando no microfone, depois fez a indagação em seu tom sério e irritado. — Essas são as suas palavras. Jamais vai ouvi-las de mim. Mais alguma pergunta sem que seja sobre Ralph Gomez? Outra mulher, na terceira fileira, de longos cachos pretos, questionou, o que talvez fosse a pergunta mais importante da noite. — Onde se encontra o Chefe da Máfia, Bernardo Cardenas? Desta vez Kate olhou para Jude, que se aproximou do microfone e respondeu: — Sob custódia do órgão federal de segurança do Departamento de Justiça. Não podemos divulgar a localização dele, obviamente, devido ao risco de fuga. — Ele confessou o assassinato da sua família, agente Williams? Kate não tinha tido a oportunidade de ouvir da boca do próprio Bernardo o que ele havia ordenado que Ralph fizesse, no entanto, era certeza que não lhe faltaria tempo. Afinal, ele passaria o resto de sua vida na prisão. — Ainda não falamos com ele. Mas acreditamos fielmente que Bernardo foi o responsável por esse crime, primeiro porque ele era o único interessado, segundo porque o veículo da máfia foi encontrado nas redondezas da noite do crime e terceiro porque o próprio Ralph confessou ter cometido o crime e, a única pessoa que poderia pedir uma coisa assim a ele, seria Bernardo. Ele costumava tratar os outros como subordinados, até mesmo os que tinham o mesmo cargo ou maior que ele. O único que respeitava era o Don. Os repórteres ficaram falando por alguns instantes. Foi o tempo de Kate abrir a garrafa de água, que se encontrava em sua mesa, e bebê-la. Um outro rapaz, da última fileira, levantou a mão. Este era mais alto, com barba rala, parecia estar na casa dos 30 recentemente. Kate deixou que ele fizesse sua pergunta. — Se ele matou sua família, por que não tentou nada contra sua vida, além, é claro, da tortura por ter se casado com Andrew Cardenas? Aquela era a segunda pergunta que Kate faria, assim que encontrasse com Bernardo cara a cara. A primeira seria pra saber por que tinha mandado matá-los. — Sinceramente, não faço ideia. Gostaria dessa resposta tanto quanto vocês.
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