Isabel Oliveira Liguei o SUV sentindo o cheiro de pneu queimado ainda impregnado no ar. O silêncio dentro do carro estava pesado, cortado apenas pelo som da minha respiração curta. Olhei pelo retrovisor para o Dadai; ele estava encolhido no banco de trás, os olhos fixos na paisagem que passava depressa. — O que aquele homem te perguntou, Dadai? — disparei, tentando manter a voz firme, embora minhas mãos ainda tremessem levemente no volante. — O que tu disse pra ele? — Perguntei logo de novo, mas ele negou com a cabeça. O silêncio dele foi a minha resposta. Ele apenas apertou a pasta do computador contra o peito e desviou o olhar. Naquele momento, minha mente concluiu o óbvio, era sobre o sequestro. Sobre o resgate. Não tava feliz porque a minha irmã saiu viva dessa guerra miseravel.

