Diogo Vitório — Pode, claro que pode, mas por quê? Você tem tudo, Alexia! — O brado de Cássia ecoou pela sala, mas minha filha apenas secou uma lágrima solitária com o dorso da mão. Havia algo ali. Oh, se havia. Como delegado, aprendi que o silêncio de um suspeito diz mais do que mil confissões, e o silêncio de Alexia era ensurdecedor. Eu descobriria o que era, nem que precisasse revirar cada pedra daquela cidade. — Por que, Alexia? Fale para mim — pedi, sentando-me na ponta do sofá, tentando forçar uma conexão que a distância dos últimos anos havia enferrujado. — Nada, pai... Só estou cansa... — Ela começou a dizer, mas foi interrompida pelo toque baixo de um celular. Uma música irritante em inglês soou, e o corpo dela reagiu como se tivesse levado um choque. Ela saltou do sofá com u

