Nada é simples

1190 Palavras

Diogo Vitório Eu precisava me afastar. Cada passo que eu dava em direção ao meu carro era uma luta contra o próprio eixo, uma batalha sangrenta entre o distintivo que eu carregava no peito e o animal que ela tinha acabado de despertar. A razão gritava, berrava nos meus ouvidos que eu deveria sumir, mas, naquele momento, ser racional parecia uma traição. O corpo, traidor e sedento, exigia que eu desse meia-volta, invadisse aquele SUV e me afundasse dentro dela até que não restasse mais nada de Diogo Vitório além de suor e entrega. Entrei no meu carro e bati a porta com uma força que fez o metal ecoar pelo subsolo vazio. O silêncio que se seguiu foi pior. No banco de couro, o cheiro dela ainda estava em mim, impregnado na minha camisa, nas minhas mãos, na minha boca. — Droga... — rosnei,

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