Diogo Vitório Eu tinha certeza de que o celular que tocava não era o meu. A música era vibrante, em inglês, uma batida que falava sobre poder, sensualidade e o universo feminino — nada que combinasse com o toque padrão de delegado que eu mantinha há anos. Virei-me de um lado para o outro na cama, tentando ignorar, mas o som insistia, martelando no meu juízo até me forçar a levantar. Zadre, meu cachorro, dormia pesado aos pés da cama e m*l abriu um olho quando passei. Saí tateando pelo apartamento no escuro, seguindo o rastro daquela melodia intrusa. Vasculhei a sala, a cozinha, e só quando cheguei ao banheiro é que o som ficou nítido. Vinha direto do cesto de roupas sujas. Foi então que o estalo veio: durante a conversa tensa com a Cássia, no meio do turbilhão de desconfianças, eu tinha

