Diogo Vitório O gosto metálico do meu próprio lábio cortado ainda estava vivo na minha boca quando abri os olhos. O teto da minha sala, com aquelas placas de gesso manchadas, parecia girar. O silêncio era absoluto, quebrado apenas pelo zumbido do ar-condicionado que trabalhou a noite toda testemunhando a minha ruína. Eu estava jogado no chão, completamente nu, sentindo o frio do piso contra as costas. Meus músculos protestavam a cada movimento; um lembrete físico de que eu não tinha dado descanso a ela, e ela não tinha me dado trégua. — Isabel... — balbuciei, a voz rouca, arranhada pelos gemidos que trocamos. Nenhuma resposta. Olhei em volta e a zona era completa. Minha sala de delegado, o lugar onde eu deveria exercer a lei, parecia o cenário de uma rebelião ou de um assalto. Pastas

