Tem que ser

1612 Palavras

Isabel Oliveira Depois de todo o caos da manhã de sábado no meu apartamento, ou melhor, no campo de batalha que se tornou o meu quarto, eu descobri que a vida não tem um botão de pausa. Ela não para para que a gente julgue os próprios pecados ou repense cada ato impensado. Meu corpo, porém, fazia questão de registrar cada segundo daquela madrugada na delegacia; cada músculo meu gritava a presença de Vitório, uma lembrança latente e dolorosa sob a pele. Para camuflar o estrago, vesti uma calça jeans pantalona de cintura alta e uma blusa de crochê verde com gola alta, uma escolha estratégica para esconder as marcas que a boca e a barba daquele delegado deixaram no meu pescoço. Enquanto aplicava uma maquiagem leve, tentava sustentar no espelho o olhar de quem seguia a vida normalmente. Mas

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