Ainda não

1356 Palavras

Diogo Vitório O café já estava frio na caneca, mas eu não conseguia tirar os olhos do monitor da minha sala. A delegacia estava silenciosa, o plantão de domingo arrastava-se com a lentidão de uma sentença, e eu estava ali, cometendo o meu próprio crime. Abri o arquivo das câmeras de segurança daquela madrugada. A imagem era granulada, em preto e branco, mas o que acontecia ali tinha cores mais vivas do que qualquer realidade minha. Dei o play e senti o ar fugir. Lá estava ela. O sobretudo vermelho aberto, a pele alva contrastando com o preto da renda que eu mesmo fiz questão de destruir. Vi o momento em que minhas mãos agarraram sua nuca com uma sede que beirava a violência. No vídeo, o tempo parecia parar quando nossas bocas se encontravam; não era um beijo, era uma disputa por oxig

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