Isabel Oliveira Eu tive certeza que na vida, não existia dor que não tivesse remédio, e a minha sossegava devagar, tudo foi se encaixando lentamente, do mesmo jeito que o dia indo embora e a noite chegando devagar, não acontece de vez, o ceu azul, vai perdendo a cor devagar, vai amarelado, alarajando e por fim a escuridão chega. Não que eu tivesse sossegado. Nem tinha como, toda manhã só de passar o batom, eu me lembrava daquele beijo, ele grudou que nem o demônio, só poderia ser isso, a maneira que aquele homem me beijou, sem pressa, sem lingua, só os lábios nos meus, os olhos dentro dos meus, era a coisa mais diferente que eu tinha provado na vida, nenhum beijo tinha ficado na cabeça por tanto tempo. Eu queria mais, oh se queria, queria ele em mim, mas sabia o que ele queria e não

