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A Herdeira

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Sinopse

Gabriella "Gabbie" Navarro é conhecida por ser uma boa planejadora, ter uma vida e um trabalho entediantes e por amar muito sua família. Contudo, revelações sobre seu passado acabam por levá-la a um beco sem saída: tornando-se, contra sua vontade, a herdeira de uma fortuna que ela não quer - e que pode arruiná-la - e com o terrível enteado de sua mãe biológica, Scott Gallagher, para atormentá-la, Gabbie deve agora planejar como resolver tudo isso.

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Prólogo - Holiday
Às vezes, Gabbie queria poder voltar a gostar dos feriados como gostava quando era criança. Oito anos atrás, quando ela tinha 14 anos, feriados queriam dizer que ela ia poder ler, sair para algum lugar com seu irmão, ouvir música com sua melhor amiga ou assistir algum filme com sua família. De fato, aos 22 anos, ela adoraria ainda poder fazer tudo isso. Uma pena que todas aquelas contas não se pagariam sozinhas se ela não fizesse o orçamento para elas. Ajustando os óculos no rosto e tomando mais um gole de seu café, ela voltou novamente suas atenções para o mar de contas a sua frente. Ajudaria se ela pudesse simplesmente avaliar as contas de seus clientes, pessoas com boa situação financeira, mas péssimo controle orçamentário, que se viam obrigados a pedir consultoria na empresa de administração onde ela trabalhava para evitar uma falência iminente. Sua vida seria absolutamente mais tranquila se pudesse apenas oferecer sua consultoria para essas pessoas e elas a pagassem, a partir daí, seguindo seus conselhos apenas se quisessem. No final do dia, ela dormiria tranquila, sem pensar nesses casos. Mas é claro que seu chefe tinha que fazer questão de culpar a equipe da qual ela fazia parte quando algum dos clientes não conseguia manter seus bens. Não importava se isso tinha acontecido porque os próprios clientes não tinham seguido sua consultoria e depois voltado irados por terem ficado sem dinheiro. Seu departamento sempre recebia uma bronca no final do dia. O que significava que ela era obrigada a lidar com clientes mimados que não entendiam porque não podiam comprar mais sapatos de 8 milhões, mesmo tendo uma dívida de 9. Quando ela tinha se formado com honras em administração financeira no ano anterior e arranjado aquele emprego assim que saíra da faculdade, suas mães haviam ficado orgulhosas dela. Gabbie sabia que elas ficariam orgulhosas mesmo que ela tivesse decidido se tornar atendente de Fast Food, mas a verdade é que ela mesma tinha ficado feliz por conseguir aquele emprego, com um salário bastante razoável para um primeiro emprego estável. Mesmo que suas mães tentassem disfarçar ao máximo, Gabbie tinha plena consciência de que a hipoteca da casa e o custeio da faculdade de seu irmão tinham deixado suas finanças em um nível crítico. Mesmo com toda aquela dor de cabeça, aquele emprego e aquele salário ajudavam sua família a permanecer com tudo o que precisavam. Quando crianças, ela e sua melhor amiga Daisy costumavam brincar sobre quando finalmente seriam garotas grandes e poderiam atravessar sem dar a mão a ninguém, comer quanto chocolate quisessem e usar dois sapatos diferentes. Com um sorriso de deboche, Gabbie olhou para a operação complexa que seu cliente havia lhe feito o favor de lhe proporcionar para consumi-la em seu feriado. Às vezes ela queria nunca ter descoberto quais eram os problemas das garotas grandes.  — Tia Gabbie, tia Gabbie! – uma mãozinha segurou a manga comprida de sua blusa quando ela se preparava para tomar mais um gole de café. Olhando para baixo, ela sorriu ao ver seus sobrinhos, os pequenos Ethan e Amy, com vários materiais de desenho e adoráveis expressões animadíssimas, fitando-a diretamente. Aquelas duas coisinhas adoráveis eram outra imensa razão pela qual ela continuava dando o seu melhor e perdendo seu sono com aqueles clientes. Quatro anos atrás, quando seu irmão revelou à família que havia engravidado a namorada, foi um choque para todos. Choque que se transformou em lágrimas quando os pais de sua cunhada, Violet, expulsaram-na de casa por ter “engravidado de um pé-rapado filho de lésbicas”. Era uma pena que mesmo depois de tanto tempo, e as duas crianças mais doces do mundo, eles ainda não tinham abandonado seus preconceitos idiotas e se reaproximado de sua filha. Contudo, passado todo aquele período complicado, era aparente que suas mães tornaram-se mães para Violet também, além de terem se tornado as avós mais apaixonadas da existência. Não que ela também não fosse a tia mais tola do mundo quando se tratava daqueles olhinhos azuis pidões e aqueles sorrisos com covinhas. — Hey, Patinhos. – ela riu ao sair de sua cadeira para se agachar perto deles – Quem nós somos hoje? — Eu sou a Merida! – Amy gritou, animada – Papai me disse hoje, antes de sair, que se eu fosse uma boa menina ele ia me dar um arco e flecha, que nem o papai da Merida! — É claro que ele disse... – Gabbie deu risada – E você, Ethan? — Eu sou o Doutor Brinquedo, porque hoje o braço do ursinho de pelúcia da Amy rasgou e a professora me deixou segurar o braço dele enquanto ela costurava. Ela disse que sem minha ajuda não teria conseguido cuidar do dodói dele! – Ethan disse, seu grande sorriso transparecendo todo o orgulho que sentia. — Nossa, que dia incrível vocês dois tiveram! – ela os olhou, admirada, enquanto eles pareciam ficar ainda mais felizes com suas palavras. Eles haviam começado a tradição de serem um personagem novo a cada dia no início daquele ano, quando começaram o Pré-Escolar. Gabbie os pegava lá duas vezes por semana e eles ficavam muito irritados quando ela os chamava de patinhos na frente das outras crianças, por ser “coisa de bebê”. É claro que eles não ligavam para o fato de que ela os chamava assim desde que fora até o hospital para vê-los pela primeira vez e os presenteara com dois pequenos bonecos mastigáveis em formato de pato, que se tornaram seus brinquedos favoritos até eles aprenderem a andar. Em sua mente, eles sempre seriam seus patinhos, mas decidiu que era melhor ceder um pouco para eles e resolveu que eles escolheriam como ela deveria chamá-los a cada dia. É claro que eles sempre escolhiam nomes de personagens. Em contrapartida, ela tinha o direito de chamá-los de patinhos quando estavam sozinhos ou quando ela ainda não sabia como chamá-los naquele dia. Suas mães sempre diziam que ela era uma ótima negociadora. Mas ela preferia mil vezes negociar com seus sobrinhos do que com homens velhos ricos que não a viam como nada além de um par de s***s que queria lhes ensinar como gerir seus negócios. Ela e suas amigas sempre saiam para jantar em homenagem à falência daquele tipo de cliente. Aquilo lhe lembrou das pilhas de trabalho que ela tinha que terminar naquele dia e, com pesar, ela acariciou a cabeça dos pequenos. — Vocês já contaram para a vovó Meredith e para a vovó Gabrielle como o dia de vocês foi ótimo? — Já sim. Elas estão fazendo o jantar agora. A gente queria te pedir uma coisa... – Disse Amy, enquanto balançava a perninha, com os grandes olhos azuis e pidões fitando-a por cima dos cílios, com o princípio de um beicinho se formando na boca. — O que houve, querida? Quero dizer, Merida? – Gabbie riu, enquanto observava os dois irmãos se entreolharem. Eles não estavam se atropelando ao falar, o que significava que, seja lá o que iam lhe pedir, planejaram muito bem entre si antes. — É que a gente tem que fazer um desenho da nossa família, para mostrar amanhã. – Ethan começou – A vovó Elle disse que você está trabalhando, mas... — A gente queria que você ajudasse a gente, tia! – Amy levantou os materiais de desenho que estavam em suas mãozinhas – Por favor... — Ah, querida, eu... – Gabbie desviou os olhos para sua mesa e toda a tonelada de papel que havia nela. Até que sentiu duas mãozinhas puxarem novamente sua manga. Os gêmeos pareciam dois gatinhos famintos, implorando por comida, com os olhinhos brilhando e os rostinhos inconsoláveis. — Por favorzinho. – Ethan suspirou, abraçando-se a perna dela, o que Amy prontamente imitou. Por um minuto, ela apenas deixou seus olhos percorrerem entre a mesa abarrotada e as duas pequenas crianças agarradas às suas pernas, que ainda m*l batiam em seus joelhos. Por fim, com um sorriso, ela desistiu, sabendo que não era tão forte para resistir àquele tipo de persuasão. — Tudo bem. – ela viu as expressões dos dois se iluminarem perante sua afirmação – Mas, lembrem-se que a titia tem muito trabalho a fazer, então eu vou ajudar rapidinho, está bem? — A Panqueca pode ajudar a gente também? – Amy disse, com a voz mais manhosa conhecida pelo homem, o que fez Gabbie finalmente entender porque eles haviam se combinado para lhe pedir ajuda. Deixando um momento de silêncio pairar no ar, Gabbie se rendeu novamente, sabendo que também não tinha como lutar contra o amor entre duas crianças e um cachorro. Ainda mais porque Panqueca iria acordar em pouco tempo, já que tinha dormido a tarde inteira. — Tudo bem. – ela riu ao ver os dois se iluminarem como luzes de natal – Eu vou acordá-la e nós vamos. Obviamente, as crianças a seguiram até a almofada de cachorro ao lado de sua cama e ficaram pulando de pura euforia enquanto Gabbie acordou sua Akita Inu com suaves afagos na cabeça macia. Quando ela adotou-a um ano atrás, um pequeno filhote abandonado em uma caixa de sapato em um dia chuvoso, sua mãe, Meredith, tinha várias reservas quanto a ficar com Panqueca. Agora, ela era parte da família tanto quanto qualquer ser humano daquela casa, o que podia ser comprovado pela forma como ela e os gêmeos pulavam de alegria quando se viam, mesmo morando sobre o mesmo teto. Enquanto os gêmeos gritavam de felicidade e Panqueca latia, cada um pegou em uma de suas mãos para guiá-la até o chão da sala de estar, onde ela se deitou de barriga para baixo, enquanto eles distribuíam papéis, lápis de cor e giz de cera pelo carpete ao seu redor, antes de se deitarem, imitando sua posição, de frente para ela. Panqueca limitou-se a subir no sofá e olhá-los com curiosidade, provavelmente esperando o momento propício para roubar um giz de cera e descobrir se eles tinham um gosto bom. — Então, nós estamos desenhando a nossa família? – ela perguntou aos dois – Quem vamos desenhar primeiro? — Podemos começar pela mamãe? – Ethan perguntou animadamente – Eu tenho um lápis de cor amarelo que parece muito com o cabelo dela. — Temos que desenhar bem redondinho, que nem as ondas do mar do desenho que a gente coloriu semana passada, só que amarelo. – Amy disse, enquanto desenhava o cabelo ondulado e loiro da mãe no papel – O cabelo da mamãe não é liso que nem o da titia. Ela tem ondinhas, mas não é uma molinha como o do papai. — Pinta os olhos dela também. – Ethan entregou um giz de cera azul para a irmã – Tia, acha que essa cor parece a cor de pele do papai? – ele lhe mostrou um lápis de cor marrom. — Parece sim, querido, digo, Doutor Brinquedo. Porque você não pinta os olhos dele com o hidrocor? — Sim, porque eles são escuros! – Amy exclamou, parecendo feliz pela tia ter lhes dado aquela dica. — Porque vocês não os fazem de mãos dadas? – Gabbie sugeriu. — Posso fazer um coração em cima deles também? – Amy perguntou com um enorme sorriso, abraçando o giz de cera vermelho. — Claro, Merida. Você sabe que eles se amam muito e amam vocês. — Podemos fazer o mesmo com a vovó e a vovó? – Ethan questionou, já desenhando um boneco um pouco torto, mas com cabelos ruivos na altura dos ombros e olhos verdes muito característicos. — A vovó Meredith ficou bonita. – Amy apontou para o desenho do irmão – Eu faço a vovó Gabrielle. Você faz a Panqueca. Gabbie não pode evitar rir enquanto o rosto de Ethan se contorcia de tanta concentração que ele imprimia em tentar fazer a cauda levantada de Panqueca em uma perfeita meia lua, sem muito sucesso. Enquanto isso, Amy desenhava, de mãos dadas com o recente desenho de Ethan, uma pessoa muito sorridente de longos cabelos e olhos castanhos. Ao terminar o desenho de Gabrielle, Amy prontamente pegou o giz de cera vermelho e desenhou um coração em volta de suas avós. — A gente devia desenhar um coração em volta das vovós e do papai também. As vovós sempre falam que amam o papai e que ele é o filhinho delas. – Ethan cutucou o ombro da irmã para chamar sua atenção. — Suas avós amam a mãe de vocês também. – Gabbie os lembrou com um sorriso – Ela é a filha delas tanto quanto eu. — Uma vez Lucas Smith disse que o papai não era filho das vovós porque ele não nasceu delas. Aí eu chutei ele! – Ethan relembrou, parecendo orgulhoso. — Sim, e colocamos você de castigo por isso. – ela ergueu uma sobrancelha. – O que nós ensinamos a vocês? — Que as vovós são as mães de você e do papai porque elas amam vocês muito. – Ethan lembrou, feliz. — Sim, querido. – ela acariciou o cabelo de seu sobrinho. Eles tinham dito o nome adoção explicitamente para as crianças e, apesar deles não o terem aprendido ainda, ela ficava orgulhosa de ver como eles compreendiam melhor sua família do que muitos dos adultos com quem ela tinha convivido durante toda a sua vida. — Nós podemos colocar um coração ao redor de todo mundo quando vocês terminarem, porque nós todos nos amamos muito. – Gabbie lhes sugeriu, sorrindo docemente. — Você pode fazer esse coração grande, tia Gabbie? Porque o da Amy ficou torto. — Não ficou não! – a menina gritou, ofendida. — Ei, ei... – ela chamou a atenção dos dois, querendo parar a briga iminente – Vocês dois ainda não se desenharam. — Eu vou me desenhar bem mais bonito que você!  - Amy deu a língua para o irmão e se virou de costas para ele, quanto desenhava a si mesma. Obviamente, enquanto terminavam seus desenhos, eles logo se esqueceram de sua briga e já estavam mostrando um ao outro seus desenhos de duas pequenas pessoas de pele marrom escuro, olhos que eram grandes bolas azuis e cabelo preto ondulado. — Tia! – Amy gritou repentinamente, escandalizada, fazendo Panqueca pular no sofá – Você não nos lembrou de desenhar você! Gabbie riu alto da revolta da sobrinha e os observou enquanto desenhavam uma pessoa de cabelos castanhos lisos, olhos castanhos e grandes óculos redondos. Seu desenho estava sorridente e tinha um longo braço, que passava ao redor dos gêmeos, como se ela os estivesse abraçando. Com ela no desenho, a família estava toda representada e as crianças correram para ficar um de cada lado dela, enquanto a observavam unir todos da família ao redor de um grande coração vermelho. — Oh, que lindo! – surpresa, Gabbie voltou a cabeça rapidamente, dando de cara com sua mãe, Gabrielle, olhando encantada para o desenho dos gêmeos – É a nossa família, meus lindinhos? — É sim, vovô. Olha você aqui. – Ethan se levantou com o desenho nas mãos, para mostrá-lo à avó. — Oh, ficou muito lindo. – Gabrielle os elogiou, com um sorriso tão grande quanto o que tinha no desenho – Uma pena que você vão ter que levá-lo para a escola amanhã. Eu tenho uma ideia: Porque não fazem outro para a vovó pendurar na geladeira? O jantar vai demorar um pouco mais, já que sua avó transformou o purê em sopa. — Ei, eu só achei que era pouco leite.  – Meredith suspirou, entrando na sala e ficando ao lado da esposa, dando-lhe um beijo na bochecha – Desculpe, querida. Eu deveria saber que escutar você sempre é o melhor caminho. — Você vai nos ajudar a fazer outro desenho tia? A gente pode desenhar você cantando para a gente dormir e... – Amy perguntou animadamente, mas logo seu rostinho caiu – Ah, não... Você tem que trabalhar, não é? Gabbie congelou por um momento. Havia se esquecido completamente da mesa abarrotada de números e preocupações que estavam bem ao seu lado. Aquilo sempre acontecia quando ela estava com sua família e não mergulhada em um milhão de tarefas. Ela sempre se esquecia que tinha problemas. Com um suspiro triste, ela se levantou, acariciando o cabelo dos sobrinhos. — Sim, querida, a titia tem. – até mesmo ela podia sentir a tristeza em sua voz. — Não se preocupem, pequenininhos. – Meredith sorriu para os netos, claramente tentando apaziguar a situação – Nós vamos jantar junto com a titia e vou deixar vocês ficarem acordados até tarde para darem um beijo de boa noite nos seus pais quando eles voltarem do jantar especial deles. Os gêmeos concordaram com as cabeças, ainda que estivessem fazendo beicinho. Mesmo sabendo que não estava com uma expressão muito diferente da deles, Gabbie deu-lhes um último beijo na testa e se virou para ir até o quarto, onde seu trabalho a esperava. A cada passo, os músculos pareciam estar mais pesados, especialmente porque a reunião que aconteceria no dia seguinte lhe voltou à cabeça, onde ela teria que ouvir mais um sermão sobre como seus clientes estavam esbanjando dinheiro novamente e como aquilo sinalizava que ela era incompetente... Da porta do quarto, ela se virou para ver Ethan e Amy mais uma vez deitados de barriga para baixo no chão, com Panqueca ao seu lado e desenhando novamente... Só que desta vez eles começaram pelo desenho dela. E ela nem precisou lançar um único olhar para sua mesa desta vez. Feliz, ela correu até seus sobrinhos e se deitou ao lado deles, sendo recebida por seus gritos de surpresa e contentamento. Pegando um lápis de cor, ela sorriu. — Sabem? A titia vai aproveitar o feriado dela. Os problemas de garota grande podiam esperá-la até amanhã.

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